Mato Grosso
“O grito de uma criança faminta é a pior das dores humanas”, diz Virgínia Mendes
Mato Grosso
Ao participar ontem (16) do lançamento do programa estadual Ser Família Emergencial, que vai atender 100 mil famílias de baixa renda, com transferência do auxílio de R$ 150 durante três meses, por meio de cartão-alimentação, a principal idealizadora do projeto, primeira-dama do Estado Virgínia Mendes, reforçou a extrema situação de vulnerabilidade em que vivem incontáveis famílias de Mato Grosso. Virgínia relatou algumas experiências que tem vivenciado no dia a dia do trabalho junto à Secretaria de Assistência Social e Cidadania. Ela disse ser oriunda também de classe humilde, e, justamente por isso, sente na pele a angústia de quem nada tem nas panelas para alimentar proles famintas.
“Graças a Deus, eu nunca cheguei a passar fome, apesar do contingenciamento de outras necessidades por falta de recursos. Mas pude presenciar o desespero de muitos pais para alimentar seus filhos, sem dispor de nada nas despensas. Imagine como uma mãe ou pai se sente ao ouvir uma criança choramingar de fome… Quem viveu ou presenciou tal situação não esquece jamais! A fome, inegavelmente, é um dos horrores sociais do nosso planeta, pandemia ininterrupta durante séculos”, desabafou.
Enfática, Virgínia Mendes disse se sentir altamente comprometida em ajudar o seu próximo, a fim de que os mais desvalidos possam ter algum apoio e se estruturar dignamente. “Aí, sempre alguém vem me questionar acerca do motivo de ser tão sensível aos dramas humanos. Explico, em linhas gerais, que vivi experiências próximas disso. E geralmente respondo o seguinte: “Como não se sensibilizar com o olhar inocente de um anjo que chora por leite ou um pedaço de pão?”
“Deus é quem nos guia. O resto, deixamos por Sua conta…”
A primeira-dama Virgínia Mendes salientou também que seu trabalho na Pasta social do governo é ponte facilitadora para que possa cumprir o que denomina de “missão estabelecida por Deus”. Isso porque, avalia, todos temos compromissos irredutíveis no âmbito terrestre, e ela simplesmente acatou os que lhe foram delegados divinamente. “E não há de ser diferente, não: basta ser sensível para aderirmos 100% à causa humanitária, pois assim você se encontra consigo mesmo e, também, com Deus. E Ele, sabemos, está sempre interligado às nuances do nosso coração, independente dos percalços de tristeza ou indiferença ocasionais. O importante é despertar essa veia solidária e se dedicar integralmente à ajuda pretendida”.
Virgínia Mendes reconheceu que nem tudo tem sido fácil nessa marcha de auxiliar os que mais necessitam, mas jamais se deixou abalar quando se empenha para apaziguar os golpes promovidos na faixa de maior vulnerabilidade social. “Não é mera coincidência ocupar uma função que me permite ajudar mais as pessoas. Aquela mãe que derrama lágrimas ao receber uma simples cesta básica, para muitos algo insignificante, agiganta-se em valor humano diante de você, em tais ocasiões. Como ficar insensível diante de uma explosão de sentimentos tão latentes? Aí, é possível entendermos melhor as nuances que se entrechocam socialmente no nosso país e e em outros lugares do planeta. Isso porque, cada sementinha de amor plantada, representada por um programa assistencial “x” ou “y”, ou por um simples aperto de mãos, auxilia em muito na construção de monumentos promissores na esfera existencial de cada semelhante”.
Toda essa somatória de experiências, que Virgínia Mendes considera gratificantes, apesar de muitas vezes traumáticas {em decorrência de fortes experiências testemunhadas}, “resultou na concepção de mais um projeto que vem ao encontro das necessidades de muitas famílias que choram no silêncio dessa pandemia”, explica a primeira-dama.
“Não fosse o impacto de ver o quanto muitos sofrem absoluta miséria na calada de casebres do nosso Estado, talvez vários projetos sociais ficassem engavetados para uma posteridade inútil. O programa Ser Família Emergencial entra justamente nesse vácuo de exigente socorro emergencial, de quem grita pelo suprimento de suas necessidades básicas. Orgulho-me, enfim, de ser uma de suas mentoras, e, em meu nome e do meu esposo, governador Mauro Mendes, agradeço a todos os que compõem a equipe responsável pela consolidação desse importante programa social. É mais um elo fortalecido na corrente contra a fome, a fim de que nenhum grito de criança se torne o pior martírio nos ecos sofridos da humanidade”.
Por João Carlos de Queiroz
Mato Grosso
TJ anula votação secreta e manda AL reanalisar veto a reajuste de 6,8%
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) anulou a votação secreta realizada pela Assembleia Legislativa (ALMT) que manteve o veto do Governo do Estado ao projeto que prevê reajuste salarial de 6,8% para os servidores do Poder Judiciário. Com a decisão, os deputados terão de analisar novamente o veto, desta vez em uma votação aberta e nominal.
A decisão foi tomada pela Turma de Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Público e Coletivo do TJMT após recurso apresentado pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat), que questionou a validade da votação realizada em dezembro de 2025.
O relator do processo, desembargador Márcio Vidal, destacou que o próprio Judiciário já havia reconhecido a inconstitucionalidade de dispositivos que permitiam o sigilo na apreciação de vetos. Para ele, não seria coerente manter uma votação baseada justamente em uma regra considerada inconstitucional.
“Não seria juridicamente coerente declarar inconstitucional a norma que autorizou o sigilo e, simultaneamente, preservar a votação realizada com fundamento direto nessa mesma disposição”, afirmou o magistrado.
A decisão, entretanto, não determina que o reajuste seja aprovado. O TJMT deixou claro que cabe à Assembleia decidir novamente se mantém ou derruba o veto do Executivo, apenas exigindo que o procedimento siga as regras constitucionais.
“Preserva-se a liberdade política da Assembleia Legislativa para deliberar acerca da manutenção ou da rejeição do veto governamental, sem que o Poder Judiciário interfira no conteúdo da decisão parlamentar”, destacou Vidal.
Na votação anulada, realizada em dezembro do ano passado, 12 deputados votaram pela manutenção do veto e 10 pela derrubada. Como a sessão ocorreu de forma secreta, não foi possível identificar como cada parlamentar se posicionou. Para derrubar o veto, eram necessários 13 votos.
O projeto havia sido aprovado anteriormente pela Assembleia e previa reajuste de 6,8% para os servidores do Judiciário. O então governador Mauro Mendes vetou integralmente a proposta, alegando que o aumento poderia provocar impacto nas contas públicas e gerar um efeito cascata sobre outras carreiras do funcionalismo.
Com a decisão do TJMT, a Assembleia deverá incluir novamente o veto na pauta e realizar uma votação pública, com registro nominal dos votos. O julgamento, portanto, não garante o reajuste aos servidores, mas reabre a discussão sobre a proposta e elimina o sigilo que marcou a primeira análise do veto.
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