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Mesmo após intimidação de testemunha, Marin tenta barrar proteção a júri

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Julgamento de cartola começa no dia 6 de novembro nos EUA

Da Redação

 

O ex-presidente da CBF José Maria Marin tenta barrar um pedido de procuradores americanos para proteger membros do júri que o julgarão a partir de novembro. No mês passado, os procuradores federais solicitaram à juíza da corte do Brooklin, Pamela Chen, que os nomes dos membros convocados sejam mantidos em anonimato para evitar que sejam intimidados.

Para os procuradores, o júri deve ser anônimo depois que foram identificadas “tentativas de obstruir a Justiça e intimidar testemunhas”. Pela lei americana, esse anonimato deve ser garantido por uma decisão da Justiça, considerando que existiria o risco de que fossem alvos de pressão popular, da imprensa ou dos envolvidos. Na avaliação do Departamento de Justiça, a cobertura midiática, além dos “interesses econômicos, penais e econômicos em jogo, resultaram em tentativas de obstruir a Justiça e impedir informação chegar ao governo e ao público”. 

Outro pedido é de que o júri seja “parcialmente sequestrado”, termo utilizado para designar a necessidade de que seus membros não apenas não tenham os nomes revelados, mas que se reúnam de forma isolada. Enquanto estiverem julgando Marin, teriam um contato limitado com o mundo exterior e até comida teria de ser trazida ao grupo durante as deliberações.

Marin, que cumpre prisão domiciliar nos EUA, será julgado a partir de 6 de novembro por corrupção e lavagem de dinheiro. Ele foi preso em maio de 2015, em Zurique, e extraditado aos EUA. Dos mais de 40 indiciados, ele foi um dos três dirigentes de futebol envolvidos no escândalo a se recusar a admitir culpa e não assinar qualquer acordo com a Justiça americana.

Quem contesta tal posição alega que o “sequestro” do juri pode criar uma impressão de que o acusado é perigoso e violento, o que não seria o caso de Marin. Existem também estudos que apontariam que tal atitude criaria uma pré-disposição do juri para condenar o acusado. Entre os diversos acusados, há ainda quem argumente que o excesso de publicidade que os procuradores alertam foi criado pelo próprio Departamento de Justiça ao promover o caso.

Na sexta-feira, numa carta à juíza federal, os advogados de Marin pediram que não fosse dado o status para os membros do júri. Para defender sua posição, o brasileiro argumenta que tal medida precisaria ser avaliada diante do risco potencial de que os membros do júri tenham certos preconceitos em relação ao tema e à situação. Segundo seus advogados, a cobertura ampla na imprensa de seu julgamento e a possibilidade de intimidação não são argumentos suficientes para justificar tal medida. 

Marin é acusado de ter recebido propinas para conceder contratos da CBF para a Copa do Brasil, Copa América e Copa Libertadores. Marco Polo Del Nero, ex-braço direito de Marin e hoje presidente da CBF, também foi indiciado por corrupção. Por isso, não deixa o Brasil temendo ser preso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: O Estado de S.Paulo

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Quando perder músculo também ameaça o cérebro

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Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.

Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.

Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.

Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.

O que a ciência mostra :

 

Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.

Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.

Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.

Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.

Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?

 

Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.

Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.

O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.

Por que o músculo influencia a saúde cerebral?

A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.

A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.

Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.

Como enfrentar cientificamente esse problema ?

 

O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.

O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.

A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.

Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.

Envelhecer bem ,exige preservar força

A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.

Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.

Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.

 

Saúde não é sorte. É rotina.

Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308
Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.

Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.



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