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Bloco “Agora Q Q Esse” e Escola de Samba Payaguás vencem Carnaval de Cuiabá de 2026

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Com alas e samba-enredo focados nas histórias dos antigos carnavais cuiabanos, entre as décadas de 60 e 70, o bloco “Agora Q Q Esse” conquistou o título de melhor bloco carnavalesco de Cuiabá. No total, oito desfiaram neste fim de semana. O bloco Boca Suja ficou com a segunda colocação e o Luxo Folia em terceiro. Entre as escolas de samba, a Payaguás, levou a melhor e sagrou-se bicampeã. A apuração dos votos dos jurados terminou na noite deste domingo (8.2). O desfile contou com investimento de R$ 2,1 milhões da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT).

Além da verba das duas escolas de samba e sete blocos, os recursos foram usados em infraestrutura e atrações da músicos de renome nacional na Arena Pantanal, como o Tiee, Banda Novo Som, DJ Detona, Rubynho e DJ Gui Antony, e apresentações do Grupo Puro Prazer, Matheuzinho, Jero Neto e Tomé Aí.


Numa homenagem aos principais humoristas do Estado, o bloco “Agora Q Q Esse” levou uma ala inteira de quadros de personagens retratados por Liu Arruda, falecido em 1999, renomado comediante, ator, músico, jornalista e professor cuiabano. Ele é considerado o artista mais completo da história de Mato Grosso. Com mais de 25 anos de carreira, criou cerca de 40 personagens icônicos, como a Comadre Nhara e Ramona. Liu valorizava o sotaque e a cultura cuiabana. O bloco campeão foi puxado pela figura do folclórica do Padeiro português – conhecido nas histórias dos carnavais antigos pelo personagem Zé Pereira, que saía às ruas chamando o povo para brincar o carnaval brasileiro. Outra figura folclórica, do Januário, foi representada pelos passistas conclamando o público para o carnaval com cornetas.

A ala das crianças representava as matinês de outrora. As baianas, por sua vez, fizeram alusão ao tecido popular cuiabano de “chita”. De baixo custo, era conhecido pelas cores vibrantes e estampas florais grandes. Surgido na Índia, conforme a tradição, o tecido foi introduzido no Brasil pelos portugueses. O bloco contou com a ala “Cuiabá de Antigamente”, com rei e rainha, mestre-salas e a turma da “pipoca’. As brasileirinhas também marcaram presença, assim como a alegria ingênua do personagem italiano Pierrot.


As fantasias reproduziam as cores da escola, azul, branco e amarelo. O samba-enredo foi idealizado pela professora de Língua Portuguesa cuiabana, Auréa Santana, mulher do também diretor do bloco, Alair das Neves, e foi elaborado pelo cantor e compositor de sambas-enredo, Gustavinho Oliveira, do Rio de Janeiro (RJ).


Numa disputa com a escola de samba Império de Angola, a Payaguás levou a melhor ao abordar no samba-enredo e figurino das alas o tema a “Rota da Ancestralidade”, que retratou a origem dos pretos no Egito, passando pela África e chegando a Cuiabá. No desfile, as alas seguiam o dispositivo com a pirâmide, símbolo do povo egípcio. A bateria trajava fantasias em alusão à terra preto do Egito.

A escola desfilou com alas em homenagem a personalidades históricas de Cuiabá – Mãe Preta, Maria Taquara e Mãe Bonifácia. Na ala de Maria Taquara, foi acrescentado um chapéu no figurino dos componentes, com um coração de um lado e uma trouxa de roupa de outro, em alusão à ideia de uma mulher que trabalhava de lavadeira de roupas pela manhã, também chamada de “meu bem” à noite, quando saía com os soldados do Exército que a galanteavam.


Nas arquibancadas da Arena Pantanal, a torcida organizada do Mixto Esporte Clube, Boca Suja, compareceu em peso. Apesar da torcida massiva, o bloco ficou na segunda colocação. Neste ano, o bloco, idealizado pelos torcedores mixtenses, Emanuel dos Santos Lobo e Frank Sabiá, antigo funcionário da Câmara Municipal de Cuiabá, completou 30 anos na avenida. “Trouxemos a história dos negros mato-grossenses, do Congo a Vila Bela da Santíssima Trindade, toda a trajetória”, explica o presidente do bloco, Gabriel Augusto de Moraes.


