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Etanol de milho cresce 50% e leva agroindústria novo patamar

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A produção de etanol de milho deverá superar pela primeira vez a marca de 1 bilhão de litros em Goiás. A estimativa para a safra 2026/27 é de 1,18 bilhão de litros, crescimento de 50,6% em relação aos 782,6 milhões de litros produzidos no ciclo anterior.

Os números constam do segundo levantamento da safra de cana-de-açúcar e biocombustíveis, divulgado em agosto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em apenas uma temporada, a indústria goiana deverá acrescentar cerca de 396 milhões de litros à produção de etanol de milho.

A expansão muda o papel do cereal na economia estadual. Além de abastecer granjas, confinamentos, fábricas de ração e o mercado externo, uma parcela crescente da safra passa a ser processada dentro de Goiás. Com isso, o milho deixa de ser comercializado apenas como matéria-prima e passa a gerar combustível, óleo vegetal e produtos destinados à alimentação animal.

Somadas as produções provenientes da cana-de-açúcar e do milho, Goiás poderá fabricar aproximadamente 5,81 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27. O volume representa crescimento próximo de 9% em relação ao ciclo anterior.

Quase todo esse aumento virá do milho. A produção de etanol de cana deverá avançar apenas 1,7%, de 4,55 bilhões para 4,63 bilhões de litros. A participação do milho no total do biocombustível produzido no Estado deverá subir de aproximadamente 15% para mais de 20% em apenas um ano.

Para o produtor rural, a ampliação da indústria representa a entrada de um comprador capaz de demandar grandes volumes durante todo o ano. O milho pode ser armazenado e processado continuamente, o que reduz a concentração das vendas no período da colheita e cria novas possibilidades de contratos diretamente com as usinas.

A demanda local também reduz parte da dependência das exportações e do transporte do grão por longas distâncias. Em determinadas regiões, o custo do frete até os portos compromete uma parcela importante do preço recebido pelo produtor. A presença de unidades industriais mais próximas pode melhorar a concorrência pela produção e fortalecer os preços regionais.

O avanço ocorre em um Estado que deverá colher perto de 12 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26. Goiás ocupa a terceira posição nacional na produção do cereal, segundo a Conab, e conta com uma oferta suficiente para atender simultaneamente às cadeias de proteína animal, à indústria de biocombustíveis e a outros compradores.

Considerando um rendimento industrial entre 420 e 460 litros por tonelada, a produção projetada de etanol poderá consumir aproximadamente 2,6 milhões a 2,8 milhões de toneladas de milho. O volume corresponderia a mais de um quinto da atual safra estadual, embora o consumo efetivo dependa da tecnologia utilizada pelas usinas e do período de operação das unidades.

A transformação do grão não termina no combustível. O processamento gera grãos secos de destilaria, conhecidos pela sigla em inglês DDGS, um ingrediente rico em proteína utilizado na fabricação de rações. O produto pode substituir parte do milho e do farelo de soja na alimentação de bovinos, aves e suínos.

Essa integração é particularmente importante para Goiás, que possui cadeias consolidadas de produção de carnes e leite. A indústria retira o amido do milho para produzir etanol, mas preserva e concentra nutrientes que retornam ao campo na forma de alimento para os animais.

A produção de etanol de milho no Estado era de 190,8 milhões de litros na safra 2018/19. Com a projeção atual, o volume terá crescido mais de seis vezes em oito safras. O avanço coloca Goiás entre os principais polos nacionais do segmento, ao lado de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

No país, a Conab estima produção recorde de 11,91 bilhões de litros de etanol de milho em 2026/27, alta de 17%. Goiás deverá responder por aproximadamente 10% desse total e crescer em ritmo quase três vezes superior ao da média nacional.

A expansão cria oportunidades, mas também exige atenção do produtor. O aumento da capacidade industrial não garante, sozinho, preços elevados para o cereal. O resultado dependerá da distância entre as fazendas e as usinas, dos custos de transporte, da oferta regional e das condições previstas nos contratos.

