PRECARIEDADE NAS ALDEIAS
Ex-presidente Jair Bolsonaro é alvo de artilharia indígena
Coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena de Cuiabá não poupou críticas à antiga gestão presidencial, que considera de nítido desprezo aos povos indígenas
Mato Grosso
Se fossem flechas, com certeza o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) já teria sido literalmente crivado. Por enquanto, as farpas se resumem ao claro descontentamento de coordenador dos indígenas em relação ao que denomina de total abandono do governo anterior aos povos originais.
Não apenas faltaram investimentos na gestão Bolsonaro, mas houve descaso e desinteresse gradual – foi sublinhado durante reunião de ontem (29). Os reflexos disso estão sendo sentidos no atual governo, que não consegue recompor as falhas herdadas e que tantos prejuízos à saúde indígena acarretam.
Em nenhum momento, segundo Aldi Gomes, coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena de Cuiabá, o então governo do PL expressou que os índios tinham a menor importância no contexto nacional, a contrário de Lula, que tem direcionado apoio permanente aos índios em todas as regiões do país.
Na esteira do pedido de 10 etnias pela sua exoneração, Gomes detalhou o que considera podres nada justificáveis do ex-governo.
Os indígenas, por sua vez, denunciam precariedade geral de estrutura de saúde nas aldeias mesmo no atual governo petista.
Conforme a série de queixas, os atendimentos ocorrem em contêineres, destituídos de qualquer conforto, a começar de ventilação. Ainda falta material e transporte para quem precisa de algum apoio clínico. Esse quadro caótico foi descrito pela etnia Enawenê-nawê, de Brasnorte.
Outras etnias também se manifestaram de forma veemente, denunciando que falta o básico para que os indígenas tenham uma assistência médica pelo menos regular.
Aldi Gomes se defendeu ao pontuar essas questões assinaladas pelas etnias, deixando claro que medidas resolutivas já foram adotadas.
Eis parte da nota oficial de Gomes:
“Levando em consideração que a gestão anterior sucateou a saúde indígena, a gestão atual vem com muita responsabilidade avançando e melhorando a saúde indígena. Para ser ter uma ideia, o governo atual investiu 34 milhões, em infraestrutura, como saneamento, construções e reformas, insumos, materiais médicos hospitalares, medicamentos e materiais e medicamentos odontológicos, o que representa no período reais 2500% a mais na saúde indígena do que a gestão anterior, que investiu 1,3 milhões em período similar(…)”
Mato Grosso
Gaúcha do Norte implanta Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica contra a Mulher
Localizada a cerca de 571 km de Cuiabá, Gaúcha do Norte passa a contar com a atuação da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Com a formalização ocorrida na sexta-feira (31), o município se tornou o 129º do estado a ser integrado à iniciativa liderada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
A ação foi feita por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT), sob coordenação da desembargadora Vandymara Galvão Ramos Paiva Zanolo. A Rede conta ainda com a participação de instituições da segurança pública, Ministério Público, Defensoria Pública, Municípios, dentre outras.
Além da assinatura do Termo de Cooperação Técnica entre os órgãos e instituições participantes, a passagem da equipe do Cemulher-MT por Gaúcha do Norte proporcionou ainda a capacitação de 32 pessoas que atuarão na Rede. A implantação da Rede de Enfrentamento foi efetivada após pedido da Patrulha Maria da Penha do município.
“Percebemos a dificuldade que temos ao atender sozinhos os casos de violência doméstica. Precisamos da Rede para oferecer uma proteção e suporte maior. Com essa união, podemos agir em conformidade nesse propósito, que é proteger a vida da mulher”, explicou a soldado PM Gisele Bernardo Pinto Matos, comandante da Patrulha Maria da Penha de Gaúcha do Norte.
Para Tiago Gonçalves dos Santos, juiz substituto da 1ª Vara de Paranatinga – comarca que realizada o atendimento jurisdicional de Gaúcha do Norte, a instalação da Rede de Enfrentamento é um marco importante. “Mais uma vez o Poder Judiciário vai até a comunidade, desta vez em parceria, com o objetivo de melhorar nossa sociedade, principalmente para as mulheres e meninas que tanto sofrem em nosso estado”, disse.
De acordo com a promotora de Justiça Fernanda Luíza M. Siscar, a partir da assinatura do Termo de Cooperação Técnica ficará mais fácil para os órgãos e instituições definirem os fluxos de atendimento, prioridades e ações para o município. Ela destacou que também está no planejamento a criação de um plano de metas, que guiará as estratégias de atuação para os próximos dez anos.
“A partir da implementação da Rede é que nós conseguimos avançar nas demais normativas, documentos públicos, nos planos e nas iniciativas estratégicas. Com a Rede, conseguimos devolver à população um serviço de melhor qualidade. Junto a isso, estamos buscando também a criação do plano decenal de metas para o município”, relatou a promotora.
Já o delegado da Polícia Civil de Mato Grosso, Gabriel Conrado, a implantação da Rede é fundamental para a integração de todos os órgãos públicos. “Temos um número muito alto de casos de violência doméstica nessa região. Então, essa integração é importante para a repressão desses crimes e proteção das mulheres”, pontuou.
Canais de denúncia:
180 – Todo território nacional
181 – Estado de Mato Grosso
197 – Polícia Civil
190 – Polícia Militar
Autor: Bruno Vicente
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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