exportações
Carne bovina brasileira registra desaceleração em dezembro, mas 2024 fechou com crescimento sólido
Nos primeiros 10 dias úteis do mês, foram embarcadas 89,33 mil toneladas, o que corresponde a 42,8% do volume exportado em dezembro do ano passado
Economia
Em dezembro de 2024, as exportações de carne bovina in natura do Brasil apresentaram desaceleração em comparação ao mesmo período de 2023. Nos primeiros 10 dias úteis do mês, foram embarcadas 89,33 mil toneladas, o que corresponde a 42,8% do volume exportado em dezembro do ano passado. A média diária de embarques é de 8,93 mil toneladas, registrando uma queda de 14,3% em relação ao ano anterior. Caso o ritmo persista, o total de exportação de dezembro será inferior ao de 2023, marcando a segunda retração mensal de 2024.
Apesar dessa queda pontual, o desempenho acumulado de 2024 segue sendo um dos melhores da história, com 2,34 milhões de toneladas exportadas até novembro, um aumento de 30,4% em relação ao ano passado. Esse resultado reafirma a competitividade do Brasil no mercado global de carne bovina e sua expansão para novos mercados.
O preço médio de venda também apresentou valorização, alcançando US$ 4,90 por kg em dezembro, um aumento de 7,9% em comparação ao mesmo mês de 2023. Essa alta ajuda a compensar a queda nos volumes embarcados e garante bons resultados em receita.
Mesmo com algumas oscilações, as exportações de carne bovina em 2024 demonstram a força do agronegócio brasileiro, que continua a liderar o comércio internacional, oferecendo carne de alta qualidade, preços competitivos e uma logística eficiente, consolidando sua posição como motor da economia nacional.
Economia
CNI mantém projeção de alta de 2% do PIB para este ano
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve em 2% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país) brasileiro para este ano. A estimativa consta no Informe Conjuntural do 2º Trimestre, divulgado nesta quarta-feira (22). 

A entidade prevê que a economia deve continuar avançando em ritmo moderado, impulsionada principalmente pela indústria extrativa, pelo agronegócio e pela resiliência do setor de serviços.
Apesar do cenário positivo para alguns segmentos, a confederação alerta que juros elevados, inflação persistente, custos de produção mais altos e o aumento das importações devem limitar uma recuperação mais robusta da atividade econômica.
Em nota, o diretor de Economia da CNI, Mario Sergio Telles, destacou que o crescimento continuará sustentado pelos setores ligados às commodities e por estímulos à demanda. Segundo ele, a política monetária restritiva e as fragilidades fiscais permanecem como entraves para uma expansão mais acelerada.
Inflação
A CNI também revisou para cima a projeção da inflação para este ano. A expectativa é de que alimentos, combustíveis e a inflação de serviços mantenham pressão sobre os preços ao consumidor.
O cenário fiscal também preocupa a entidade. Embora a arrecadação federal deva crescer, o aumento das despesas públicas deve manter as contas do governo no vermelho, elevando o endividamento do país.
Indicadores:
- PIB: 2%;
- IPCA: de 4,4% para 5%;
- Receita líquida federal: 5,8% acima da inflação;
- Despesas federais: 4,5% acima da inflação;
- Déficit primário em 2026: R$ 55,3 bilhões;
- Dívida pública: 82% do PIB.
Indústria
A CNI revisou para cima a expectativa de crescimento da indústria este ano, impulsionada principalmente pela atividade extrativa, beneficiada pelo aumento da produção de petróleo e menos afetada pelos juros elevados.
Na indústria de transformação, apesar da melhora na projeção, o setor continua pressionado pelo avanço das importações, pelos juros altos e pelo aumento dos custos decorrentes da guerra no Oriente Médio. Apenas sete dos 24 segmentos industriais apresentam crescimento, segundo a entidade.
A construção civil deve ganhar impulso com medidas governamentais voltadas ao crédito habitacional e aos investimentos em infraestrutura.
Projeções:
- PIB industrial: de 1,6% para 2,1%;
- Indústria extrativa: de 7,8% para 9,1%;
- Indústria de transformação: de 0,3% para 0,6%;
- Construção civil: de 1,3% para 1,5%.
Agro
A expectativa de uma nova safra recorde, especialmente de soja, aliada ao crescimento da produção animal, levou a CNI a elevar pela segunda vez consecutiva a projeção para a agropecuária.
Mesmo diante do aumento dos custos de insumos provocado pelo conflito no Oriente Médio, o setor deve apresentar desempenho superior ao previsto anteriormente.
Projeções do agro e serviços:
- Agropecuária: de 1,1% para 1,8%;
- Serviços: de 2,1% para 1,9%.
O setor de serviços continua sendo sustentado pelo mercado de trabalho, pelas vendas do varejo e pelos segmentos de informação e comunicação. No entanto, o aumento da inadimplência das famílias, o maior endividamento e os juros elevados reduziram a expectativa de crescimento.
Juros
Diante da inflação persistente e da piora do cenário fiscal, a CNI reduziu a expectativa de queda da taxa básica de juros.
Agora, a previsão é de apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual ao longo de 2026.
Projeção para a Selic:
- Taxa atual: 14,25% ao ano;
- Fim de 2026: de 12,75% para 13,75% ao ano;
- Juros reais (acima da inflação) estimados: 9,2%
- Juro neutro (que não afeta o PIB) estimado: 5%
Segundo a entidade, caso as projeções se confirmem, a política monetária permanecerá em nível bastante restritivo durante todo o próximo ano.
Cenário externo
No ambiente internacional, a guerra no Oriente Médio continua sendo apontada como o principal fator de risco para a economia brasileira. O conflito elevou os custos de combustíveis, energia e fertilizantes, embora a CNI avalie que essa pressão possa diminuir ao longo do ano diante do aumento esperado da oferta mundial de petróleo.
Outro ponto de atenção é o avanço das importações de bens de consumo, que ocorre em meio à desaceleração da indústria nacional.
Comércio exterior:
- Importações de bens de consumo: 16% no primeiro semestre;
- Importações totais: US$ 306 bilhões (5,2%);
- Exportações: US$ 383,9 bilhões (9,5%);
- Superávit da balança comercial: US$ 77,9 bilhões (30,4%).
A entidade ressalta, porém, que esse cenário poderá ser alterado caso avancem as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, fator que pode afetar o desempenho das exportações ao longo de 2026.
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