AGRONEGÓCIO

Mudanças climáticas intensificam presença de pragas, alerta especialista

O aumento das temperaturas e a irregularidade das chuvas têm intensificado a presença de pragas nas lavouras brasileiras, exigindo dos agricultores novas estratégias de manejo.

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Economia

Foto: Justin Anthony Groves

Segundo Felipe Biazola, gerente de produtos biológicos, esses fenômenos encurtam o ciclo de vida das pragas, aumentando o número de gerações dentro de uma mesma safra e provocando uma expansão geográfica significativa. “Regiões que antes não enfrentavam certos problemas, como a cigarrinha-do-milho, agora precisam lidar com essas ameaças, mesmo em climas mais frios”, alerta Biazola ao Agrolink.

Segundo Biazola, o aumento das temperaturas e a irregularidade das chuvas são os principais responsáveis pela intensificação do problema. “As temperaturas elevadas encurtam o ciclo de vida das pragas, gerando mais gerações por safra e aumentando a população ao longo do ano”, explica. Em condições normais, o frio funciona como uma barreira natural, limitando a proliferação de muitas pragas.

Além disso, a expansão geográfica das pragas é outro fenômeno preocupante: “Regiões que antes não enfrentavam certas pragas agora estão suscetíveis devido ao aumento das médias térmicas”, comenta. Um exemplo citado foi a cigarrinha-do-milho, que, antes restrita a algumas áreas do Brasil, agora se espalha por todo o território, inclusive em regiões mais frias.

A escassez ou excesso de chuvas também interfere na resistência das culturas. “Com o estresse hídrico, as plantas se tornam mais vulneráveis a ataques de pragas, já que precisam dividir seus recursos entre o crescimento e a defesa”, destaca Biazola. Por outro lado, períodos de chuvas excessivas seguidos por estiagens afetam os predadores naturais das pragas, comprometendo o equilíbrio ecológico. “Esse desequilíbrio pode transformar pragas secundárias em problemas primários”, acrescenta.

CIGARRINHA-DO-MILHO E MOSCA-BRANCA

Entre as pragas emergentes, Felipe Biazola ressalta a importância de controlar a cigarrinha-do-milho e a mosca-branca. Ambas, além de causarem danos diretos, são vetores de doenças que impactam significativamente a produtividade. No caso da mosca-branca, a situação é mais complexa devido à sua capacidade de se hospedar em diversas culturas e plantas daninhas, o que facilita sua persistência entre safras.

Questionado sobre as medidas preventivas, Biazola enfatiza a importância do manejo integrado e destaca o papel do controle biológico. “O controle biológico ajuda a manter as populações de pragas em níveis baixos, permitindo que o controle químico seja mais eficiente quando necessário”, esclarece. Ele também menciona a relevância do planejamento fitossanitário, desde a escolha de sementes até o escalonamento das janelas de plantio, para reduzir o impacto das condições adversas.

Felipe explica que a introdução de agentes biológicos no início do ciclo das pragas é uma estratégia eficaz. “Produtos biológicos à base de fungos, por exemplo, têm alta persistência no ambiente, agindo sobre as pragas adultas e inibindo a eclosão de novas gerações”, observa. Essa abordagem não apenas reduz a pressão inicial das pragas, mas também cria um ambiente favorável para o controle químico nos momentos críticos.

PESQUISA E INOVAÇÃO: O FUTURO DO MANEJO AGRÍCOLA

Para Felipe Biazola, a pesquisa é essencial para desenvolver soluções inovadoras diante das mudanças climáticas. “Estamos trabalhando na seleção de cepas de microrganismos mais resistentes a estresses térmicos e hídricos, além de aprimorar as formulações dos produtos para aumentar sua eficácia”, explica. A inovação também se estende à tecnologia de aplicação, com o objetivo de maximizar a exposição das pragas aos produtos biológicos e químicos.

“É fundamental integrar diferentes ferramentas e disciplinas, desde a biotecnologia das culturas até a tecnologia de aplicação, para alcançar um controle eficaz”, ressalta Biazola. A pesquisa, portanto, busca alinhar essas inovações para oferecer soluções mais resilientes e sustentáveis ao setor agropecuário.

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Economia

Consumidores poderão escolher fornecedores de energia a partir de 2027

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quarta-feira (12) o decreto que regulamenta o funcionamento do mercado livre de energia, que permite a venda direta a pequenos e médios consumidores de energia elétrica. Na prática, a medida permitirá aos consumidores escolher de quem comprará sua energia, de forma semelhante à que ocorre com a telefonia.

A medida vale para clientes atendidos em baixa tensão (inferior a 2,3 kV). Para consumidores industriais e comerciais, a regra começa a partir de novembro de 2027. Para os demais clientes, incluindo os residenciais, a escolha poderá ser feita a partir de novembro de 2028. 

As regras não alteram a produção e transmissão de energia, que têm outras regulamentações.

O decreto também estabelece as regras para a migração ao Ambiente de Contratação Livre (ACL) e prevê ainda o Supridor de Última Instância (SUI), que será responsável por garantir o fornecimento de energia caso o fornecedor escolhido pelo consumidor deixe de prestar o serviço. Essa função ficará com as distribuidoras de energia até o final de 2030, quando poderá ser exercida por outros agentes, abrindo ainda mais o mercado.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneell) fará essa regulamentação e é quem terá a responsabilidade de organizar a transição entre os ambientes regulado (atual) e livre. A ela caberá estabelecer as regras sobre informação e proteção ao consumidor. 

Energia Sustentável

Outros três decretos foram assinados no mesmo evento, que regulamentam políticas voltadas ao combustível sustentável de aviação, ao hidrogênio de baixa emissão de carbono e à captura e armazenamento de carbono.

Para a aviação foi criado o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV), com regras para a produção, certificação, comercialização, rastreabilidade e o cumprimento das metas de redução de emissões pelo setor aéreo. A medida estabeleceu um prazo de dez anos, entre 2027 e 2037, para que o setor reduza suas emissões em 10%.

Foram definidas, ainda, as regras para certificação de combustível sustentável de aviação, tanto para importação quanto para produção nacional.

Foram criados também o Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2) e o Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (PHBC), além do Sistema Brasileiro de Certificação de Hidrogênio (SBCH2).

Na prática foram estabelecidas responsabilidades sobre certificação, determinação de regras e estabelecimento de critérios para avaliar o hidrogênio frente a outros combustíveis sustentáveis, permitindo a entrada do Brasil de maneira definitiva neste mercado.

Quanto à regulamentação da captura e armazenamento de carbono, foi estabelecido o marco regulatório para a atividade, decisiva para o avanço da descarbonização da indústria nacional. Também determina que o Ministério das Minas e Energia (MME) lidere a construção de um plano nacional de infraestrutura para orientar a implantação de áreas de captura, transporte e armazenamento geológico de carbono, com revisão a cada dois anos.



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