Mato Grosso
O que Flordelis, Padre Robson e João de Deus têm em comum?
Mato Grosso
Da Redação
Não, caro/a leitor/a, nem todos/as os/as religiosos/as são iguais e, inclusive, nós já compartilhamos nesta coluna inúmeras iniciativas de religiosas e religiosos que lutam por uma sociedade mais amorosa, harmoniosa e feliz.
Vivemos dias tristes. E o Brasil vem atravessando um longo período de retrocessos, avanços dos fundamentalismos e violações de direitos. Brasileiros/as estão com ânimos exaltados, tanto nas redes sociais, como fora delas, e por conta – também – disso. esses espaços estão repletos de generalizações carregadas de desprezo e ódio.
Generalizar é sempre um mecanismo injusto e reducionista porque nos nivela por baixo, com o que há de pior e mais repugnante nas comunidades de fé. Generalizações doem.
Quantas pessoas religiosas que vocês conhecem e que são justas, corretas e de boa índole? Aposto que são muito mais do que esses falsos profetas, mercadores da fé, que tomam os noticiários.
Todas as pessoas – religiosas ou não – com o mínimo de ética, se chocam com esse uso da fé e da religião para enganar e cometer ilícitos. Mas o que a pastora, o médium e o padre têm em comum?
Em comum: os crimes envolvendo religião, poder, dinheiro, sexo, corrupção e crueldade, muita crueldade. O problema não está em ser religioso/a, mas em ser mau-caráter e usar a fé para extorquir, violentar, matar, oprimir e roubar.
Esses indivíduos, segundo as próprias vítimas, são portadores de um egocentrismo exacerbado, que leva a uma desconsideração em relação aos sentimentos e opiniões dos outros. Geralmente não têm apego aos valores morais (embora vivam deles) e são capazes de simular sentimentos para conseguir manipular os outros.
volvendo religião, poder, dinheiro, sexo, corrupção e crueldade, muita crueldade. O problema não está em ser religioso/a, mas em ser mau-caráter e usar a fé para extorquir, violentar, matar, oprimir e roubar.
Está sendo assim com o padre Robson e com a pastora Flor delis e assim também foi com o médium João Teixeira de Faria, popularmente conhecido como João de “deus”. Quando vieram à tona seus crimes, parte do movimento espírita disse que ele não era espírita. João Teixeira de Faria escancara o que muitos de nós vínhamos a denunciar: a idolatria, a gurutização e a fé irracional que alguns adeptos do espiritismo têm praticado.
As revelações – muitas feitas pelos/as próprios/as filhos/as adotivos/as – sobre a pastora e deputada federal Flordelis no assassinato de seu marido trouxeram à tona outros crimes, e logo surgiram memes, “análises” e piadas comparando com outra histórias. noticiada na mesma semana -, a do Padre Robson.
O padre Robson de Oliveira, investigado por suspeita de desvio de 120 milhões de reais de doações dos fiéis, é o idealizador da construção da Basílica do Divino Pai Eterno, em Trindade, GO, que foi o que foi orçada em 1,4 bilhão. Só o sino, importado da Polônia, custou 6 milhões de reais.
A obra começou em 2012, mas ainda não saiu dos alicerces. Tal obra é administrada pela AFIPE (Associação dos Filhos do Divino Pai Eterno) cujo presidente é o padre. Outras três AFIPEs foram criadas, e a suspeita do Ministério Público é de que existe um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito uma vez que as associações compraram inúmeros imóveis, dentre os quais uma fazenda de 100 milhões de reais, avião, casa em condomínio fechado, casa na praia, etc.
Quatro crimes estão sendo investigados: apropriação indébita, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e organização criminosa.
Além disso, sua incapacidade de controlar as emoções negativas e seus impulsos tornam muito difícil estabelecer um relacionamento estável. Vocês imaginaram o que estaria acontecendo se Flordelis, Robson ou João fossem de religiões de matriz africana em um país racista e intolerante como o nosso? Todas as ações criminosas, todas as violações de direitos humanos e todo mau uso da religião devem ser combatidos com veemência.
Em especial as cometidas nos espaços sagrados, usando da fé, da fragilidade espiritual, da confiança e da posição social para oprimir, silenciar, violentar, humilhar, excluir, estigmatizar e matar. “É hora de parar”, segundo a amiga e pastora Lusmarina Campos, que ainda acrescenta: “As igrejas cristãs precisam fazer uma autocrítica profunda se quiserem sarar; precisa se repensar a partir de um diálogo franco e aberto com as mulheres, com a comunidade lgbtqi, com pessoas especiais, com negras e negros, com indígenas.
O que precisamos é de um cristianismo libertário, que tome como modelo a figura do Jesus profético e que não se deixe moldar pelo capitalismo financista, mas sim pela solidariedade e pelo compromisso com a construção de uma sociedade e uma humanidade mais justa, igualitária, acolhedora das diferenças e pacífica.”
Mato Grosso
Wanderley nega manobra e diz que eleição pode ocorrer até dezembro
O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), negou que esteja tentando adiar deliberadamente a eleição da Mesa Diretora para o biênio 2027/2028. Segundo ele, o Legislativo ainda está dentro do prazo previsto para realizar a votação, que pode ocorrer até 31 de dezembro.
A declaração ocorre em meio à pressão de um grupo de vereadores ligado à prefeita Flávia Moretti (PL), que cobra a convocação de uma nova eleição e acusa Wanderley de postergar o processo por não contar com votos suficientes para garantir a permanência na presidência.
“Eu não estou me recusando em nada, eu não tenho nenhuma ordem judicial, então eu não estou recusando nada”, afirmou o presidente.
Wanderley ressaltou que cumprirá eventual determinação da Justiça, mas defendeu que, enquanto não houver uma ordem nesse sentido, a Câmara pode seguir o calendário que considera previsto nas normas vigentes.
“Se a lei determinar que eu tenho que fazer, não tem problema nenhum. Enquanto a lei não determinar, nós estamos dentro do prazo. Porque tem até 31 de dezembro para fazer eleição”, declarou.
O presidente também destacou que o mandato da próxima Mesa Diretora começa em 1º de janeiro de 2027.
“E eu não tô [negando], tem presidente, e o próximo presidente assume a partir de 1º de janeiro de 2027. Nós estamos dentro do marco temporal, que é outubro a 31 de dezembro”, acrescentou.
A eleição anterior da Mesa Diretora, realizada em maio, reconduziu Wanderley ao comando da Câmara para o próximo biênio, mas acabou anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou irregular a antecipação da votação.
Após a anulação, vereadores contrários ao presidente passaram a cobrar a realização de um novo pleito. O grupo apresentou à Justiça um pedido para obrigar Wanderley a convocar a votação em até 24 horas. A iniciativa recebeu apoio de 15 dos 23 parlamentares da Casa.
No início de outubro, o juiz Carlos Roberto Barros de Campos, da 3ª Vara Especializada da Fazenda Pública de Várzea Grande, determinou que o presidente prestasse esclarecimentos antes de decidir sobre o pedido de urgência. Na ocasião, o magistrado não concedeu nem negou a liminar.
Wanderley afirma que não existe, até o momento, determinação judicial obrigando a convocação imediata da eleição. A disputa sobre o calendário do pleito segue em análise, enquanto os vereadores aguardam uma definição sobre os próximos passos.
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