Para ele, o carnaval cuiabano está em ascensão. “Sem dúvida, a cada ano há um crescimento. Vem num processo de profissionalização, de instrumentalização, com o fim do amadorismo. Estamos ainda na busca pela profissionalização dos jurados da capital. Cuiabano também entende muito de carnaval”, defende. O bloco conta com cerca de 750 integrantes. Dos nove jurados do carnaval de Cuiabá deste ano escolhidos mediante edital aberto, três são de Cuiabá e sete do Rio de Janeiro.


O presidente da Liga Independente dos Blocos e Escolas de Samba de Cuiabá, Celso Gonçalo Nazário, destacou a importância do aporte de recursos do Governo de Mato Grosso para a reestruturação dos blocos, e escolas e viabilização da infraestrutura do Carnaval de Cuiabá 2026. “Graças aos apoios que recebemos do Governo de Mato Grosso, conseguimos tirar o carnaval do papel, há três anos, quando fizemos o nosso primeiro desfile como liga, realmente. Ano passado, conseguimos mais uma vitória, que foi levar o carnaval pra Arena Pantanal, onde ganhou visibilidade imensa dentro da cidade. O apoio do Governo do Estado move toda a nossa estrutura”, frisou.


Secretário-adjunto de Cultura, Jan Moura esclareceu que o Governo de Mato Grosso aguardou a regularização da Liga para aplicar os recursos necessários a fim de revitalizar o Carnaval cuiabano. É unânime entre os presidentes de blocos e escolas de samba que o período é de ascensão para o setor. Além dos recursos destinados ao longo dos últimos três anos ao carnaval cuiabano e do interior, a Cultura do Governo de Mato Grosso conta com o maior investimento da história do Estado entre 2019 e 2025, período em que foram destinados R$ 853,5 milhões ao setor, entre editais, estruturação, cursos e gestão de bibliotecas e demais espaços, patrocínios e eventos.

Fonte: Governo MT – MT



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IPTU Sorriso Mais Bela e Florida: um desconto que poderia virar sombra

