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‘Vai ser inevitável sair alguém no Corinthians’, diz Carille

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Técnico fala sobre bom momento da equipe no Campeonato Brasileiro, situação do São Paulo e projeta saídas de jogadores no fim da temporada

Da Redação

 

O técnico Fábio Carille, do Corinthians, visitou a redação do Estado nesta terça-feira e concedeu uma entrevista exclusiva. O treinador falou sobre o momento da equipe, sua ascensão profissional, quem ele vê na briga pelo título, como vê a situação do São Paulo e disse que deve perder jogadores no fim da temporada. Confira os principais pontos da entrevista. 

Queda de rendimento

Foram três jogos no returno e me dois não fomos bem, contra Chapecoense e Vitória. Diante do Atlético-GO, gostei do jogo, mas  ficamos triste pelo resultado. Criamos oportunidade e faltou tranquilidade. O torcedor pode ficar tranquilo que logo a gente  retoma o caminho das vitórias.

Mudança para o segundo turno

A nossa ideia de jogo é bem definida. Segundo turno, em todos os anos, é sempre mais difícil, porque as equipes começam a ter  objetivos e o campeonato afunila. Vamos continuar trabalhando em cima da nossa ideia. 

Paradas no Brasileiro são boas ou ruins?

A nossa preocupação nesses momentos é com a intensidade das partidas e isso a gente manteve. Contra o Vitória, a gente lutou  e procuramos controlar a semana em relação a intensidade. A gente ficou satisfeito. Na primeira parada, nem quis pegar jogo-treino, mas nessa a gente pegou (quinta-feira, vai enfrentar o Atibaia) para dar ritmo de jogo. Cada comissão pensa de uma  forma diferente. 

Já se acostumou com a ideia de ser técnico do Corinthians

Mudou tudo minha vida. Mudou mesmo. Desde o dia 22 de dezembro. Já não foi fácil sair para shopping, aí veio vitórias nos  clássicos contra Palmeiras e Santos, título do Paulista e o primeiro turno do Brasileiro. Estou me acostumando com tudo isso.  Tem algumas coisas que estou me assustando. Agora vou dar entrevista para imprensa da Itália, Inglaterra, França e Portugal e  me assusto um pouco com isso. Nos primeiros meses, eu tive cuidado para não ir em eventos, fiquei mais reservado. Agora estou indo e vendo o calor da torcida. O que me surpreende é que não são só corintianos. Torcedores de outros times falam comigo  também.

Time alternativo na Sul-Americana

Hoje, a meta é brigar pelas duas competições. Só vou tirar jogador se correr risco de perder alguém por muito tempo por causa da lesão. Bom segurar o atleta por uma partida do que perdê-lo por cinco ou seis. 

Quando vai tirar o carimbo de discípulo do Tite

Isso não é algo que me incomoda, pois temos a mesma linha de trabalho. Foram mais de cinco anos e seis títulos juntos e sei que trabalhar nesta forma dá resultado. Sou de poucas conversas. O ser humano não gosta de reunião. Já tive técnicos que para passar uma mensagem, ficam 15 minutos contando uma história. Eu não, eu vou direto ao assunto e vamos para o trabalho. Essa é a linha do Tite que eu sigo e não sei quanto tempo vai levar parar tirar esse carimbo, mas não me incomoda. 

Melhor ambiente

Concordo. Os caras são muito unidos. Isso chamou atenção na Flórida. Felipe Bastos foi o último a chegar, mas já chegou brincando com todo mundo. Eu sou muito grato ao Corinthians e abençoado por ter um grupo tão bom. Ouvi tanta coisa de negativo do Jô, por exemplo, e ele me ajuda muito. É o melhor grupo com quem eu trabalhei mesmo. 

Desmanche

Vai ser inevitável sair alguém, por isso valorizo os técnicos brasileiros. Você pega um Real Madrid, vê quanto tempo aquele time está junto. Aqui, a cada seis meses tem que mudar a equipe e precisa de tempo para fazer a engrenarem funcionar, mas muitas vezes o técnico não tem esse tempo.Estou vendo que a Europa procura por lateral-direito e temos o Fagner indo para a seleção. Pablo, Balbuena, Arana, Jô, Rodriguinho, Jadson… São coisas que a cada seis meses a gente tem que ficar atento. 

