Mato Grosso

Os atoleiros na Rodovia Mato-Grossense que paralisaram mais de 200 caminhões neste feriado de Carnaval

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Mato Grosso

Da Redação

Há décadas os produtores rurais têm enfrentado adversidades em razão da precariedade da rodovia MT-322, com atoleiros que se estendem por quilômetros –e neste ano não está sendo diferente. Neste final de semana de carnaval, mais de 200 caminhões ficaram parados na rodovia MT-322 na região Norte Araguaia Xingu, completamente impossibilitados de
rodar em virtude dos atoleiros que se formaram no local onde são transportados mais de 400 mil hectares de grãos para abastecimento interno e externo.

Apesar da importância da rodovia para escoamento das safras, o que os produtores têm presenciado há mais de 40 anos é o descaso do poder público diante da situação, conforme relatado pelo produtor rural Volmar Maggioni, que atua em Goiás e também no distrito de Espigão do Leste/MT: “Todo ano é esse descaso do governo, do poder público, com nós produtores que estamos tentando alavancar a região e produzindo grãos e produtos para o mundo inteiro […] e todos os anos vêm promessas de que na seca vão arrumar, que daqui a uns dias vão arrumar, e nunca ninguém se move”.

O presidente da Associação dos Produtores de Espigão do Leste (Apel), Alípio Portilho, afirmou que “com o valor [arrecadado] do Fethab 1, Fethab 2 e Fethab do Diesel com certeza já teriam recursos para fazer o asfaltamento dessa rodovia que é a espinha dorsal para o escoamento da nossa produção” .O Fethab (Fundo Estadual de Transporte e Habitação) é um tributo que incide sobre a comercialização de commodities em Mato Grosso e foi criado em 2000.

Em 2015, a fim de complementar a receita gerada pelo Fethab 1, foi criado o Fethab 2, que finalizaria em 2018, mas que deve permanecer pelo menos até 2022. Apesar de ser um tributo facultativo, o Fethab é um pré-requisito para que o contribuinte tenha acesso a diversos benefícios, o que faz com que a opção pelo recolhimento seja indispensável.

O tributo possui uma alíquota que varia de acordo com cada produto e tem como base de cálculo a Unidade Padrão Fiscal (UPF/MT) que tem vigência semestral, ou seja, atualiza em janeiro e julho de cada ano. No primeiro semestre de 2021 ovalor da UPF é de R$ 181,98. Assim, calculada a alíquota, o valor incide sobre cada tonelada do produto.

Por exemplo, a alíquota do milho (Fethab 2) é de 6% sobre o valor da UPF, que totaliza R$ 10,9188 sobre cada tonelada destinada a outros Estados ou à exportação.

Já a alíquota da soja, é de 10%, mas com o Fethab 2, os produtores precisam recolher “duas vezes”, totalizando 20% do valor da UPF (R$ 36,396) por tonelada de soja transportada. Por saca, tem-se o valor de R$ 2,184. Tem-se, ainda, o FETHAB que incide no óleo diesel, que é calculado de forma diferente, a alíquota é de R$ 0,21 por litro.

Além de incidir sobre a comercialização de soja e sobre a venda do milho para outros estados e países, a cobrança do Fundo também é feita sobre o algodão, gado em pé, carne destinada à exportação e madeira. Um dos objetivos do Fethab é contribuir para os investimentos em transporte e na melhoria das rodovias não pavimentadas. Como o tributo rende aos cofres públicos algo em torno de R$ 1,5 bilhão por ano, é de extrema necessidade a utilização de parte do valor arrecadado para o asfaltamento da rodovia.

Conquanto os valores arrecadados com esse tributo alcancem a casa do bilhão de reais, em razão da pujança do agronegócio mato-grossense, a situação das estradas e da infraestrutura no campo continua precária.

