Mato Grosso
Estado atualiza medidas e proíbe consumo de bebidas alcoólicas nos locais de venda
Mato Grosso
Novo decreto aprimorou as normas restritivas contra a covid-19; prefeitos poderão endurecer medidas conforme o nível de contaminação
O Governo de Mato Grosso atualizou as medidas restritivas para frear a contaminação pela covid-19 no estado. Entre elas, a proibição pelos próximos 15 dias de consumo de bebida alcoólica nos locais de venda, ainda que dentro dos horários permitidos para funcionamento.
O novo decreto que será publicado ainda hoje (25.03), no Diário Oficial, também reativa e aprimora o sistema de classificação de risco, que recomenda as medidas mais adequadas aos municípios, de acordo com o nível de contágio. Em caso de não cumprimento das medidas elencadas na classificação, caberá aos órgãos de controle a adoção das medidas cabíveis.
O sistema de classificação de risco acompanha, analisa e faz a avaliação estratégica sobre a evolução do coronavírus em Mato Grosso, com base nos dados de crescimento da contaminação, na taxa de ocupação das UTIs para a doença na rede pública e também pelo número de casos ativos.
Com esses dados, a classificação aponta para quatro níveis: baixo, moderado, alto e muito alto.
Entre as principais medidas trazidas no decreto estão: o funcionamento das atividades econômicas passa a vigorar das 5h às 20h e toque de recolher a partir das 21h, com exceção de farmácias, imprensa, hospedagem, serviços de guincho, segurança e vigilância privada, serviços de saúde, funerárias, postos de gasolina (exceto conveniências), indústrias, transporte de alimentos e grãos, e serviços de manutenção de atividades essenciais, como água, energia, telefone e coleta de lixo, bem como dos funcionários, prestadores e consumidores das atividades e serviços cujo funcionamento é permitido após as 20h. Também fica autorizado o sistema de delivery até às 23h59.
Outra medida decretada pelo Estado é para evitar as aglomerações dentro dos ônibus. Nesse sentido, em até 48 horas, todos os municípios deverão editar uma norma para escalonar o horário de abertura e fechamento das atividades do comércio, indústria e serviços desenvolvidos no âmbito local, de modo a evitar aglomeração de pessoas nos pontos de ônibus e no interior dos veículos destinados ao transporte coletivo.
Todas essas medidas terão que ser aplicadas em todo o estado, mesmo se a classificação de risco do município indicar normas mais brandas. As restrições terão validade enquanto a taxa estadual de ocupação de UTIs for superior a 85%.
Já as demais restrições serão recomendadas aos municípios com base na tabela de classificação de risco, em sintonia com as normas gerais.
As forças de Segurança irão atuar de forma a impedir qualquer tipo de aglomeração em todas as regiões.
Confira as regras gerais mantidas para todos os 141 municípios enquanto a taxa estadual de ocupação de UTIs for superior a 85%:
– Fica proibido por 15 dias o consumo de bebida alcoólica nos locais de venda, ainda que dentro dos horários permitidos para funcionamento dos estabelecimentos por este Decreto e por normas municipais.
– De segunda à sexta, permissão de todas as atividades econômicas das 5h às 20h. Aos sábados e domingos, a permissão será até o meio-dia. A exceção fica por conta das farmácias, imprensa, hospedagem, serviços de guincho, segurança e vigilância privada, serviços de saúde, funerárias, postos de gasolina (exceto conveniências), indústrias, transporte de alimentos e grãos, e serviços de manutenção de atividades essenciais, como água, energia, telefone e coleta de lixo.
– Supermercados poderão funcionar nos sábados das 5h às 20h. Aos domingos até o meio-dia.
– Restaurantes, inclusive os localizados em shoppings, poderão atender nos sábados e domingos até às 14h.
– Fica autorizado o funcionamento de restaurantes e congêneres nas modalidades take-away e drive-thru somente até às 20h45m.
– Fica proibida a venda de bebida alcoólica nas conveniências, restaurantes, lanchonetes e congêneres localizadas em postos de combustíveis situados em rodovias estaduais e federais no Estado de Mato Grosso fora dos horários definidos.
– Os supermercados, nos horários de funcionamento, devem aplicar sistema de controle de entrada restrito a um membro por família.
– Nos horários permitidos, as atividades econômicas deverão respeitar as medidas de segurança, como o uso de máscara, distanciamento e limitação de 50% da capacidade máxima do local.
– Eventos podem ocorrer dentro do horário permitido, respeitado o limite 30% da capacidade do local.
– Os serviços de entrega por delivery seguem autorizados até às 23h59.
– O transporte coletivo e congêneres (Uber, 99, etc) podem funcionar normalmente.