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Em Sorriso, uma calçada sem árvore às duas da tarde não é apenas uma questão de paisagem. É concreto exposto, calor acumulado e uma caminhada sob o sol. Uma árvore adulta muda essa experiência: cria sombra, reduz a incidência direta da radiação solar, abriga pássaros e, quando floresce, altera a aparência da rua.Por que não usar o IPTU para ajudar a multiplicar essas árvores?A proposta poderia receber um nome simples: IPTU Sorriso Mais Bela e Florida. O proprietário que plantar e conservar, no passeio público em frente ao imóvel, uma árvore de espécie aprovada pelo Município receberia desconto entre 5% e 10% no IPTU. Onde a cobertura arbórea já fosse satisfatória, 5%. Nas áreas intermediárias, 7,5%. Nos bairros mais quentes e menos arborizados, 10%.Essa diferença seria uma política urbana orientada por dados. Imagens de satélite, geoprocessamento, temperatura de superfície e inventário de árvores permitem identificar os trechos onde há menos copa e maior exposição ao sol. O Plano Nacional de Arborização Urbana, instituído em 2026, segue essa lógica ao priorizar locais de baixa cobertura arbórea e maior vulnerabilidade social e climática. Entre suas metas está elevar para 65% a parcela de moradores com pelo menos três árvores no entorno do domicílio até 2045.A ideia não é inédita. São Carlos, em São Paulo, concede 1% de desconto aos imóveis com uma ou mais árvores no passeio público imediatamente à sua frente. Araras prevê abatimento de até 2% para imóveis com árvores adequadas à arborização viária. Em Garça, o benefício pode chegar a 5% para quem mantém vegetação arbórea no passeio diante da residência ou do estabelecimento. Os modelos variam, mas partem da mesma compreensão: o imposto também pode induzir uma conduta que melhora o espaço coletivo.Sorriso já percorreu parte desse caminho. A Lei municipal nº 3.196/2021 criou o IPTU Verde para imóveis residenciais que utilizem energia solar fotovoltaica. O desconto é de 20%, limitado a R$ 1.000 por exercício e por até seis anos. Não seria necessário inventar uma lógica tributária desconhecida pela cidade. Bastaria ampliá-la para algo que está literalmente diante de nossas casas.Os percentuais de 5% a 10% precisariam, naturalmente, ser submetidos à conta fiscal e calibrados conforme a realidade local. Mas o incentivo deve ser perceptível. Uma redução de poucos reais dificilmente convencerá alguém a comprar uma muda de bom porte, preparar o solo, instalar tutor, adubar e irrigar durante a longa estação seca. Para imóveis cujo IPTU seja baixo, o Horto Municipal poderia complementar o estímulo fornecendo muda e tutor, para que os moradores de menor renda não fiquem fora do programa.Há razões de saúde pública para a proposta. A exposição excessiva à radiação ultravioleta é importante fator de risco para o câncer de pele. Uma árvore não substitui protetor solar, chapéu, roupa adequada ou diagnóstico precoce. Mas sua copa retira o corpo do sol direto. Em uma cidade quente, uma sequência de árvores reduz a exposição de quem caminha, pedala, espera transporte ou atravessa o bairro.A arborização também interfere no conforto térmico. As copas interceptam parte da radiação que atingiria calçadas, carros, fachadas e asfalto e, pela evapotranspiração, ajudam a modificar o microclima próximo. Há ainda um efeito que não cabe no termômetro. Uma rua de resedás, ipês, manacás, patas-de-vaca ou escovas-de-garrafa em floração não é visualmente a mesma rua composta apenas de postes, muros e concreto. A beleza altera a relação das pessoas com o lugar onde vivem.O programa, porém, só faria sentido se premiasse árvore viva, não uma fotografia tirada no dia do plantio. O interessado faria um pré-cadastro do imóvel, indicaria o ponto do plantio e escolheria uma espécie autorizada. Depois, registraria a muda com fotografias padronizadas mostrando árvore, fachada e canteiro. Passados seis meses, nova comprovação demonstraria que ela vingou. Somente então surgiria o direito ao desconto no exercício seguinte.Nos anos posteriores, uma fotografia anual vinculada à inscrição imobiliária, somada à fiscalização presencial por amostragem, poderia confirmar a sobrevivência. Se a árvore morresse por causas naturais, seria possível substituí-la em determinado prazo. Fraude ou retirada injustificada cancelariam o benefício. O Município deveria medir não apenas quantas mudas foram plantadas, mas quantas árvores continuam vivas cinco anos depois.Também é preciso impedir uma distorção. A legislação municipal já estabelece obrigações de arborização em determinadas situações, e os projetos de loteamento preveem densidade mínima de uma árvore por lote. O desconto não deve remunerar automaticamente aquilo que já constitui obrigação urbanística. Construções novas, loteamentos, compensações ambientais e outras hipóteses de plantio obrigatório exigiriam regra própria. E ninguém deveria receber incentivo para derrubar uma árvore adulta e substituí-la por uma muda nova.A lista de espécies não deveria ficar engessada na lei. Sorriso já possui regulamentação para arborização dos passeios públicos. A relação poderia ser atualizada segundo largura da calçada, rede elétrica, sistema radicular, porte adulto, dimensão da copa, resistência à seca, biodiversidade e floração. Entre várias árvores adequadas ao mesmo espaço, há uma