A falta de transparência na aplicação dos recursos e a própria ingerência do poder público causa revolta entre os produtores que dependem obrigatoriamente das rodovias para escoamento da safra.  O anseio dos produtores por melhorias requer urgência. A correta destinação dos recursos angariados com o FETHAB é medida necessária para a continuidade do crescimento do agronegócio no Mato Grosso.

Isabella Martins, advogada em Direito Civil e Agronegócio no GMPR Advogados S/S, especialista em Gestão do Agronegócio pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC), pós-graduanda em Direito Processual Civil pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP) e membro da Comissão de Direito do
Agronegócio da OAB/GO.

Fonte: Isabella Martins GMPR Advogados em Goiânia/GO

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Mato Grosso

Gaúcha do Norte implanta Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica contra a Mulher

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Grupo de pessoas em pé no plenário de uma câmara municipal segura placas vermelhas em formato de coração. Ao fundo, pare de madeira com a inscrição Localizada a cerca de 571 km de Cuiabá, Gaúcha do Norte passa a contar com a atuação da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Com a formalização ocorrida na sexta-feira (31), o município se tornou o 129º do estado a ser integrado à iniciativa liderada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

A ação foi feita por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT), sob coordenação da desembargadora Vandymara Galvão Ramos Paiva Zanolo. A Rede conta ainda com a participação de instituições da segurança pública, Ministério Público, Defensoria Pública, Municípios, dentre outras.

Plenário da Câmara Municipal com diversas mulheres assistindo a uma palestra. O palestrante está em pé na frente, e uma tela projeta conteúdo ao lado direito.Além da assinatura do Termo de Cooperação Técnica entre os órgãos e instituições participantes, a passagem da equipe do Cemulher-MT por Gaúcha do Norte proporcionou ainda a capacitação de 32 pessoas que atuarão na Rede. A implantação da Rede de Enfrentamento foi efetivada após pedido da Patrulha Maria da Penha do município.

“Percebemos a dificuldade que temos ao atender sozinhos os casos de violência doméstica. Precisamos da Rede para oferecer uma proteção e suporte maior. Com essa união, podemos agir em conformidade nesse propósito, que é proteger a vida da mulher”, explicou a soldado PM Gisele Bernardo Pinto Matos, comandante da Patrulha Maria da Penha de Gaúcha do Norte.

Para Tiago Gonçalves dos Santos, juiz substituto da 1ª Vara de Paranatinga – comarca que realizada o atendimento jurisdicional de Gaúcha do Norte, a instalação da Rede de Enfrentamento é um marco importante. “Mais uma vez o Poder Judiciário vai até a comunidade, desta vez em parceria, com o objetivo de melhorar nossa sociedade, principalmente para as mulheres e meninas que tanto sofrem em nosso estado”, disse.

De acordo com a promotora de Justiça Fernanda Luíza M. Siscar, a partir da assinatura do Termo de Cooperação Técnica ficará mais fácil para os órgãos e instituições definirem os fluxos de atendimento, prioridades e ações para o município. Ela destacou que também está no planejamento a criação de um plano de metas, que guiará as estratégias de atuação para os próximos dez anos.

“A partir da implementação da Rede é que nós conseguimos avançar nas demais normativas, documentos públicos, nos planos e nas iniciativas estratégicas. Com a Rede, conseguimos devolver à população um serviço de melhor qualidade. Junto a isso, estamos buscando também a criação do plano decenal de metas para o município”, relatou a promotora.

Já o delegado da Polícia Civil de Mato Grosso, Gabriel Conrado, a implantação da Rede é fundamental para a integração de todos os órgãos públicos. “Temos um número muito alto de casos de violência doméstica nessa região. Então, essa integração é importante para a repressão desses crimes e proteção das mulheres”, pontuou.

Canais de denúncia:

180 – Todo território nacional

181 – Estado de Mato Grosso

197 – Polícia Civil

190 – Polícia Militar

Autor: Bruno Vicente

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT



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