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Caravana da Transformação resgata sonhos e planos de quem já não enxergava mais

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Da Redação

 

Uma visão nova e um coração cheio de sonhos e de novos planos. É assim que Olinto de Oliveira Soares Filho sente o frescor dos novos dias, que ele mesmo descreve como “dias de esperança”. Exibe com orgulho a carteira de motorista renovada aos 70 anos, após ter passado pela cirurgia de catarata durante a sexta edição da Caravana da Transformação, realizada entre os dias 25 de abril e 5 de maio, em Porto Alegre do Norte, atendendo pacientes de 12 municípios. 

Ao todo, foram nove anos enxergando muito pouco, somente sombras. Olinto teve que abandonar o grande prazer de sua vida, que era o trabalho como mecânico, profissão que forneceu seu sustento desde jovem. O diagnóstico era a catarata, doença que atinge o cristalino do olho, gerando uma opacidade que pode levar à cegueira, e que atinge principalmente pessoas acima dos 55 anos.

A solução veio quando ele ficou sabendo que a Caravana da Transformação estaria em Porto Alegre do Norte. “Mas primeiro eu não acreditei não. É muito difícil as coisas virem pra cá”, referiu-se ao fato do município estar a 1.140 km de Cuiabá. Distância essa que não foi empecilho para a realização do evento, que atendeu não só a microrregião de saúde de Porto Alegre do Norte, mas também de São Félix do Araguaia.

Com a nova carteira de motorista, Olinto faz planos e relembra uma de suas grandes paixões, que é dirigir. “Agora vou pegar o carro e sumir no mundo. Ir lá para os lados de Ribeirão Preto, minha terra”, planeja o idoso, que também quer voltar ao ofício de mecânico.

Assim como ele, Maria Francisca de Araújo e Silva, alagoana que vive há 53 anos em Mato Grosso, também planeja seu futuro após a cirurgia: voltar a costurar. Não para prover seu sustento, mas porque a atividade é algo que ela gosta de fazer, mas que já não tinha como.

Quando a catarata apareceu, ela não tinha certeza do que estava acontecendo, pensou que era só a necessidade de aumentar o grau do óculos. Entretanto, a dificuldade de encontrar um médico oftalmologista em sua cidade, Confresa, fez com que o tempo passasse e a doença avançasse ao ponto de enxergar apenas vultos.

Com a operação realizada nos dois olhos, os cuidados rigorosos solicitados pelos médicos e o comparecimento nos três atendimentos de pós-operatório, o de 24 horas, de sete dias e finalmente, o de 30 dias, dona Maria Francisca hoje pode dizer que enxerga o mundo com novos olhos. “Eu tiro o óculos e clareia que é uma beleza! Tinha muita gente aqui que estava precisando. Foi Deus que mandou vocês”, emocionou-se.

Tanto dona Maria, quanto Seo Olinto, passaram pelo atendimento pós-operatório de 30 dias, realizado nos dias 25 e 26 de maio. Somente após este último atendimento, os pacientes recebem alta médica e a estrutura da Caravana deixou a cidade rumo ao novo município que receberá a iniciativa, que será Alta Floresta, entre os dias 6 e 16 de junho.

Rede de atendimento da Caravana

Um dos canais de comunicação disponibilizados aos pacientes que já passaram por cirurgias é o 0800 da Caravana, destinado a orientações, dúvidas e registro de intercorrências, como por exemplo, algum desconforto ocular. O número para contato é 0800 770 7011, com atendimento de segunda à sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h. A ligação é gratuita podendo ser realizada de qualquer número de telefone fixo ou celular.

A Caravana também possui uma unidade de atendimento fixa destinada aos pacientes que passaram por cirurgia em qualquer edição do programa, mas que precisam de acompanhamento oftalmológico. Esta unidade funciona no anexo do Hospital Santa Rita, localizado no município de Várzea Grande e disponibiliza profissionais especializados de acordo com a intercorrência registrada pelo paciente. Os atendimentos funcionam às sextas-feiras e são agendados por meio do 0800.

“Vale ressaltar que o Estado leva a Caravana da Transformação aos municípios mato-grossenses, mas após a realização dos atendimentos, todos os pacientes ainda recebem assistência, sendo inclusive, acompanhada de perto qualquer tipo de intercorrência”, explica o coordenador-geral da Caravana e secretário do Gabinete de Governo, José Arlindo de Oliveira.

Balanço

A Caravana da Transformação foi lançada em 2016 e desde então já percorreu os municípios de Barra do Bugres, Peixoto de Azevedo, Canarana, Jaciara, São José dos Quatro Marcos e Porto Alegre do Norte. Desde então, mais de 16 mil cirurgias de catarata, pterígio e yag laser foram realizadas, além de 35 mil consultas oftalmológicas e mais de 135 mil atendimentos de cidadania, entre eles, a confecção de documentos.

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT



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