escolha legítima: por que não preferir as que, além de sombra, deem flores abundantes e cor à cidade?Há ainda uma questão prática: quem cuida da árvore nem sempre é o proprietário. Em muitas casas alugadas, é o inquilino quem abre a torneira, carrega a mangueira e percebe primeiro quando a muda sofre. O IPTU, porém, beneficia diretamente o proprietário.A lei não precisa interferir no contrato de locação. A campanha municipal pode estimular proprietários e locatários a pactuarem o repasse do ganho econômico quando o cuidado ficar a cargo do inquilino, por exemplo, mediante abatimento equivalente no aluguel. O cadastro poderia identificar o morador responsável pela árvore. A sombra diante de uma casa alugada é tão pública quanto a de qualquer outra árvore da rua.A proposta movimentaria também uma pequena economia verde local. Se centenas ou milhares de imóveis tiverem incentivo permanente para plantar e conservar árvores, surgirá demanda previsível por mudas, substratos, tutores, fertilizantes, irrigação, plantio, poda de formação e jardinagem. Viveiros de Sorriso poderão planejar a produção e ampliar a variedade; jardineiros e pequenos prestadores terão um mercado menos dependente de campanhas isoladas. Parte da renúncia tributária circulará novamente na própria cidade, em compras e trabalho.Esse resultado depende de continuidade. Uma distribuição de mudas durante uma semana rende fotografias. Uma política mantida por dez ou vinte anos produz copas.Por isso, o IPTU Sorriso Mais Bela e Florida deveria vir acompanhado de um plano municipal permanente de comunicação sobre arborização. Não uma campanha de lançamento, mas uma estratégia renovada todos os anos. No carnê digital do IPTU, nas escolas, nas redes sociais, nos bairros e nos viveiros, o morador deveria encontrar instruções simples: quais espécies plantar, como obter a muda, como preparar o canteiro, quanto irrigar, quais cuidados tomar perto da rede elétrica e como solicitar o desconto.O Município poderia publicar anualmente um mapa da cobertura arbórea e mostrar onde a cidade ganhou sombra. Em vez de anunciar apenas quantas mudas foram plantadas, poderia informar quantas sobreviveram e quais regiões ainda precisam de prioridade. A comunicação, nesse caso, seria parte da política pública: manter uma árvore jovem durante a seca exige informação repetida ao longo dos anos.A proposta é juridicamente possível, mas precisa nascer com cuidados.O Supremo Tribunal Federal fixou, no Tema 682 da repercussão geral, que não existe, na Constituição Federal, reserva de iniciativa para leis de natureza tributária, inclusive as que concedem renúncia fiscal. Em princípio, portanto, um vereador pode apresentar projeto concedendo desconto de IPTU. Isso não autoriza, porém, uma lei parlamentar a reorganizar secretarias, criar cargos ou determinar minuciosamente o funcionamento da administração. A Lei Orgânica municipal precisa ser observada, sobretudo quanto às matérias reservadas à organização e ao funcionamento do Executivo.O maior cuidado, porém, é fiscal. Desconto de IPTU é renúncia de receita. O art. 150, § 6º, da Constituição exige lei específica para a concessão do benefício. O art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal impõe estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que a renúncia começar e nos dois seguintes, compatibilidade com a LDO e atendimento às condições legais relativas à previsão da renúncia ou à sua compensação. A legislação financeira também exige que essa realidade apareça corretamente no planejamento das receitas municipais.Em abril de 2026, no julgamento da ADI 7.633, o STF reforçou que o art. 14 da LRF e o art. 113 do ADCT devem ser observados durante a própria tramitação de projetos que criem ou ampliem benefícios tributários. O estudo de impacto não é uma conta para depois da aprovação. Faz parte do projeto.A iniciativa pode nascer na Câmara, mas não deve nascer sem números. Antes de fixar definitivamente 5%, 7,5% ou 10%, será preciso estimar o número de imóveis beneficiados, a renúncia de receita em diferentes cenários, a convivência com o IPTU Verde já existente e a capacidade do orçamento municipal de absorver o incentivo. O melhor caminho seria construí-lo em diálogo entre Câmara, Prefeitura e as áreas de Fazenda, Meio Ambiente, Planejamento e Urbanismo.Há uma imagem simples por trás disso. Parte do dinheiro que iria para o caixa municipal permaneceria na própria rua: primeiro como uma muda que alguém rega durante a seca; alguns anos depois, como uma copa que protege quem passa; em determinada época, coberta de flores.Uma árvore não melhora apenas a casa diante da qual foi plantada. Sua sombra alcança o carteiro, a criança que volta da escola, quem caminha para o trabalho e até quem nunca saberá quem pagou por aquela muda.Sorriso cresceu depressa. Pode agora escolher também como quer amadurecer. Uma cidade mais bela, florida e fresca não surgirá de uma única grande obra. Surgirá árvore por árvore, calçada por calçada, ano após ano.Parte dessa cidade futura pode começar no próximo carnê de IPTU — e terminar, alguns anos depois, em sombra e flores sobre a calçada.*Márcio Florestan Berestinas é promotor de Justiça no Ministério Público do Estado de Mato Grosso.

Foto: Prefeitura Municipal.

Fonte: Ministério Público MT – MT



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