Mato Grosso
Falso médico é preso após extorquir vítima em Barra do Garças
Mato Grosso
Da Redação
Um homem que se passou por médico para extorquir dinheiro de uma vítima foi preso em flagrante pela Polícia Civil de Barra do Garças (a 509 km a leste de Cuiabá).
O suspeito, de 20 anos, alegou ser médico e afirmou que a mulher teria que lhe pagar R$ 5 mil para transferir seu filho que estava internado com Covid-19. No entanto, o filho da vítima havia falecido no dia anterior.
As investigações iniciaram assim que a mulher procurou a delegacia, após perder seu filho no último domingo (21). Ela contou que na segunda (22) recebeu uma mensagem por meio do aplicativo Whatsapp, em que a pessoa se apresentou como médico no Pronto Socorro da cidade.
Ela foi informada pelo suposto médico que o estado de saúde do filho teria se agravado e que, como medida de urgência, o paciente teria que ser transferido para outro hospital.
Em continuidade a conversa, o suspeito disse para a vítima que para a realização da transferência, teriam já contratado o seguro de um plano de saúde, razão pela qual a vítima deveria realizar o pagamento da taxa no valor de R$ 5 mil, a serem depositados em duas contas bancárias informadas.
Como tinha acabado de sepultar o filho, a vítima procurou a unidade da Polícia Civil para denunciar o golpe. Ela registrou a ocorrência e apresentou os prints das conversas realizadas.
Durante a investigação para apurar os fatos, foi identificado os nomes e os endereços dos titulares das contas bancárias para onde deveria ser transferido o dinheiro, ambos no Bairro João Rocha, município de Pontal do Araguaia.
Em seguida, os policiais civis foram até a casa dos suspeitos, sendo um deles localizado e encaminhado até a delegacia. O conduzido foi interrogado e autuado em flagrante por tentativa de estelionato. Após a confecção dos autos foi representado pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva.
As diligências investigativas continuam para com objetivo de localizar o segundo suspeito envolvido na tentativa de golpe.
Mato Grosso
Após 19 anos, júri condena réu que matou trabalhador por engano
Nesta segunda-feira (24), o Tribunal do Júri de Várzea Grande julgou um homicídio ocorrido em 9 de maio de 2007. Quase duas décadas depois, Antônio Wilson Ribeiro foi condenado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver, à pena de 13 anos de reclusão.
O caso teve origem em um episódio anterior. Anos antes, uma clínica odontológica havia sido alvo de um crime, ocasião em que uma funcionária chegou a ser feita refém. Tempos depois, William Batista Luz, paciente do estabelecimento, foi confundido com o autor daquela ocorrência.
Em 9 de maio de 2007, William retornou à clínica para dar continuidade ao tratamento odontológico. A suspeita de que ele seria o antigo criminoso desencadeou uma sequência de acontecimentos que terminou em sua morte.
Segundo a denúncia do Ministério Público, William foi algemado e retirado da clínica por um grupo de homens. A partir daquele momento, nunca mais foi visto.
Seu corpo jamais foi localizado.
A investigação, contudo, reuniu uma cadeia de evidências sobre a dinâmica dos fatos e a participação do acusado. Foram apresentados ao Conselho de Sentença depoimentos de testemunhas presenciais, elementos sobre os vínculos entre os envolvidos, dados relativos à presença do réu no contexto do crime e informações relacionadas ao veículo utilizado na retirada da vítima.
A inexistência do cadáver não impediu o reconhecimento da materialidade. O desaparecimento definitivo, as circunstâncias em que William foi visto pela última vez e o conjunto probatório permitiram a reconstrução do homicídio. A morte da vítima também foi reconhecida judicialmente como presumida, com a correspondente emissão de certidão de óbito.
Ao final do julgamento, os jurados acolheram a tese do Ministério Público e reconheceram a responsabilidade de Antônio Wilson Ribeiro pelo homicídio qualificado e pela ocultação do cadáver.
O caso também evidencia um ponto essencial: justiçamento não é Justiça. Ninguém pode investigar, julgar, condenar e executar uma pessoa por conta própria. O monopólio legítimo da aplicação da lei pertence ao Estado, justamente para impedir que a vingança privada substitua o devido processo legal.
Dezenove anos depois, mesmo sem a localização do corpo de William, o Tribunal do Júri apresentou sua resposta.
É possível esconder um cadáver. A verdade dos fatos e a resposta da Justiça, não.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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