Polícia Federal
Diretor acusado de pressionar servidores por votos para Alan Porto é afastado
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O diretor da Escola Estadual Santana do Taquaral, em Santo Antônio de Leverger, Valmir Fernandes, foi afastado do cargo por 30 dias pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), após a divulgação de um áudio no qual ele aparece supostamente pressionando servidores a apoiar a candidatura do ex-secretário de Educação Alan Porto (Republicanos) a deputado estadual. A decisão foi tomada pela secretária Flávia Emanuelle de Souza Soares e comunicada nesta quarta-feira (9).
O caso ganhou repercussão após uma gravação atribuída ao diretor revelar uma suposta articulação para estabelecer metas de votos para Alan Porto entre escolas estaduais do município. Segundo o conteúdo divulgado, 13 diretores teriam participado da definição das chamadas “cotas”, sendo estabelecida uma meta de 50 votos para a unidade comandada por Fernandes.
Na gravação, o diretor também faz referências a possíveis consequências para servidores que não acompanhassem a orientação política. O áudio menciona a possibilidade de transferência de servidores efetivos e de exoneração ou não renovação de contratos de temporários, além de sugerir que o desempenho eleitoral da escola poderia ser cobrado caso Alan Porto retornasse ao comando da Seduc.
Outro trecho da gravação aponta para uma possível negociação de benefício para a comunidade escolar. Fernandes teria relatado que pediu ao candidato a construção de uma quadra caso a escola atingisse a meta de votos e Porto fosse eleito, mencionando ainda a possibilidade de utilização de emendas parlamentares. A existência do áudio, por si só, não comprova que Alan Porto tenha participado ou autorizado qualquer pressão sobre os servidores.
A denúncia chegou à Assembleia Legislativa e foi levada à tribuna pelo deputado Wilson Santos (PSD), que classificou o episódio como grave e cobrou providências da Secretaria de Educação. Após o discurso, o parlamentar foi até a Seduc e se reuniu com a secretária Flávia Emanuelle. Segundo Wilson, a pasta informou que havia iniciado uma investigação preliminar e encaminhado o caso à Corregedoria Setorial.
Além do afastamento de 30 dias, a Seduc teria designado um novo diretor para a escola enquanto a apuração estiver em andamento. Wilson afirmou que pretende acompanhar o procedimento e defendeu que, caso sejam confirmadas irregularidades, sejam adotadas medidas administrativas e eventualmente encaminhadas informações às autoridades eleitorais.
O episódio também integra um conjunto de apurações do Ministério Público Eleitoral envolvendo possíveis atos de favorecimento à candidatura de Alan Porto dentro de ambientes escolares. Entre os casos estão um vídeo gravado em frente a uma escola municipal de Comodoro e uma recepção ao ex-secretário em uma escola cívico-militar de Juara. A investigação deverá apontar se houve apenas uma conduta isolada ou se existiu uma articulação mais ampla envolvendo a estrutura da Educação.
A campanha de Alan Porto, em manifestação divulgada após a repercussão do áudio, afirmou que o candidato não autorizou diretor, servidor, apoiador ou colaborador a exercer pressão ou constrangimento sobre eleitores e declarou confiança na apuração das autoridades.
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Projeto Raízes da Paz encerra ciclo de nove meses com resultados positivos em escola de Várzea Grande
A Prefeitura de Várzea Grande, por meio da Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (SMECEL), segue fortalecendo parcerias e incentivando projetos que ultrapassam os conteúdos tradicionais da sala de aula e contribuem diretamente para a formação social e emocional dos estudantes da rede municipal.
Um exemplo desse trabalho é o projeto Raízes da Paz, desenvolvido em parceria com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que encerrou, nesta sexta-feira (23), um ciclo de nove meses de atividades na Escola Municipal de Educação Básica (EMEB) Joaquim da Cruz Coelho. A solenidade de encerramento foi realizada no TJMT e reuniu estudantes, educadores e profissionais envolvidos na iniciativa.
A unidade foi escolhida para receber o projeto-piloto após um levantamento identificar a necessidade de desenvolver ações de acolhimento e prevenção de conflitos na comunidade escolar. A partir da parceria entre o TJMT e a SMECEL, foram realizadas atividades envolvendo estudantes, familiares e profissionais da Educação.
