Opinião
A saúde dos idosos começa na mastigação
Opinião
Por: Dr. Rosário Machado
O brasileiro tem vivido mais, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a estimativa é de que a população idosa triplique até 2050. Mas o grande desafio é conseguir envelhecer com saúde, já que essa etapa da vida, por natureza, inspira mais cuidados, principalmente na alimentação, porque que o organismo não consegue absorver todos os nutrientes.
A perda da dentição, do tônus muscular das estruturas faciais (maxilar, bochechas, língua) e o uso de próteses dentárias são problemas comuns aos idosos, que podem dificultar a mastigação adequada para triturar os alimentos.
Desta forma, buscam mantimentos “moles” que geralmente são de baixo teor nutritivo, ou o que pode ser mais prejudicial, muitos pacientes até desistem de fazer corretamente as refeições. E a consequência é o risco de ter desnutrição, desidratação e/ou pneumonia aspirativa.
A população que utiliza dentadura ou próteses removíveis sofre muito, pois além da boca, o estômago e intestino também são atingidos. Isso porque se desiquilibra a flora bacteriana levando à acidez e com isto vem o uso de medicamentos que alcalinizam o estômago. Os remédios aliviam os sintomas, mas começa uma morte lenta e gradual do organismo.
O estômago necessita da acidez para fazer a digestão e depois a absorção dos nutrientes, como cálcio, vitaminas B12. Além disso, ocorre a dificuldade na digestão de proteínas e absorção do ferro, que alteram a produção de glóbulos vermelhos, acarretando em anemia.
Vejam como, o desconforto e alterações funcionais da boca, podem causar problemas generalizados, a nível bioquímico. Quando essa pessoa torna-se idosa, as coisas pioram, e a culpa aparente passa a ser a idade e não o desequilíbrio generalizado.
O indivíduo torna-se cansado, debilitado e desnutrido, mas continua pensando que as doenças chegaram devido à idade avançada. Um engano trágico, os filhos aceitam estes argumentos e se consolam entendendo que está chegando o fim da vida de seus pais.
Já ouvi muito dos pacientes na terceira idade, que não compensava fazer uma prótese fixa em implantes dentários, pois já estavam no fim da vida. Ouvi até mesmo de pessoas com 50 anos.
Outros possuem medo de fazer implantes dentários devido aos traumas cirúrgicos, porque um amigo sofreu muito com a cirurgia e as próteses deram problemas depois de pronta, entre tantas outras histórias.
Respeitamos muito os que possuem medo, entretanto hoje temos uma saída muito simples para dar mais dignidade, já que a ausência de dentes e a vida que se leva com estas próteses móveis, acabam por retirar o brio, tornando-se desumano, depressivo e causando até baixa autoestima.
O “implante dentário guiado” por computador sem corte na mucosa é colocado apenas por uma perfuração, evitando assim o sangramento e as dores. Essa inovação é conhecida também como cirurgia guiada por computador. O primeiro passo dessa técnica é realizar uma tomografia tridimensional via computador da arcada dentária do paciente.
Por meio dessa tecnologia o dentista pode realizar o implante em 3D, observando sua posição e inclinação. Também é possível saber quantas peças serão necessárias e a profundidade de cada uma delas.
Dessa forma, o profissional terá uma espécie de guia cirúrgico para facilitar o procedimento sem cortes, com a colocação dos implantes na gengiva.
Um dos diferenciais desta técnica é o pós-operatório, por não ser dolorido e longo. Por isso, o tratamento também é indicado para pessoas com hipertensão e diabetes.
O receio de ter muito sangramento, durante e após a cirurgia, ou da demora na cicatrização é minimizada pelo procedimento sem cortes.
O fato de poder restabelecer a função mastigatória, sorrir com tranquilidade e naturalidade melhora a autoestima e a qualidade de vida de qualquer ser humano.
Drº Rosário Casalenuovo Júnior, é Diretor Clínico do Instituto Machado de Odontologia – Brasília (DF), São Paulo (SP) e Cuiabá (MT); Co-autor do livro Cirurgia Ortognática e Ortodôntica; Presidente da ABOR-MT (Associação Brasileira de Ortodontia – SEC.MT); Membro da Academia Libero-Latino-Americana de Disfunção Crâneo-mandibular e Dolor Facial; Membro da Academia Libero Latino Americana de Estética Médica e Interdisciplinar. Especialista em: Ortondontia (Bioprogressiva e Arco reto); Ortopedia Funcional dos Maxilares Dor Orofacial e Disfunção de ATM; Formação no Conceito Castillo Morales de Reabilitação; Autor do Conceito Arquitetura da Face; Autor do Conceito Ortodontia Funcional e Estética.