– Toque de recolher a partir das 21h até às 5h, com proibição de circulação, com exceção dos trabalhadores e consumidores das atividades já listadas.
– Nos órgãos públicos estaduais, fica suspenso o atendimento presencial em todas as secretarias e órgãos do governo, com exceção das unidades finalísticas. Quanto a jornada de trabalho, cada secretaria/autarquia vai disciplinar medidas para redução do fluxo de pessoas.
Confira as medidas de acordo com a classificação de risco:
I – Nível de Risco BAIXO:
a) evitar circulação de pessoas pertencentes ao Grupo de Risco, conforme definição do Ministério da Saúde;
b) isolamento domiciliar de pacientes em situação confirmada de COVID-19, em caráter obrigatório, por prescrição médica, pelos prazos definidos em protocolos;
c) quarentena domiciliar de pacientes sintomáticos em situação de caso suspeito para de COVID-19, e de daqueles que com ele tiveram contato, em caráter obrigatório, por prescrição médica;
d) disponibilizar, em estabelecimentos públicos e privados, locais adequados para lavagem frequente das mãos com água e sabão e/ou disponibilização de álcool na concentração de 70%;
e) ampliar, em estabelecimentos públicos e privados, a frequência diária de limpeza e desinfecção de locais frequentemente tocados, tais como pisos, corrimãos, maçanetas, banheiros, interruptores, janelas, telefones, teclados de computador, controles remotos, máquinas acionadas por toque manual, elevadores e outros;
f) evitar a realização presencial de reuniões de trabalho e priorizar a realização de atividades de forma remota mediante o uso de ferramentas tecnológicas;
g) controlar o acesso de pessoas em estabelecimentos públicos e privados de modo a garantir o distanciamento mínimo de 1,5m entre as pessoas;
h) vedar o acesso a estabelecimentos públicos e privados de funcionários, consumidores e usuários que não estejam utilizando máscara de proteção facial, ainda que artesanal;
i) manter os ambientes arejados por ventilação natural;
j) adotar as recomendações atuais de isolamento domiciliar para os profissionais pertencentes ao Grupo de Risco, conforme definido pelo Ministério;
k) observar as determinações das autoridades sanitárias para a contenção de riscos, especialmente quando a atividade exigir atendimento presencial da população, com a orientação aos funcionários sobre o modo correto de relacionamento com o público no período de emergência em saúde pública;
II – Nível de Risco MODERADO:
a) implementação e/ou manutenção de todas as medidas previstas para o Nível de Risco BAIXO;
b) quarentena domiciliar para pessoas acima de 60 anos e grupos de risco definidos pelas autoridades sanitárias;
III – Nível de Risco ALTO:
a) implementação e/ou manutenção de todas as medidas previstas para os Níveis de Risco BAIXO e MODERADO;
b) proibição de qualquer atividade de lazer ou evento que cause aglomeração;
c) proibição de atendimento presencial em órgãos públicos e concessionárias de serviços públicos, devendo ser disponibilizado canais de atendimento ao público não-presenciais;
d) adoção de medidas preparatórias para a quarentena obrigatória, iniciando com incentivo à quarentena voluntária e outras medidas julgadas adequadas pela autoridade municipal para evitar a circulação e aglomeração de pessoas.
IV – Nível de Risco MUITO ALTO:
a) implementação e/ou manutenção de todas as medidas previstas para os Níveis de Risco BAIXO, MODERADO e ALTO;
b) quarentena coletiva obrigatória no território do Município, por períodos de 10 (dez) dias, prorrogáveis, mediante reavaliação da autoridade competente, podendo, inclusive, haver antecipação de feriados para referido período;
c) suspensão de aulas presenciais em creches, escolas e universidades.
d) controle do perímetro da área de contenção, por barreiras sanitárias, para triagem da entrada e saída de pessoas, ficando autorizada apenas a circulação de pessoas com o objetivo de acessar e exercer atividades essenciais;
e) manutenção do funcionamento apenas dos serviços públicos e atividades essenciais;
§1º Atingida determinada classificação de risco, as medidas de restrição correspondentes devem ser aplicadas por, no mínimo, 10 (dez) dias, ainda que, neste período, ocorra o rebaixamento da classificação do Município.
§2º Os municípios contíguos devem adotar as medidas restritivas idênticas, correspondentes às aplicáveis aquele que tiver classificação de risco mais grave.
§3º Os Municípios poderão adotar medidas mais restritivas do que as contidas neste Decreto, desde que justificadas em dados concretos locais que demonstrem a necessidade de maior rigor para o controle da disseminação do novo coronavírus.
