Mato Grosso
Polícia fecha o cerco contra “tribunal do crime” e prende três
Mato Grosso
Da Redação
Oito mandados, sendo três de prisões preventivas e cinco de buscas e apreensões domiciliares, foram cumpridos na manhã desta terça-feira (30.03) em Rosário Oeste (128 km ao norte de Cuiabá), na operação Themis deflagrada pela Polícia Civil com apoio da Polícia Militar.
As ordens judicias foram decretadas pela Vara Única da Comarca de Rosário Oeste, após investigação da Delegacia de Polícia da cidade para esclarecer o crime de tortura praticado pelos suspeitos, alvos dos mandados e membros de uma facção criminosa instalada na região.
Segundo apurado pela Polícia Civil, os investigados exercem as funções de julgadores e aplicadores de castigos de um “tribunal do crime”, criado pela organização.
Durante o trabalho operacional, os policiais civis e militares efetuaram a prisão de dois jovens. Um deles de 26 anos foi autuado em flagrante por tráfico de drogas. O segundo preso, de 24 anos, foi detido por supostamente possuir em sua residência ligação clandestina de energia elétrica.
Além das prisões, foram apreendidas duas porções de pasta base de cocaína, ácido bórico, balança de precisão, aparelhos celulares e mais de R$ 1 mil em dinheiro.
Encaminhados até a Delegacia de Rosário Oeste, os conduzidos foram interrogados pelo delegado Gustavo Godoy Alevado. Após a confecção dos autos, os presos foram levados para a Cadeia Pública de Nobres (146 km a médio norte da Capital), onde ficarão à disposição da Justiça.
Participaram da operação Themis os policiais civis de Rosário Oeste integrados com os militares do 7 º Batalhão de Polícia Militar e da Força Tática do 2º Comando Regional da Polícia.
O nome da operação faz referência a Themis (ou Têmis), deusa grega da justiça, personificação da ordem e da lei e protetora dos oprimidos.
Mato Grosso
Após 19 anos, júri condena réu que matou trabalhador por engano
Nesta segunda-feira (24), o Tribunal do Júri de Várzea Grande julgou um homicídio ocorrido em 9 de maio de 2007. Quase duas décadas depois, Antônio Wilson Ribeiro foi condenado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver, à pena de 13 anos de reclusão.
O caso teve origem em um episódio anterior. Anos antes, uma clínica odontológica havia sido alvo de um crime, ocasião em que uma funcionária chegou a ser feita refém. Tempos depois, William Batista Luz, paciente do estabelecimento, foi confundido com o autor daquela ocorrência.
Em 9 de maio de 2007, William retornou à clínica para dar continuidade ao tratamento odontológico. A suspeita de que ele seria o antigo criminoso desencadeou uma sequência de acontecimentos que terminou em sua morte.
Segundo a denúncia do Ministério Público, William foi algemado e retirado da clínica por um grupo de homens. A partir daquele momento, nunca mais foi visto.
Seu corpo jamais foi localizado.
A investigação, contudo, reuniu uma cadeia de evidências sobre a dinâmica dos fatos e a participação do acusado. Foram apresentados ao Conselho de Sentença depoimentos de testemunhas presenciais, elementos sobre os vínculos entre os envolvidos, dados relativos à presença do réu no contexto do crime e informações relacionadas ao veículo utilizado na retirada da vítima.
A inexistência do cadáver não impediu o reconhecimento da materialidade. O desaparecimento definitivo, as circunstâncias em que William foi visto pela última vez e o conjunto probatório permitiram a reconstrução do homicídio. A morte da vítima também foi reconhecida judicialmente como presumida, com a correspondente emissão de certidão de óbito.
Ao final do julgamento, os jurados acolheram a tese do Ministério Público e reconheceram a responsabilidade de Antônio Wilson Ribeiro pelo homicídio qualificado e pela ocultação do cadáver.
O caso também evidencia um ponto essencial: justiçamento não é Justiça. Ninguém pode investigar, julgar, condenar e executar uma pessoa por conta própria. O monopólio legítimo da aplicação da lei pertence ao Estado, justamente para impedir que a vingança privada substitua o devido processo legal.
Dezenove anos depois, mesmo sem a localização do corpo de William, o Tribunal do Júri apresentou sua resposta.
É possível esconder um cadáver. A verdade dos fatos e a resposta da Justiça, não.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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