Política
Audiência pública discutirá racismo e impacto da Covid-19 sobre população negra
Política
Nesta quarta-feira (24), às 14 horas, a Câmara Municipal de Cuiabá realizará audiência pública para discutir as medidas de combate ao racismo na capital.
Um dos temas principais será o impacto da Covid-19 sobre a população negra, que responde por 61,08% do total de 61.989 casos de Covid-19 registrados na capital. No Estado, esta parcela da população representa 39,43% dos 287.990 pacientes infectados.
O evento faz referência ao “Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial”, comemorado no último domingo (21).
Estarão reunidos representantes de entidades do movimento negro locais e nacionais, além dos vereadores convidados e representantes do poder público, para discutir políticas voltadas à comunidade negra (preta e parda), que representa 60% da população do Estado.
O evento acontece na modalidade online, com transmissão pela página e redes sociais da Câmara e da vereadora Edna Sampaio (PT), que foi a autora do requerimento para a realização do debate.
Durante a audiência, será lançada a proposta de um estatuto da igualdade racial, documento que permanecerá disponível on line para consulta pública e receber contribuições da população.
Uma das presenças principais será a da coordenadora nacional do Movimento Negro Unificado, Ieda Leal (GO), ativista do movimento negro, do movimento sindical e coordenadora do Centro de Referência Negra Le?lia Gonza?lez.
“Nosso mandato tem uma bandeira de combate ao racismo muito clara e objetiva, pautando mesmo que nosso enfrentamento como vereadora seria na luta pelos direitos da população negra, das mulheres negras. O enfrentamento ao racismo estrutural é algo que permeia todas as nossas ações”, disse a vereadora.
Temas
Um dos temas tratados será o racismo religioso. “Pretendo expor sobre os desafios e perspectivas do combate à intolerância religiosa, com enfoque no racismo religioso. E fazer uma apresentação de ações que podem ser realizadas no âmbito das políticas públicas nessa área”, disse Vinícius Brasilino, do Centro Cultural Ébano Brasil, representante da religião de matriz africana e membro da UNEGRO Pantanal.
Também será discutido o tema “Juventudes Negras e Políticas Públicas”, com a presença da professora Zizele Ferreira, integrante do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Relações Raciais e Educação (NEPRE) e presidente do Conselho de Políticas de Ação Afirmativa da UFMT.
“O Brasil, em busca de uma identidade nacional, colocou em prática ideologias raciais que acabaram tramando em todos os campos, uma identidade na qual o negro não esteve representado enquanto agente da/na história. Esses processos históricos e políticos estruturaram as sociedades modernas. A produção de racialização dos corpos estabeleceu uma hierarquia de vida e de morte de um grupo em detrimento de outros”, disse ela.
Outro convidado da mesa é o cantor, poeta e compositor Carlos Augusto (Guto), co-fundador do grupo de rap e poesia marginal “RapenseMT”.
Estudante de Psicologia, que falará sobre sua vivencia frente à discriminação. “Apesar de 500 anos terem se passado, infelizmente, o racismo ainda assola a nossa sociedade fazendo com que os corpos negros passem cada vez mais por situações inaceitáveis. Por isso, são necessárias discussões em prol de uma revolução contra esse sistema”.
Da Redação
Política
Comissão que analisará linha de crédito para motociclistas profissionais é instalada
O Congresso Nacional instalou nesta segunda (17) a comissão que vai analisar a MP 1.366/2026. Essa medida provisória criou uma linha de financiamento facilitado para motociclistas profissionais que atuam no transporte de passageiros ou em serviços de entrega por aplicativo.
A MP também beneficia taxistas, motoristas de aplicativo e transportadores de pequenas cargas urbanas. A medida provisória atende tanto os trabalhadores autônomos como os que têm carteira assinada.
A senadora Leila Barros (PDT-DF) foi eleita presidente da comissão — que é mista, ou seja, é composta por deputados federais e senadores. A deputada Amanda Gentil (PP-MA) será a relatora do grupo.
Essa medida provisória, que foi editada em 12 de junho, faz parte do Programa Move Brasil, lançado pelo governo federal para ampliar o acesso ao crédito de diferentes segmentos do transporte.
Fundo
A MP 1.366/2026 autoriza o uso de recursos do Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (Fiis) para financiar:
- a compra de veículos;
- a renovação da frota;
- investimentos para melhorar a atividade de transporte;
- projetos que aumentem a produtividade;
- iniciativas de redução das emissões de carbono.
Acesso ao crédito
Ao assumir a presidência da comissão, Leila Barros afirmou que a MP enfrenta uma das principais dificuldades de quem depende de veículos para trabalhar: o acesso ao crédito em condições favoráveis.
— É mais uma iniciativa importante do governo federal, porque enfrenta um problema concreto da vida de milhões de brasileiros: o custo de trabalhar. Estamos falando de motoristas de aplicativos, entregadores, motofretistas, mototaxistas, taxistas e outros profissionais de transporte de passageiros e de cargas. Homens e mulheres que saem de casa todos os dias e que dependem de um carro, de uma motocicleta ou de outro veículo para garantir a sua renda e sustentar as suas famílias — declarou.
Para a senadora, a dificuldade de acesso ao crédito faz com que esses profissionais continuem utilizando veículos mais antigos.
— Quem trabalha com aplicativo sabe como é difícil chegar ao sistema financeiro apresentando uma renda variável e pedir crédito com juros mais razoáveis. Muitas vezes, o resultado é continuar trabalhando com o veículo antigo, que consome mais combustível, exige mais manutenção, oferece menos segurança e compromete uma parcela cada vez maior da renda do trabalhador — ressaltou.
Sustentabilidade
Leila disse que os efeitos da MP vão além da concessão de crédito e envolvem geração de renda, mobilidade urbana, segurança no trânsito e desenvolvimento industrial sustentável.
Isso acontece, segundo ela, porque a medida provisória estimula o uso de veículos que atendem a critérios de sustentabilidade ambiental, social e econômica.
— Ao incentivar a renovação da frota e criar condições para a ampliação da infraestrutura de recarga e troca de baterias, por exemplo, estamos também preparando nossas cidades para a transição para uma mobilidade de baixo carbono — argumentou.
Tramitação
A senadora prometeu diálogo e agilidade na análise da MP. Segundo ela, a comissão ouvirá os setores envolvidos (por meio de audiências públicas, por exemplo) e analisará possíveis mudanças no texto.
— Como presidente desta comissão, vou trabalhar para que possamos analisar essa medida provisória com responsabilidade, ouvir os setores envolvidos, incentivar o aperfeiçoamento do texto, caso necessário, e construir as condições necessárias para a sua aprovação pelo Congresso Nacional — salientou.
Já foram oferecidas até agora 14 emendas ao texto. Após a análise da comissão, a medida provisória ainda terá de passar por votação, respectivamente, nos Plenários da Câmara dos Deputados e do Senado.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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