Agricultura
Banco Central: crédito rural para pessoas físicas teve inadimplência recorde de 9,7% em agosto
Agricultura
A inadimplência do crédito rural a pessoas físicas alcançou 9,69% do saldo das operações em agosto de 2026, o maior nível da série do Banco Central, iniciada em março de 2011. Em julho, o índice era de 8,79%. Nas operações contratadas a taxas de mercado, o percentual chegou a 17,56%, enquanto nas linhas com taxas reguladas ficou em 3,83%.
O agravamento aparece também na comparação anual. Em agosto de 2025, a inadimplência do conjunto do crédito rural direcionado a pessoas físicas estava em 5,23%. O aumento em doze meses foi de 4,46 pontos percentuais. Em agosto de 2023, o indicador era de 0,95%: em três anos, portanto, a taxa se multiplicou por mais de dez.
O Banco Central considera inadimplente o saldo dos financiamentos com pelo menos uma parcela vencida há mais de 90 dias. O cálculo mede o valor das operações nessa situação em relação ao saldo total da carteira. Assim, os 9,69% expressam a parcela do crédito afetada, e não a proporção de produtores inadimplentes.
Os números abrangem financiamentos com recursos direcionados, vinculados à produção e ao investimento rural. Entre suas fontes estão depósitos à vista, poupança rural e fundos e programas públicos. Dentro desse conjunto, o Banco Central separa os contratos com taxas reguladas dos contratados a taxas de mercado, permitindo observar a diferença entre as duas modalidades.
Nas operações com taxas de mercado, a inadimplência subiu de 15,56% em julho para 17,56% em agosto, avanço de dois pontos percentuais em um mês. Nas linhas reguladas, passou de 3,67% para 3,83%. A distância entre os índices mostra que a média geral reúne carteiras com níveis bastante diferentes de atraso.
Os indicadores registram a evolução dos pagamentos, mas não identificam, isoladamente, as causas dos atrasos. Para explicar o resultado de uma propriedade, é necessário examinar a produção obtida, os preços de venda, os custos assumidos e o calendário das parcelas. A taxa nacional também não permite concluir quantos pequenos, médios ou grandes produtores enfrentam dificuldades.
Para quem prepara o financiamento da safra 2026/27, o ponto central é compatibilizar os compromissos anteriores com as despesas do novo ciclo. A negociação exige uma previsão de caixa que considere o período entre a compra dos insumos, a colheita e o recebimento das vendas.
Na conversa com a instituição financeira, reunir contratos, vencimentos, garantias e uma estimativa de receitas ajuda a dimensionar a necessidade de renegociação. Além do valor da parcela, devem entrar na conta os juros, o prazo total e o custo final do acordo. O novo calendário precisa caber na capacidade de pagamento da atividade.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Resultado das eleições no primeiro turno faz mercado comemorar e dólar recuar 4,12%
A reação favorável dos investidores ao resultado do primeiro turno das eleições derrubou o dólar em 4,12% nesta segunda-feira (05.10), para R$ 5,0022, na maior queda diária em mais de oito anos. Para o agronegócio, o real mais forte abre espaço para reduzir o custo de insumos importados, mas também pressiona a receita das vendas vinculadas à moeda norte-americana.
O movimento refletiu uma melhora nas expectativas do mercado sobre a condução da economia e o controle das contas públicas. Os investidores ampliaram o interesse por ativos brasileiros. Na mesma sessão, o Ibovespa, principal índice da Bolsa, avançou 7,70%, enquanto as taxas de juros futuros recuaram.
Essa combinação indica otimismo entre os participantes do mercado. Quando cresce a procura por investimentos no Brasil, a conversão de recursos estrangeiros para aplicações no país aumenta a demanda por reais e a oferta de dólares. As mudanças de posição dos investidores também afetam as cotações. A baixa da moeda expressa essa revisão de expectativas, cuja continuidade dependerá dos próximos acontecimentos econômicos.
Para a economia brasileira, o dólar menor reduz o valor em reais necessário para pagar importações e obrigações denominadas em moeda estrangeira, quando não há uma taxa previamente fixada. Também ajuda a conter a pressão dos produtos importados sobre a inflação. O repasse aos preços internos depende das condições de cada mercado e ocorre em ritmos diferentes.