Art. 6º O funcionamento de parques públicos estaduais seguirá as restrições estabelecidas pelos Municípios em que se encontrem e, na ausência de normas a este respeito, poderão ser utilizados, desde que observado o distanciamento mínimo de 1,5m entre as pessoas, ficando vedado o acesso sem o uso de máscara de proteção facial.
Veja a tabela atual de classificação de risco dos municípios:
| Municípios Classificados com menos de 150 casos nos últimos 14 dias*. | Municípios Classificados com mais de 150 casos nos últimos 14 dias*. | |||
| Município de Residência | CLASSIFICAÇÃO RISCO | Município de Residência | CLASSIFICAÇÃO RISCO | |
| Acorizal | ALTO | Alta Floresta | MUITO ALTO | |
| Água Boa | ALTO | Apiacás | MUITO ALTO | |
| Alto Araguaia | ALTO | Aripuanã | MUITO ALTO | |
| Alto Boa Vista | ALTO | Barra do Garças | ALTO | |
| Alto Garças | ALTO | Brasnorte | MUITO ALTO | |
| Alto Paraguai | ALTO | Cáceres | MUITO ALTO | |
| Alto Taquari | ALTO | Campo Novo do Parecis | MUITO ALTO | |
| Araguaiana | ALTO | Campo Verde | MUITO ALTO | |
| Araguainha | MUITO ALTO | Carlinda | MUITO ALTO | |
| Araputanga | ALTO | Cláudia | MUITO ALTO | |
| Arenápolis | ALTO | Colíder | ALTO | |
| Barão de Melgaço | MUITO ALTO | Cuiabá | MUITO ALTO | |
| Barra do Bugres | ALTO | Diamantino | MUITO ALTO | |
| Bom Jesus do Araguaia | ALTO | Guarantã do Norte | MUITO ALTO | |
| Campinápolis | ALTO | Juara | MUITO ALTO | |
| Campos de Júlio | ALTO | Juruena | MUITO ALTO | |
| Canabrava do Norte | MUITO ALTO | Lucas do Rio Verde | MUITO ALTO | |
| Canarana | ALTO | Marcelândia | MUITO ALTO | |
| Castanheira | ALTO | Matupá | MUITO ALTO | |
| Chapada dos Guimarães | ALTO | Mirassol D Oeste | MUITO ALTO | |
| Cocalinho | ALTO | Nova Mutum | MUITO ALTO | |
| Colniza | ALTO | Nova Xavantina | MUITO ALTO | |
| Comodoro | ALTO | Paranatinga | MUITO ALTO | |
| Confresa | ALTO | Peixoto de Azevedo | MUITO ALTO | |
| Conquista D Oeste | ALTO | Poconé | MUITO ALTO | |
| Cotriguaçu | ALTO | Pontes e Lacerda | MUITO ALTO | |
| Curvelândia | ALTO | Primavera do Leste | MUITO ALTO | |
| Denise | ALTO | Rondonópolis | MUITO ALTO | |
| Dom Aquino | ALTO | Sapezal | MUITO ALTO | |
| Feliz Natal | ALTO | Sinop | MUITO ALTO | |
| Figueirópolis D Oeste | ALTO | Sorriso | MUITO ALTO | |
| Gaúcha do Norte | ALTO | Tangará da Serra | ALTO | |
| General Carneiro | ALTO | Tapurah | MUITO ALTO | |
| Glória D Oeste | ALTO | Várzea Grande | MUITO ALTO | |
| Guiratinga | ALTO | Vila Bela da Santíssima Trindade | MUITO ALTO | |
| Indiavaí | ALTO | |||
| Ipiranga do Norte | ALTO | |||
| Itanhangá | MUITO ALTO | |||
| Itaúba | ALTO | |||
| Itiquira | ALTO | |||
| Jaciara | ALTO | |||
| Jangada | MUITO ALTO | |||
| Jauru | ALTO | |||
| Juína | ALTO | |||
| Juscimeira | MUITO ALTO | |||
| Lambari D Oeste | ALTO | |||
| Luciara | ALTO | |||
| Nobres | ALTO | |||
| Nortelândia | ALTO | |||
| Nossa Senhora do Livramento | ALTO | |||
| Nova Bandeirantes | ALTO | |||
| Nova Brasilândia | ALTO | |||
| Nova Canaã do Norte | ALTO | |||
| Nova Guarita | ALTO | |||
| Nova Lacerda | ALTO | |||
| Nova Marilândia | ALTO | |||
| Nova Maringá | ALTO | |||
| Nova Monte Verde | ALTO | |||
| Nova Nazaré | ALTO | |||
| Nova Olímpia | ALTO | |||
| Nova Santa Helena | MUITO ALTO | |||
| Nova Ubiratã | ALTO | |||
| Novo Horizonte do Norte | ALTO | |||
| Novo Mundo | ALTO | |||
| Novo Santo Antônio | ALTO | |||
| Novo São Joaquim | ALTO | |||
| Paranaíta | ALTO | |||
| Pedra Preta | ALTO | |||
| Planalto da Serra | MUITO ALTO | |||
| Pontal do Araguaia | ALTO | |||
| Ponte Branca | ALTO | |||
| Porto Alegre do Norte | ALTO | |||
| Porto dos Gaúchos | ALTO | |||
| Porto Esperidião | ALTO | |||
