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Desenvolve MT leva linhas de crédito ao Pré-Summit 2026

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A Desenvolve MT – Agência de Fomento do Estado de Mato Grosso participou, nesta terça-feira (28.1) do Pré-Summit 2026, apresentando as principais linhas de crédito operadas pela agência. O evento promovido pela Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) em Cuiabá reuniu representantes de vários segmentos da indústria mato-grossenses.

A superintendente de Crédito da Desenvolve MT, Lizandra Helmann, integrou o painel de apresentações destacando as oportunidades de financiamento voltadas ao setor produtivo e o papel da agência no estímulo ao desenvolvimento econômico e no fortalecimento da indústria mato-grossense.

A apresentação deu destaque para as novas linhas Fundes, destinada a indústria, comércio e serviço, Fungetur, voltada para o ramo turístico, além da linha Desenvolve Empresarial. Os empresários presentes também contaram com atendimento especializado da equipe de crédito da Desenvolve MT.

Para Lizandra Helmann, estar neste espaço de diálogo com a Fiemt e os sindicatos industriais é fundamental para aproximar soluções financeiras das reais demandas do setor. “A Desenvolve MT atua para garantir que o crédito chegue de forma acessível e estratégica ao setor produtivo. Nossa missão é apoiar a indústria mato-grossense em seus diferentes estágios, oferecendo linhas de financiamento que possibilitem investimento, modernização e geração de empregos”, destacou a superintendente de Crédito da Desenvolve MT, Lizandra Helmann.

O Pré-Summit 2026 reuniu executivos sindicais dos 36 sindicatos que representam 17 setores da indústria em Mato Grosso e integrou a agenda estratégica da Fiemt voltada à inovação, sustentabilidade e articulação institucional.

Maria Christina Seror, especialista e responsável pelo Núcleo de Acesso ao Crédito da Federação das Indústrias, destacou que o evento foi realizado com o objetivo de aproximar parceiros que possam integrar o portfólio de soluções oferecidas aos sindicatos industriais. Segundo ela, a Desenvolve MT é uma grande parceira da Fiemt, especialmente no que se refere ao acesso ao crédito, considerando que cerca de 90% do público atendido é formado por micro e pequenas empresas.

“A Desenvolve nos atende prontamente, com as melhores taxas e um atendimento espetacular. Por isso, sempre será uma grande parceira nos eventos realizados pela Federação”, afirmou.

A participação da Desenvolve MT no Pré-Summit 2026 reforça o compromisso da agência com a articulação institucional e com a ampliação do acesso ao crédito como ferramenta estratégica para o fortalecimento da indústria, contribuindo para um ambiente de negócios mais competitivo, sustentável e alinhado ao desenvolvimento econômico de Mato Grosso.