No campo, esse efeito tem importância especial nos fertilizantes. O Brasil importa cerca de 85% do volume que utiliza, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A valorização do real reduz o custo da conversão cambial dessas compras, mantidos os preços externos. Máquinas e componentes importados também ficam sujeitos a essa mudança.
O desconto na cotação do dólar, entretanto, não chega automaticamente à tabela da revenda. Estoques comprados com câmbio mais alto, fretes e variações nos preços internacionais dos insumos influenciam o valor entregue na fazenda. A oportunidade precisa aparecer nas propostas dos fornecedores para se transformar em economia para o produtor.
Para quem ainda vai comprar produtos destinados ao milho de segunda safra de 2027, o novo patamar cambial abre uma janela de negociação. Além do preço, entram na comparação o prazo de pagamento, os encargos financeiros e o custo do transporte. Uma oferta menor por tonelada só melhora a conta se as demais condições preservarem a vantagem.
Nas vendas da safra, o efeito ocorre na direção oposta. Produtos como soja, milho, café e açúcar têm preços influenciados pelo mercado internacional. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), a conversão das cotações externas para reais tem papel determinante na formação dos valores domésticos.
Uma venda pelo mesmo preço em moeda estrangeira gera menos reais quando o dólar cai. Isso pressiona a referência de preço usada pelos compradores no Brasil. Cotações internacionais, prêmios de exportação, fretes e demanda local também participam dessa formação e podem compensar ou ampliar o efeito cambial.
Uma simulação mostra as duas faces do movimento: uma compra inteiramente dolarizada que equivalia a R$ 100 mil passaria a custar R$ 95.880 após uma queda cambial de 4,12%, mantidas as demais condições. Uma receita igualmente vinculada ao dólar sofreria redução de mesmo valor. O cálculo ilustra apenas a conversão da moeda, sem prever descontos nos insumos ou baixas nos preços agrícolas.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) , Isan Rezende (foto), a melhora da confiança na economia é um sinal positivo para quem produz. “Quando há mais disposição para investir no Brasil, o agronegócio ganha uma perspectiva mais favorável para planejar, modernizar a propriedade e ampliar sua atividade. O motivo para o otimismo está nessa expectativa de um ambiente econômico mais previsível, que dê segurança ao produtor para assumir compromissos e investir em produtividade”.
“O real mais forte abre uma oportunidade de negociar insumos importados em condições melhores. Para o produtor, isso tem importância porque fertilizantes, máquinas e componentes representam uma parcela relevante dos custos. O ganho precisa aparecer no preço entregue na fazenda, mas o movimento cambial já oferece uma referência para comparar propostas e buscar uma relação de troca mais vantajosa”, diz Rezende.
“O otimismo deve caminhar com planejamento. Como o câmbio também influencia a receita das exportações, é preciso olhar a margem da atividade, considerando as compras realizadas e as vendas da safra. O interesse do setor é que a confiança se transforme em investimento, crédito acessível e estabilidade econômica. São condições que favorecem o campo, geram empregos e beneficiam o país, independentemente das preferências políticas”.
“O maior cuidado está no calendário dos contratos. Quem comprou insumos com valor fixado em reais conserva aquela despesa, mesmo que o dólar recue. Se ainda tem produção sem preço definido, enfrenta uma combinação de custos já assumidos e receitas sujeitas ao novo câmbio. Já obrigações ainda denominadas em moeda estrangeira recebem o efeito da taxa usada no pagamento, conforme as condições contratadas”, alerta o presidente do IA.
“A queda dos juros futuros também sinaliza expectativas de financiamento mais barato adiante, mas não altera imediatamente as taxas dos empréstimos rurais. As condições efetivas dependem da política monetária, das linhas disponíveis e da análise das instituições financeiras”, completa Isan Rezende.
Para o produtor, a referência é a margem da atividade. Conferir os custos já contratados, a parcela da safra vendida e as ofertas atuais ajuda a identificar a exposição ao câmbio. Nas próximas compras, vale acompanhar a relação de troca: quantas sacas de produto serão necessárias para pagar uma tonelada de fertilizante. É essa comparação entre despesas e receitas que mostra se o dólar menor está melhorando o resultado da propriedade.
Fonte: Pensar Agro
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