Esporte
Seleção inicia nesta quarta sequência de treinos fechados em Sochi
Esporte
Expediente de fechar trabalhos é historicamente raro, mas vem sendo adotado desde o começo da preparação para a Copa
Da Redação
Após realizar nesta terça-feira, 12, um treino aberto ao público, com a presença de cerca de 4 mil pessoas no Estádio Slava Metreveli, em Sochi, a seleção brasileira adotará a partir desta quarta-feira, 13, a rotina de fechar boa parte das atividades, em busca de maior privacidade. A comissão técnica dirigida por Tite programou a realização de dois trabalhos, liberando a presença de profissionais da imprensa por apenas 20 minutos no segundo deles.
O primeiro treinamento do dia está programado para as 9 horas locais (3 horas de Brasília) desta quarta. Já a sessão vespertina começará às 16 horas (10 horas de Brasília), com a imprensa tendo acesso apenas aos 20 minutos iniciais. Depois do treino, então, será realizada entrevista coletiva com o volante Paulinho, do Barcelona.
O expediente de fechar treinos é historicamente raro no Brasil, mas vem sendo adotado desde o início da preparação da seleção para a Copa, na Granja Comary, em Teresópolis (RJ), estratégia que se repetiu em Londres, segunda etapa da preparação da seleção para o torneio. Agora, na Rússia, ela deverá ser, inclusive, amplificada.
De acordo com a programação divulgada pela CBF antes do início dos treinos para a Copa, ainda em Teresópolis, a equipe fechará as outras atividades antes da estreia na Rússia, domingo, 17, em Rostov-on-Don, contra a Suíça. Será assim na quinta-feira, 14, com apenas 20 minutos abertos, na sexta-feira, 15, com a atividade sendo toda “secreta”, e também no sábado, 16, com somente 15 minutos liberados na Arena Rostov.
O goleiro Alisson garantiu que o grupo de jogadores aprova a decisão de Tite de fechar os treinos, não só para não revelar jogadas a eventuais “espiões”, mas por avaliar que a situação deixa os jogadores mais concentrados. A prática, aliás, é comum em clubes da Europa, como é o caso da Roma, defendida pelo goleiro.
“Ambas as situações são válidas. Hoje (terça-feira) foi aberto e também gostamos, pelo carinho do torcedor e por poder retribuir esse apoio. Para a concentração, é importante também, para trabalhar jogadas diferentes. E também pelo nível de concentração”, comentou Alisson, em entrevista coletiva.
Fonte: O Estado de S.Paulo
Foto: Wilton Junior/Estadão
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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