| Porto Estrela | ALTO | |||
| Poxoréu | ALTO | |||
| Querência | ALTO | |||
| Reserva do Cabaçal | ALTO | |||
| Ribeirão Cascalheira | ALTO | |||
| Ribeirãozinho | MUITO ALTO | |||
| Rio Branco | ALTO | |||
| Rondolândia | ALTO | |||
| Rosário Oeste | ALTO | |||
| Salto do Céu | ALTO | |||
| Santa Carmem | ALTO | |||
| Santa Cruz do Xingu | MUITO ALTO | |||
| Santa Rita do Trivelato | MUITO ALTO | |||
| Santa Terezinha | MUITO ALTO | |||
| Santo Afonso | ALTO | |||
| Santo Antônio do Leste | MUITO ALTO | |||
| Santo Antônio do Leverger | ALTO | |||
| São Félix do Araguaia | ALTO | |||
| São José do Povo | MUITO ALTO | |||
| São José do Rio Claro | ALTO | |||
| São José do Xingu | MUITO ALTO | |||
| São José dos Quatro Marcos | ALTO | |||
| São Pedro da Cipa | MUITO ALTO | |||
| Serra Nova Dourada | ALTO | |||
| Tabaporã | ALTO | |||
| Terra Nova do Norte | ALTO | |||
| Tesouro | ALTO | |||
| Torixoréu | MUITO ALTO | |||
| União do Sul | MUITO ALTO | |||
| Vale de São Domingos | ALTO | |||
| Vera | ALTO | |||
| Vila Rica | ALTO | |||
Mato Grosso
TJ anula votação secreta e manda AL reanalisar veto a reajuste de 6,8%
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) anulou a votação secreta realizada pela Assembleia Legislativa (ALMT) que manteve o veto do Governo do Estado ao projeto que prevê reajuste salarial de 6,8% para os servidores do Poder Judiciário. Com a decisão, os deputados terão de analisar novamente o veto, desta vez em uma votação aberta e nominal.
A decisão foi tomada pela Turma de Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Público e Coletivo do TJMT após recurso apresentado pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat), que questionou a validade da votação realizada em dezembro de 2025.
O relator do processo, desembargador Márcio Vidal, destacou que o próprio Judiciário já havia reconhecido a inconstitucionalidade de dispositivos que permitiam o sigilo na apreciação de vetos. Para ele, não seria coerente manter uma votação baseada justamente em uma regra considerada inconstitucional.
“Não seria juridicamente coerente declarar inconstitucional a norma que autorizou o sigilo e, simultaneamente, preservar a votação realizada com fundamento direto nessa mesma disposição”, afirmou o magistrado.
A decisão, entretanto, não determina que o reajuste seja aprovado. O TJMT deixou claro que cabe à Assembleia decidir novamente se mantém ou derruba o veto do Executivo, apenas exigindo que o procedimento siga as regras constitucionais.
“Preserva-se a liberdade política da Assembleia Legislativa para deliberar acerca da manutenção ou da rejeição do veto governamental, sem que o Poder Judiciário interfira no conteúdo da decisão parlamentar”, destacou Vidal.
Na votação anulada, realizada em dezembro do ano passado, 12 deputados votaram pela manutenção do veto e 10 pela derrubada. Como a sessão ocorreu de forma secreta, não foi possível identificar como cada parlamentar se posicionou. Para derrubar o veto, eram necessários 13 votos.
O projeto havia sido aprovado anteriormente pela Assembleia e previa reajuste de 6,8% para os servidores do Judiciário. O então governador Mauro Mendes vetou integralmente a proposta, alegando que o aumento poderia provocar impacto nas contas públicas e gerar um efeito cascata sobre outras carreiras do funcionalismo.
Com a decisão do TJMT, a Assembleia deverá incluir novamente o veto na pauta e realizar uma votação pública, com registro nominal dos votos. O julgamento, portanto, não garante o reajuste aos servidores, mas reabre a discussão sobre a proposta e elimina o sigilo que marcou a primeira análise do veto.
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