Email: dr.rosario@institutomachado.com.br
Opinião
ELIÇÕES NO BRASIL QUARENTA ANOS DEPOIS O PÊNDULO POLÍTICO MUDOU DE LADO
Há eleições que simplesmente escolhem governantes e parlamentares. Outras encerram ciclos, reorganizam forças e revelam mudanças profundas na sociedade. O Brasil viveu uma dessas eleições em 1986. Quarenta anos depois, em 2026, parece viver um movimento de direção inversa.
Em 1986, o país ainda respirava os primeiros ares da redemocratização depois de 21 anos de regime militar, iniciado em 1964. A eleição ocorreu sob o impacto da Nova República, das Diretas Já, da eleição de Tancredo Neves e também da enorme popularidade inicial do Plano Cruzado. O resultado foi avassalador: o PMDB conquistou 22 dos 23 governos estaduais e elegeu 260 dos 487 deputados federais e sozinho, 53% da Câmara. Na eleição para o Senado, conquistou 38 das 49 vagas então disputadas.
Do outro lado estava principalmente o sistema partidário que carregava parte da herança política do regime anterior. O PDS, sucessor da Arena, que sustentara politicamente os governos militares, sofreu uma derrota histórica: ficou com apenas 33 deputados federais, dois senadores eleitos e nenhum governador. O PFL, nascido de uma dissidência do próprio PDS e aliado do governo Sarney, porém, conquistou 118 deputados. Isso demonstra que 1986 não representou simplesmente uma vitória da “esquerda”, mas uma gigantesca reorganização do poder em favor das forças da redemocratização.
O próprio PMDB reunia correntes progressistas, moderadas e conservadoras. Tanto que, durante a Assembleia Constituinte, uma parcela importante de seus parlamentares participou do chamado Centrão. Ainda assim, naquele momento histórico, conceitos como democracia, direitos sociais, participação popular, ampliação das liberdades e construção de uma nova ordem constitucional ocupavam o centro da agenda nacional. O Congresso eleito em 1986 produziria a Constituição de 1988.
Quarenta anos depois, o pêndulo mudou de direção.
As eleições de 2026 apresentam uma fotografia quase inversa na correlação de forças. O PL elegeu 121 dos 513 deputados federais, ampliando sua bancada em 24 cadeiras e tornando-se, com enorme vantagem, o maior partido da Câmara. A federação PT-PCdoB-PV ficou com 82 deputados.
No Senado, a mudança é ainda mais impressionante. Das 54 cadeiras disputadas, o PL conquistou 19. Considerados também os parlamentares com mandato até 2030 e as alterações decorrentes das eleições estaduais, a legenda deverá iniciar 2027 com 28 dos 81 senadores, contra nove do PT e oito do MDB. Será a maior bancada partidária no início de uma legislatura do Senado desde a Constituição de 1988.
O simbolismo histórico é extraordinário. Em 1986, o PMDB conquistou 38 das 49 cadeiras senatoriais em disputa; em 2026, o PL conseguiu 19 das 54. São magnitudes diferentes, mas os dois resultados expressam momentos de forte reorganização do sistema político. Em 1986, o partido identificado com a redemocratização ocupava o centro do poder. Em 2026, uma força política de identidade predominantemente conservadora assume a maior bancada das duas Casas do Congresso.
Há, portanto, uma interessante simetria histórica. 1986 foi uma eleição marcada pelo desejo de afastamento da ordem política construída durante o regime militar; 2026 revela o fortalecimento de forças conservadoras depois de quatro décadas nas quais direitos sociais, Constituição de 1988 e agendas progressistas tiveram enorme presença no debate político brasileiro.
Isso não significa que o Brasil tenha permanecido progressista durante quarenta anos, tampouco que tenha se tornado integralmente conservador agora. A história política brasileira nunca foi tão linear. Houve governos de centro, centro-direita, centro-esquerda e coalizões extremamente heterogêneas. O próprio segundo turno presidencial de 2026 ainda será disputado, demonstrando que a sociedade permanece profundamente dividida.
Mas o Congresso que saiu das urnas oferece um dado impossível de ignorar: o conservadorismo deixou de ser apenas uma força de resistência às mudanças e passou a ocupar uma posição central na organização institucional do poder.
Em 1986, o eleitor brasileiro ajudou a enterrar eleitoralmente boa parte da estrutura partidária herdada do regime militar. Em 2026, quarenta anos depois, o eleitorado promove outra mudança de eixo.
A história raramente se repete da mesma maneira. Ela trabalha por movimentos, contradições e reações. O pêndulo que em 1986 se deslocou em direção à redemocratização e à expansão dos direitos agora se movimenta em direção ao conservadorismo.
Quarenta anos depois, não estamos assistindo à repetição de 1986. Estamos assistindo, em muitos aspectos, ao seu movimento inverso.
* João Edisom de Souza – Analista político e professor universitário
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