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Gasto com pessoal supera teto da LRF na Paraíba e Rio Grande do Norte

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A Paraíba e o Rio Grande do Norte ultrapassaram, no primeiro quadrimestre de 2026, o limite estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para despesas com pessoal do Poder Executivo. Os dados constam no Relatório de Gestão Fiscal (RGF) em Foco dos Estados e do Distrito Federal, divulgado nesta sexta-feira (26) pelo Tesouro Nacional.

O limite permitido para o Executivo estadual é que essa despesa chegue a 49% da Receita Corrente Líquida (RCL) ajustada. A Paraíba registrou comprometimento de 49,75%, com o Rio Grande do Norte chegando a 56,12%.

O levantamento avalia o cumprimento dos limites fiscais previstos na LRF, incluindo despesas com pessoal, dívida consolidada líquida e operações de crédito.

Em relação ao Poder Legislativo, cujo limite está em 3% da RCL, apenas Roraima estourou o teto, com gastos de 3,34%.

Principais números

  • Rio Grande do Norte: 56,12% da RCL com pessoal no Executivo;
  • Paraíba: 49,75% da RCL com pessoal no Executivo;
  • Limite do Poder Executivo: 49%;
  • Limite global dos poderes: 60% da RCL;
  • Roraima: 3,34% em despesa do Legislativo, acima do limite de 3%.

Receita Corrente Líquida

Usado como parâmetro pela Lei de Responsabilidade Fiscal, a Receita Corrente Líquida (RCL) é um indicador financeiro que mede o montante líquido arrecadado por governos (União, Estados ou Municípios).

A RCL é obtida pela soma das receitas correntes (tributárias, patrimoniais, de serviços e outras) dos últimos 12 meses, subtraindo os valores repassados a outros entes e as contribuições para a Previdência dos servidores locais.

Dívida preocupa

O relatório também apontou estados com níveis elevados de Dívida Consolidada Líquida (DCL), cujo limite é de duas vezes o valor da Receita Corrente Líquida.

A DCL representa o total das obrigações financeiras de longo prazo de um ente público, subtraindo os ativos financeiros disponíveis, como caixa e investimentos.

O Rio de Janeiro apresentou o maior índice, com 219% da RCL, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 172%, e Minas Gerais, com 157%.

Na outra ponta, Espírito Santo (-55%), Mato Grosso (-20%) e Amapá (-16%) tiveram os menores índices de DCL.

Precatórios e crédito

Os dados do Tesouro Nacional também mostram diferenças entre os estados no comprometimento da receita com precatórios, dívidas dos diversos níveis de governo com sentenças judiciais definitivas.

Os maiores percentuais foram registrados por:

  • Rio Grande do Norte: 36,1% da RCL
  • Rio Grande do Sul: 25%
  • Paraíba: 22%

Os percentuais mais baixos foram registrados no Pará e em Pernambuco, com 0,4%. O Espírito Santo registrou 0,6%.

Nas operações de crédito, os maiores percentuais nos quatro primeiros meses de 2026 foram:

  • Alagoas: 12,03% da RCL
  • Tocantins: 11,69%
  • Piauí: 10,62%

Dados fiscais

O RGF em Foco é elaborado a partir dos relatórios publicados pelos próprios entes no Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi), administrado pelo Tesouro Nacional.

O documento reúne informações sobre a situação fiscal dos estados e do Distrito Federal e busca ampliar a transparência sobre o equilíbrio das contas públicas.



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Jogos do Brasil na Copa provocam altos e baixos no consumo de energia

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Seleção brasileira em campo na Copa do Mundo é praticamente sinônimo de economia de energia. Na última quarta-feira (24), quando Vini Júnior e companhia iniciaram a partida contra a Escócia, no Hard Rock Stadium, em Miami (EUA), o consumo de energia elétrica aqui, no Brasil, despencou.

Às 19h, horário da partida, a demanda era de aproximadamente 90 mil megawatts (MW). Até o fim do primeiro tempo, às 19h53, o consumo caiu 9.058 MW. Essa redução é equivalente à soma das cargas médias dos estados do Rio de Janeiro e do Pará.

As informações constam no painel de monitoramento em tempo real do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

O ONS é o órgão responsável pela coordenação das instalações de geração e transmissão de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN). Cabe ao ONS, por exemplo, determinar o aumento de produção de energia ou a interrupção de geração em momentos de excesso no SIN.

A instituição é formada por representantes de empresas de geração, transmissão, distribuição, sob fiscalização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), órgão regulador do setor.

Padrão Copa

Durante a Copa do Mundo, o ONS montou uma operação especial para acompanhar oscilações de consumo provocadas pela mobilização dos torcedores, de forma a identificar reduções e elevações repentinas.

Com o monitoramento, por exemplo, o órgão identifica as chamadas rampas de carga. Nos três jogos do Brasil na primeira fase, os dados mostraram o padrão de redução vertiginosa do consumo durante as partidas e subidas expressivas no intervalo e ao fim do jogo.

As oscilações começam antes mesmo do jogo. No dia do confronto com a Escócia, o ONS notou que, às 18h25, a carga de consumo estava em 98 mil MW, caindo 7 mil MW até o momento em que a bola rolou. Essa “economia” equivale à carga média de Minas Gerais.

Rampa recorde

Com o fim do primeiro tempo, o consumo dos brasileiros disparou 5,6 mil MW em nove minutos. Isso equivale à soma das cargas médias dos estados de Santa Catarina e Mato Grosso.

De acordo com o ONS, esse foi o maior valor de rampa de elevação de carga em intervalos de jogos do Brasil em relação às últimas três Copas do Mundo.

Com o reinício da disputa, a demanda despencou novamente e atingiu o menor nível (78.236 MW) às 20h59, três minutos antes do fim da partida.

Decretada a classificação da seleção como líder do grupo C da Copa do Mundo, os brasileiros aqui no país fizeram o consumo subir 8.546 MW em aproximadamente 18 minutos. Esse incremento equivale à soma da carga média do Paraná e da Bahia.

Olho em grandes eventos

O ONS assinala que o monitoramento em tempo real evidencia como eventos de grande audiência impactam diretamente o consumo de energia elétrica no país, exigindo planejamento e resposta ágil da operação.

O diretor-geral do órgão, Marcio Rea, ressalta que o ONS tem a missão de coordenar um sistema elétrico de dimensões continentais.

“Da sala de casa às festas de rua, todos estes comportamentos influenciam nossa operação”, diz.

Na próxima segunda-feira, a seleção enfrenta o Japão às 14h, em Houston (EUA).



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