*Com supervisão de Livia Rabani

Fonte: Governo MT – MT



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Tutela de urgência em saúde

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A judicialização da saúde, fenômeno estrutural do constitucionalismo brasileiro contemporâneo, revela tensões persistentes entre a efetividade do direito fundamental à saúde e a racionalidade administrativa que orienta o Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse cenário, causa preocupação a crescente adoção, em decisões judiciais, de critérios estranhos ao regime jurídico-processual da tutela de urgência, notadamente a invocação do art. 1º da Resolução nº 1.451/1995 do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Enunciado 93 da III Jornada de Direito da Saúde do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), como filtros indevidos ao deferimento de medidas jurisdicionais.Sob o prisma constitucional, a saúde é alçada à condição de direito fundamental social (art. 6º) e dever do Estado (art. 196), dotada de eficácia imediata (art. 5º, §1º), o que impõe não apenas prestações materiais, mas também respostas institucionais tempestivas e adequadas. A densificação normativa desse direito encontra-se, ainda, na Lei nº 8.080/1990, que estrutura o SUS sob os princípios da universalidade, integralidade e equidade (art. 7º), assegurando acesso contínuo e articulado aos diversos níveis de atenção, bem como na Lei nº 8.142/1990, que reforça a participação social e o controle democrático das políticas públicas de saúde. Como bem acentua a doutrina do direito sanitário — a exemplo de Aith Fernando Mussa Abujamra — a saúde, enquanto direito de cidadania, exige do Estado não apenas provisão, mas organização eficiente e tempestiva dos serviços, sob pena de frustração de sua própria finalidade.À luz desse arcabouço, revela-se inafastável a necessidade de racionalização da intervenção judicial em matéria de saúde pública, sobretudo diante da complexidade técnico-financeira que envolve o SUS. Todavia, essa deferência institucional não pode transmutar-se em renúncia à função contramajoritária do Judiciário, nem legitimar a desproteção do paciente. A racionalização não autoriza a criação de obstáculos artificiais ao acesso à tutela jurisdicional, tampouco a adoção de critérios apriorísticos que esvaziem a análise concreta dos requisitos previstos no Código de Processo Civil brasileiro. Ao revés, compete ao Judiciário atuar como instância de garantia quando a atuação estatal se mostra insuficiente, tardia ou inadequada, preservando, em última análise, a dignidade da pessoa humana.Nesse horizonte, a tutela provisória de urgência — estruturada nos arts. 300 e seguintes do Código de Processo Civil — reclama a demonstração da probabilidade do direito e do perigo de dano, critérios de natureza eminentemente jurídica e de aferição casuística. Não se admite, portanto, sua subordinação a conceitos administrativos ou corporativos que, embora úteis à organização do sistema de saúde, não possuem densidade normativa para restringir a atividade jurisdicional.A esse respeito, a importação acrítica do conceito de “urgência e emergência” estabelecido pelo CFM revela-se metodologicamente equivocada. A Resolução nº 1.451/1995, concebida para fins ético-profissionais, não se destina a delimitar o conteúdo jurídico do perigo de dano. Sua utilização como parâmetro decisório reduz indevidamente o espectro de proteção jurisdicional, confinando-o a situações extremas e desconsiderando hipóteses em que a demora — ainda que não caracterize emergência clínica — pode implicar agravamento progressivo, perda funcional ou sofrimento evitável.De modo análogo, a aplicação automática do Enunciado 93 da III Jornada de Direito da Saúde do CNJ incorre em generalização incompatível com a complexidade das demandas sanitárias. Embora reconheça a mora administrativa em hipóteses de espera superior a 180 dias para cirurgias eletivas, tal orientação não possui caráter vinculante e não pode ser convertida em requisito temporal rígido para a concessão de tutela de urgência. A heterogeneidade dos procedimentos, a variabilidade dos quadros clínicos e os distintos impactos da demora impõem uma análise individualizada, sob pena de se instaurar uma indevida padronização da jurisdição.A exigência de fluência desse prazo como condição para o provimento jurisdicional traduz, em verdade, uma espécie de carência judicial atípica, incompatível com o modelo constitucional de acesso à justiça. Mais grave ainda é a expectativa de agravamento do estado de saúde como gatilho para a intervenção estatal, o que desnatura a vocação preventiva do direito à saúde e contraria a lógica da atenção integral preconizada pelo SUS. A prevenção — em suas dimensões primária, secundária e terciária — constitui eixo estruturante da política pública sanitária, sendo irrazoável exigir que o dano se concretize para, só então, legitimar a atuação jurisdicional.Nesse ponto, a doutrina sanitária contemporânea insiste em que a efetividade do direito à saúde não se mede apenas pela disponibilidade formal de serviços, mas pela sua acessibilidade real e tempestiva. A demora injustificada em procedimentos eletivos pode converter situações tratáveis em quadros complexos, com maior custo humano e financeiro, comprometendo tanto a dignidade do paciente quanto a sustentabilidade do sistema.Diante desse panorama, impõe-se uma reorientação da prática decisória, de modo a afastar a dependência acrítica de parâmetros administrativos e a reafirmar a centralidade da análise concreta dos requisitos legais da tutela de urgência. O magistrado, nesse contexto, deve lançar mão de elementos técnicos — prescrições médicas, protocolos clínicos, evidências científicas — sem abdicar de sua função de garantia, avaliando o risco de dano à luz da evolução provável da enfermidade e das consequências da inércia estatal.Em última análise, a jurisdição constitucional em matéria de saúde não pode ser reduzida a um exercício de autocontenção burocrática. Como advertia João Cabral de Melo Neto, “um galo sozinho não tece uma manhã”; é preciso que muitos cantem para que o dia se faça. Também aqui, a efetividade do direito à saúde exige a confluência de esforços institucionais — Administração, sociedade e Judiciário —, mas não admite o silêncio de quem tem o dever de decidir. Quando a racionalidade administrativa se afasta da concretude da vida, cabe ao Judiciário reatar esse vínculo, fazendo da Constituição não uma promessa adiada, mas uma presença operante. Afinal, entre a abstração dos sistemas e a urgência dos corpos, é sempre a dignidade humana que deve prevalecer.*Márcio Florestan Berestinas é promotor de Justiça no Ministério Público do Estado de Mato Grosso.

Fonte: Ministério Público MT – MT



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