Mato Grosso

Sefaz intensifica fiscalização em estabelecimentos de MT que não emitem nota fiscal; operação amplia interiorização das ações

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Mato Grosso

Da Redação

A Secretaria Adjunta da Receita Pública (Sarp), Secretaria de Fazenda, já iniciou o planejamento das próximas fases da Operação Contingência, que devem alcançar estabelecimentos de diversas regiões do Estado, ampliando o processo de interiorização da fiscalização.

A razão para isso é que a Sefaz-MT vem recebendo grande volume de reclamações por emissão de notas fiscais em contingência, que não se convertem em cupons para concorrer aos sorteios do Programa Nota MT. A secretaria alerta os contribuintes do comércio varejista do Estado para que não usem dessa prática sob pena de punição tributaria.

Dados preliminares apontam que o volume de tributos sonegados por meio dessa prática tem alcançado níveis semelhantes aos observados em Cuiabá e Várzea Grande e na região metropolitana. A SARP informa que a investigação relacionada à Operação Contingência foi deflagrada pelo grande volume de denúncias realizadas pelos consumidores. Porém, o trabalho de apuração foi rapidamente expandido para toda a base de contribuintes, por meio de cruzamentos eletrônico de dados.

Isso tem possibilitado a identificação de grande número de contribuintes que sequer foram alvo de reclamações. Além disso, tem ficado evidente que a fraude não se restringe ao segmento de supermercados. Por isso, as próximas fases da Operação Contingência deverão alcançar contribuintes de diversos outros segmentos do comércio varejista.

A Superintendência de Controle e Monitoramento (Sucom), da Sarp, que vem coordenando a Operação, orienta ainda os comerciantes que busquem a autorregularização, antes mesmo da ação do Fisco. Para isso, basta que realizem a imediata transmissão para a Sefaz-MT, dos arquivos de NFC-e emitidas em contingência que, por qualquer motivo, ainda não tenham sido autorizados. É fundamental que isso seja realizado antes de notificação e início de ação fiscal, a fim de garantir a espontaneidade.

Denúncias ao Nota MT

A coordenação do Programa Nota MT destaca que a participação dos consumidores, exigindo a emissão da nota fiscal a cada compra e denunciando os estabelecimentos que se recusam a emitir ou incluir o CPF no documento, tem sido peça chave no sucesso do Programa. Todas as denúncias, inclusive as do interior do Estado, são tratadas e acompanhadas pela Sucom. Os estabelecimentos alvo das reclamações são notificados mensalmente e, no caso de reincidência, são encaminhados para inclusão do planejamento de fiscalização.

O consumidor pode realizar suas denúncias por meio do próprio aplicativo do Nota MT. Inclusive, quando uma nota fiscal recebida não for convertida em cupom do Programa para sorteio, poderá enviar foto desse documento. Além disso, com a câmera do celular é possível realizar a leitura do QR Code e consulta do documento no site da Sefaz. Ainda que tenha sido emitida em contingência, esse procedimento gera insumos valiosos para o trabalho dos auditores. Isso auxilia o processo de investigação das irregularidades e a tomada de ações pela Sefaz.

Primeira fase

A Secretaria de Estado da Fazenda de Mato Grosso deflagrou na terça-feira (1°.12), a primeira fase da Operação Contingência I. Foram alvos nesta primeira fase estabelecimentos de redes de supermercados estabelecidas em Cuiabá e Várzea Grande.

A Operação Contingência I é resultado das investigações realizadas pelas unidades de inteligência e fiscalização da Secretaria Adjunta da Receita Pública e tiveram início partir da análise das reclamações apresentadas pelos cidadãos por meio do aplicativo móvel do Programa Nota MT.

Essa não é a primeira ação fiscal que a Sefaz-MT realiza com base em reclamações realizadas por consumidores através do Programa Nota MT. Em dezembro de 2019, a Superintendência de Fiscalização deflagrou Operação Máquina Fantasma, que tinha como alvo 300 estabelecimentos alvos de denúncias por não emissão de documentos fiscais. Os resultados foram extremamente positivos, com incremento no montante de tributos recolhidos e redução das reclamações.

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Mato Grosso

TJ anula votação secreta e manda AL reanalisar veto a reajuste de 6,8%

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O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) anulou a votação secreta realizada pela Assembleia Legislativa (ALMT) que manteve o veto do Governo do Estado ao projeto que prevê reajuste salarial de 6,8% para os servidores do Poder Judiciário. Com a decisão, os deputados terão de analisar novamente o veto, desta vez em uma votação aberta e nominal.

A decisão foi tomada pela Turma de Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Público e Coletivo do TJMT após recurso apresentado pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat), que questionou a validade da votação realizada em dezembro de 2025.

O relator do processo, desembargador Márcio Vidal, destacou que o próprio Judiciário já havia reconhecido a inconstitucionalidade de dispositivos que permitiam o sigilo na apreciação de vetos. Para ele, não seria coerente manter uma votação baseada justamente em uma regra considerada inconstitucional.

“Não seria juridicamente coerente declarar inconstitucional a norma que autorizou o sigilo e, simultaneamente, preservar a votação realizada com fundamento direto nessa mesma disposição”, afirmou o magistrado.

A decisão, entretanto, não determina que o reajuste seja aprovado. O TJMT deixou claro que cabe à Assembleia decidir novamente se mantém ou derruba o veto do Executivo, apenas exigindo que o procedimento siga as regras constitucionais.

“Preserva-se a liberdade política da Assembleia Legislativa para deliberar acerca da manutenção ou da rejeição do veto governamental, sem que o Poder Judiciário interfira no conteúdo da decisão parlamentar”, destacou Vidal.

Na votação anulada, realizada em dezembro do ano passado, 12 deputados votaram pela manutenção do veto e 10 pela derrubada. Como a sessão ocorreu de forma secreta, não foi possível identificar como cada parlamentar se posicionou. Para derrubar o veto, eram necessários 13 votos.

O projeto havia sido aprovado anteriormente pela Assembleia e previa reajuste de 6,8% para os servidores do Judiciário. O então governador Mauro Mendes vetou integralmente a proposta, alegando que o aumento poderia provocar impacto nas contas públicas e gerar um efeito cascata sobre outras carreiras do funcionalismo.

Com a decisão do TJMT, a Assembleia deverá incluir novamente o veto na pauta e realizar uma votação pública, com registro nominal dos votos. O julgamento, portanto, não garante o reajuste aos servidores, mas reabre a discussão sobre a proposta e elimina o sigilo que marcou a primeira análise do veto.



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