Esporte
Corinthians treina diante de 38 mil torcedores antes de ‘decisão’ com o Flamengo
Esporte
Jair Ventura fez mistério sobre quem atuará ao lado de Douglas na marcação: Ralf e Gabriel disputam a posição
Da Redação
Cerca de 38 mil torcedores compareceram à Arena Corinthians na tarde desta terça-feira para acompanhar o último treino antes do decisivo duelo contra o Flamengo pela semifinal da Copa do Brasil. No trabalho, o técnico Jair Ventura praticamente confirmou o quarteto ofensivo com Clayson, Jadson, Mateus Vital e Romero, mas manteve uma dúvida no meio-campo: Ralf e Gabriel brigam por uma posição.
Parecia final de semana. A partir das 13h, quando os portões foram abertos, a Fiel começou a tomar as imediações do estádio. O público, no entanto, era diferente daquele que acompanha os jogos na nova casa corintiana. O fato de o valor do ingresso ter sido trocado por um quilo de alimento possibilitou que aquele torcedor que anda com as contas mais apertadas pudesse comparecer nem que para isso precisasse garantir uma folga do trabalho nesta tarde.
No setor norte, as organizadas levaram bandeirões e bandeiras e entoaram o canto que já virou tradição em duelos decisivos: “É sangue no olho, é tapa na orelha, é o jogo da vida e o Corinthians não é brincadeira”. Nos microfones da Arena, uma locutora pedia a cada cinco minutos que o torcedor não invadisse o campo ao término do treino para tentar preservar o gramado – no último treino aberto, às vésperas da final contra o Palmeiras, houve invasão.
A entrada do time em campo contou com efeitos de fumaça e uma grande festa, como um grito de gol das arquibancadas. Jair Ventura, no entanto, conforme havia antecipado na entrevista coletiva, evitou dar pistas sobre a escalação da equipe.
Os jogadores saudaram os torcedores e começaram a atividade com um bobinho. Na sequência, o treinador marcou dois setores do campo com fita e realizou um trabalho de toque de bola e marcação.
Jair levou os atletas para o lado das organizadas e realizou um trabalho de cruzamento na área. Cada bola na rede era comemorado. O veterano Danilo foi o mais saudado pelos torcedores. Após mandar um cruzamento para as redes, teve o nome gritado das arquibancadas.
No final, separou de um lado os titulares para cobrar pênalti, enquanto que os reservas fizeram um trabalho em campo reduzido. O quarteto ofensivo era o mesmo do jogo contra o Inter, com Clayson, Jadson, Mateus Vital e Romero. A única dúvida que ele manteve foi no meio-campo. Tanto Ralf, quanto Gabriel, que disputam uma vaga na marcação, cobraram as penalidades. No domingo, Gabriel foi titular porque Ralf estava suspenso no Campeonato Brasileiro.
O Corinthians encara o Flamengo nesta quarta-feira, às 21h45, em casa, e precisa de uma vitória simples para avançar à final da Copa do Brasil. A tendência é que o time entre em campo com: Cássio; Fagner, Henrique, Léo Santos e Danilo Avelar; Ralf (Gabriel) e Douglas; Clayson, Jadson, Mateus Vital e Romero.
Fonte: O Estado de S.Paulo
Foto: Werther Santana/Estadão
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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