Durante os nove meses, o Raízes da Paz promoveu círculos de construção de paz, oficinas, palestras e momentos de escuta, diálogo e reflexão. As ações trabalharam sentimentos, relações familiares, convivência, respeito e a capacidade de crianças e adolescentes expressarem suas dificuldades e serem ouvidos.
Representando a secretária municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Maria Fernanda Figueiredo, Leyze Grecco agradeceu ao TJMT pela parceria e destacou que iniciativas como essa fortalecem o trabalho desenvolvido pela Prefeitura dentro das unidades escolares.
“Sabemos, de forma efetiva, que os círculos trazem resultados. Muitas crianças e jovens não possuem um lugar de fala dentro da família ou mesmo no meio social. Esse espaço de escuta pode gerar transformação, porque é ouvindo que conseguimos identificar os problemas e buscar caminhos para resolvê-los. Nem sempre é fácil falar, às vezes dói, mas nossos alunos abraçaram o projeto e participaram com afinco”, destacou Leyze, que também agradeceu aos estudantes, profissionais da Educação e demais envolvidos.
Para a diretora da EMEB Joaquim da Cruz Coelho, Rosalina Marques de Almeida, os resultados já podem ser percebidos no cotidiano escolar. Segundo ela, o projeto ajudou principalmente crianças que apresentavam dificuldades para falar sobre sentimentos e se posicionar diante de outras pessoas.
“O impacto foi muito positivo e essencial. Muitas crianças eram tímidas e não tinham desenvoltura para falar. O projeto contribuiu para que elas aprendessem a dialogar, se expressar e falar também sobre suas dificuldades. Esse desenvolvimento acaba refletindo inclusive nas atividades escolares”, afirmou.
Rosalina explicou que a parceria chegou à unidade por intermédio da Secretaria Municipal de Educação, após o TJMT apresentar a proposta e avaliar diferentes comunidades escolares.
Projeto-piloto pode abrir caminho para novas ações – O coordenador do projeto na Comarca de Várzea Grande, Aparecido Donizete da Silva, explicou que o Raízes da Paz nasceu da parceria entre o Tribunal de Justiça e a Secretaria Municipal de Educação. A EMEB Joaquim da Cruz Coelho foi escolhida para a experiência piloto e, segundo ele, a receptividade da equipe escolar foi fundamental para os resultados alcançados.
“A escola abraçou o projeto. Fizemos círculos, ouvimos famílias, realizamos palestras com a equipe escolar, pais e alunos e trabalhamos com as crianças e adolescentes. O resultado foi muito bom”, avaliou.
Aparecido ressaltou ainda que a proposta tem como uma de suas principais bases o protagonismo de crianças e adolescentes, oferecendo espaços onde possam falar sobre si, aprender a ouvir e desenvolver novas formas de enfrentar conflitos.
“A ideia principal é dar protagonismo ao jovem. Muitas vezes, a gente não precisa falar, precisa ouvir. Quando a criança entende que pode falar e que será ouvida, isso pode transformar a vida dela, da família e, consequentemente, da sociedade”, explicou.
A parceria também investiu na preparação dos profissionais da rede municipal. Conforme o coordenador, cerca de 100 profissionais da Educação de Várzea Grande já foram capacitados para atuar como facilitadores dos círculos, ampliando as possibilidades de continuidade da metodologia nas escolas.
Entre os estudantes que participaram das atividades está Ayra Kelly Feitosa da Costa, de 6 anos. Com a espontaneidade própria da infância, ela contou que participou dos círculos e das atividades sobre sentimentos e aprendeu, principalmente, a importância de ouvir.
“Eu participei do Círculo da Paz e dos desenhos sobre os sentimentos. A gente aprende coisas novas, aprende a escutar outras pessoas e a perceber o que está sentindo naquele momento”, contou.
Para Ayra, a paz está diretamente ligada ao cuidado com o próximo. “A paz simboliza o amor de uma pessoa pela outra. A gente pode ajudar outras pessoas, ouvir melhor, não provocar brigas e não xingar”, resumiu.
Matheus Guimarães / Secom-VG Matheus Guimarães / Secom-VG
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