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Em meio à pandemia, Sexta-Feira Santa impõe reflexão sobre o peso dos nossos pecados

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Hoje (2) é um dia santo, data em que milhões de cristãos do mundo inteiro celebram a Paixão e Morte de Jesus Cristo. É também conhecido como ‘Sexta-Feira Santa’. Mesmo porque remonta ao calvário de Cristo nas mãos dos soldados romanos, quando foi chicoteado, humilhado e crucificado para morrer lentamente na cruz. Ao pedir água, deram-lhe vinagre, com escárnio indiferente às suas dores. Momento em que Jesus exclamou, olhos voltados ao Céu: “Pai, por que me abandonastes?”

Neste ano, a Sexta-Feira Santa acontece em meio à sequência de mortes desenfreadas impostas pela pandemia, com alardeado pânico de muitos povos sobre o “dia de amanhã”. Há quem fale, inclusive, que essa ardilosa doença veio para apaziguar o peso dos pecados humanos, de há muito extrapolando a cota de sacrifício do sangue de Jesus na cruz. Outros, já preconizam ser o “fim dos tempos”, uma espécie de lavagem do purgatório pecador que hoje está sediado no nosso planeta.

Assim, ao contrário dos anos anteriores, os cultos de devoção solidária ao calvário de Cristo serão online, não presenciais. Nada de procissões com milhares de pessoas, púlpitos de igrejas lotados de padres para relembrar o quanto a humanidade foi perversa para com o Salvador; Cristo derramou seu próprio sangue para expurgar os pecados daqueles a quem chamava de “irmãos”. Sacrifício aparentemente inútil, na concepção da maioria: o homem não se converteu, enveredando-se na aura pecadora.

Em linhas gerais, Sexta-Feira Santa é um dia em que todos deveriam “se guardar”, ou seja: recolher-se consigo mesmos para avaliar quem é, o porquê de ser, e também o motivo de ainda estar aqui. Automaticamente, as dores sofridas por Jesus se juntam a isso, mas nem todos têm o necessário discernimento para avaliar sua importância no contexto existencial da humanidade.

Nesse aspecto, o chamado “sacrifício perfeito”, pela Bíblia Sagrada, ainda não tem o devido valor por parte daqueles que parecem estar indiferentes a tudo que o Cordeiro de Deus sofreu para poupá-los. Na crença cristã, ao ser crucificado, a pureza do coração de Cristo, destituído de pecado, zerou os débitos pecadores dos homens, conclamando arrependimento de ações que confrontem Seus princípios. A pergunta que não quer calar é: – Valeu a pena Cristo sofrer tanto por pessoas que não reconhecem minimamente o valor do seu gesto?

Pelas tradições católicas, a Sexta-Feira Santa é dia reservado ao jejum completo, ou alternado por regras alimentares. Nesse último caso, há abstinência completa do consumo de carne vermelha, substituída por peixe. Outros, evitam consumir bebidas alcoólicas, com as horas do dia sendo gastas em orações e mesmo sacrifícios físicos. Tradicionalmente, em alguns lugares do Brasil e do mundo já protagonizaram o calvário de Jesus de forma sangrenta, via-sacra com açoites voluntários e até crucificação real. Em face da peste que paralisou meio mundo, difícil que algo do tipo aconteça hoje…

O mais importante é a crença das pessoas de que não estamos sozinhos nesse mundo, e que existe divindades nos vigiando e até guardando, de forma protetora. As supostas aparições de Nossa Senhora numa capela de Cristina, cidade mineira, agitaram não apenas a pacata cidadezinha, mas grande parte do Brasil e do mundo. A Virgem pede que todos rezem, segundo foi veiculado na mídia, e essa preocupação vem ao encontro dessa fase de autêntico terror que a humanidade inteira atravessa, tentando se blindar contra esse poderoso inimigo que mata de forma vertiginosa. Talvez Nossa Senhora já saiba que não haverá mais nenhum amanhã para quem mora nesse globo viciado de erros e pecados.

Por João Carlos de Queiroz, da Redação/Com informações do site Jovens Conectados.

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Após 19 anos, júri condena réu que matou trabalhador por engano

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Nesta segunda-feira (24), o Tribunal do Júri de Várzea Grande julgou um homicídio ocorrido em 9 de maio de 2007. Quase duas décadas depois, Antônio Wilson Ribeiro foi condenado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver, à pena de 13 anos de reclusão.
O caso teve origem em um episódio anterior. Anos antes, uma clínica odontológica havia sido alvo de um crime, ocasião em que uma funcionária chegou a ser feita refém. Tempos depois, William Batista Luz, paciente do estabelecimento, foi confundido com o autor daquela ocorrência.
Em 9 de maio de 2007, William retornou à clínica para dar continuidade ao tratamento odontológico. A suspeita de que ele seria o antigo criminoso desencadeou uma sequência de acontecimentos que terminou em sua morte.
Segundo a denúncia do Ministério Público, William foi algemado e retirado da clínica por um grupo de homens. A partir daquele momento, nunca mais foi visto.
Seu corpo jamais foi localizado.
A investigação, contudo, reuniu uma cadeia de evidências sobre a dinâmica dos fatos e a participação do acusado. Foram apresentados ao Conselho de Sentença depoimentos de testemunhas presenciais, elementos sobre os vínculos entre os envolvidos, dados relativos à presença do réu no contexto do crime e informações relacionadas ao veículo utilizado na retirada da vítima.
A inexistência do cadáver não impediu o reconhecimento da materialidade. O desaparecimento definitivo, as circunstâncias em que William foi visto pela última vez e o conjunto probatório permitiram a reconstrução do homicídio. A morte da vítima também foi reconhecida judicialmente como presumida, com a correspondente emissão de certidão de óbito.
Ao final do julgamento, os jurados acolheram a tese do Ministério Público e reconheceram a responsabilidade de Antônio Wilson Ribeiro pelo homicídio qualificado e pela ocultação do cadáver.
O caso também evidencia um ponto essencial: justiçamento não é Justiça. Ninguém pode investigar, julgar, condenar e executar uma pessoa por conta própria. O monopólio legítimo da aplicação da lei pertence ao Estado, justamente para impedir que a vingança privada substitua o devido processo legal.
Dezenove anos depois, mesmo sem a localização do corpo de William, o Tribunal do Júri apresentou sua resposta.
É possível esconder um cadáver. A verdade dos fatos e a resposta da Justiça, não.

Fonte: Ministério Público MT – MT



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