Ainda assim, a entrada de uma demanda permanente fortalece o mercado goiano de milho e amplia a agregação de valor dentro do Estado. Em vez de transportar apenas o grão, Goiás passa a vender combustível, óleo e nutrição animal, multiplicando os efeitos da produção agrícola sobre a indústria, os serviços e a geração de renda.

Fonte: Pensar Agro



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Agro define prioridades com foco em dívidas rurais, seguro e crédito

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O endividamento dos produtores, a ampliação do seguro rural e a melhoria das condições de financiamento estão entre as principais prioridades do agronegócio para 2027. Ofos temas foram discutidos nesta semana por representantes do setor produtivo e parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), durante uma série de encontros realizados em cinco Estados. O objetivo é construir uma agenda legislativa capaz de enfrentar as dificuldades financeiras das propriedades, estimular novos investimentos e dar maior previsibilidade à produção agropecuária brasileira.

A mobilização foi encerrada em São Paulo, em encontro com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp). Participaram parlamentares de Mato Grosso, Goiás, Espírito Santo e São Paulo, além de representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). As discussões deverão orientar a atuação da bancada ruralista no Congresso Nacional a partir do próximo ano.

Entre as preocupações apresentadas, o endividamento rural ganhou destaque. A combinação de juros elevados, custos de produção e dificuldades de comercialização tem comprometido a capacidade de pagamento de parte dos agricultores e pecuaristas. Além de pressionar o caixa das propriedades, o problema reduz os recursos disponíveis para aquisição de máquinas, insumos e tecnologias.

A avaliação apresentada durante os encontros é de que as medidas de renegociação de dívidas precisam ser acompanhadas por mudanças estruturais no financiamento agropecuário. A intenção é buscar instrumentos que permitam ao produtor reorganizar seus compromissos financeiros sem comprometer a continuidade das atividades.

Outro ponto considerado estratégico é o fortalecimento do seguro rural. A ampliação da cobertura e a regularidade dos recursos destinados à subvenção das apólices estão entre as demandas do setor. O mecanismo permite que o produtor contrate proteção contra perdas provocadas por eventos climáticos, pagando parte do prêmio com apoio do governo federal.

Para as entidades representativas, a previsibilidade dos recursos é fundamental para que o seguro seja incorporado ao planejamento das safras. A proteção também pode contribuir para reduzir os riscos das operações de crédito, especialmente em regiões sujeitas a estiagens, enchentes e outras adversidades climáticas.

Investimentos e segurança jurídica

A agenda discutida pelos parlamentares também inclui medidas para ampliar a segurança jurídica das atividades agropecuárias e criar condições para novos investimentos. A preocupação envolve a estabilidade das regras que afetam a produção, o acesso ao financiamento e a capacidade de planejamento das propriedades.

O presidente da Faesp, Tirso Meirelles, destacou a importância da atuação parlamentar na construção de políticas de longo prazo.

“Os deputados e senadores da FPA têm um trabalho fundamental para a permanência dos produtores rurais no campo e para a segurança alimentar da população brasileira e de parte do mundo. Por conhecerem bem o setor, estão sempre atentos às questões que podem impactar o dia a dia das propriedades”, afirmou.

A mobilização, denominada Caravana Muda Brasil, começou na terça-feira (20), em Minas Gerais, e passou pelo Maranhão, Pernambuco e Rio Grande do Sul antes de chegar a São Paulo. Os encontros foram coordenados pelo presidente da FPA, deputado federal Pedro Lupion, e pela senadora Tereza Cristina, com participação de integrantes da bancada de diferentes Estados.

Para o setor produtivo, o desafio será transformar as prioridades apresentadas em propostas legislativas e instrumentos efetivos de apoio à atividade rural. As discussões deverão prosseguir no Congresso Nacional em 2027, quando terá início a nova legislatura e serão retomados os debates sobre crédito, gestão de riscos e competitividade da agropecuária brasileira.

Fonte: Pensar Agro



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