Briga pelo título

Até o quarto colocado, que é o Flamengo, ainda está na briga pelo título. São 14 pontos de diferença e eles podem ter uma arrancada como nós tivemos no primeiro turno. Sabemos que é difícil, mas não é impossível. Daqui três rodadas, poderei dar um outro diagnóstico, mas agora acredito que Grêmio, Santos e Palmeiras podem nos alcançar.

Luta do São Paulo contra o rebaixamento

O São Paulo tem bom elenco, bom treinador. No início as coisas não se acertaram. Se for por qualidade e por técnica, não acredito (no rebaixamento). Mas entra a questão de confiança, tudo fica mais difícil. No ano passado, o Inter caiu com um time que não era ruim. Não tinha time para ser campeão? Tudo bem, mas não era para cair. No futebol, tudo pode acontecer

Confiança da torcida

A vitória sobre o Palmeiras no Campeonato Paulista foi fundamental. Você ganha moral em qualquer vitória, mas no clássico ganha mais. Neste ano ainda não perdemos nenhum clássico. Aquele jogo foi o da mudança de chave. Até aquele momento, eram 17 mil pessoas por partida no estádio. Depois, sempre foi acima de 30 mil, 35 mil. O torcedor passou a acreditar na equipe.

Elenco sem estrelas

Nenhum técnico vai abrir de qualidade, mas a história do Corinthians foi campeão da Libertadores e do Mundo com um time de operários. Em 2009 foi campeão com o Ronaldo, o melhor jogador tecnicamente com que já trabalharei. A situação financeira não dava para buscar jogadores consagrados, mas o Corinthians sabe lidar com isso. Se o time for a campo e ralar, o torcedor vai aplaudir.

Contas para o título

Sempre me baseio quando pontos o segundo colocado o tem no fim do primeiro turno e aí você dobra. O Grêmio tinha 39 pontos, então calculo 78 pontos para ser campeão. Se eu atingir essa pontuação ninguém me pega mais. Mas o que define mesmo é faltando 8 ou 9 rodadas.

Queda de rendimento

Saio mais preocupado com o rendimento do jogo contra a Chapecoense, que jogamos mal e ganhamos do que contra o Atlético-GO. Eu procuro dividir resultado de rendimento. É algo que precisamos melhor. Ter de ser mais constante contra essas equipes que jogam mais fechadas.

Euforia com o bom momento

Eu sou um profissional não sou de muita conversa. Meu negócio é ir para o campo e trabalhar e cobrar em cima da estratégia do próximo jogo. Tom de voz sempre igual para todos para deixar tudo mundo concentrado. Temos uma vantagem maravilhosa, não tem como esconder isso. Mas tem muita coisa para acontecer. Não somos campeões. O Grêmio pode diminuir para sete pontos. Temos ainda 48 em disputa. 

Garotos da base

Tenho um pouco de paciência em relação a garotos. Ao mesmo que o torcedor corintiano cobra. Tem potencial o Carlinhos, mas teve uma cirurgia depois da Copinha, mas o Jô não tem dado espaço. Sou muito cuidadoso para lançar garotos.

Planejamento 2018

Ainda mais começamos a conversa, mas sei que esse momento está perto. Independentemente É minha função passar aquilo que eu vejo e as minhas ideias. Nos próximos dias vamos começar as reuniões pensando em 2018

Fracasso se perder o título

Se eu não for campeão, não será por falta de trabalho. Independentemente do que acontecer, não se pode falar em fracasso. É um título paulista depois de tudo o que se falou, depois um campeonato brasileiro no qual as pessoas falavam que o Corinthians iria ficar entre os 11º e 16º lugares e sei que vamos terminar lá em cima. Não existe fracasso, temos de valorizar o trabalho e valorização de jogadores desacreditados e revelações de garotos da base.

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: O Estado de S.Paulo

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Quando perder músculo também ameaça o cérebro

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Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.

Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.

Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.

Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.

O que a ciência mostra :

 

Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.

Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.

Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.

Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.

Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?

 

Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.

Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.

O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.

Por que o músculo influencia a saúde cerebral?

A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.

A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.

Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.

Como enfrentar cientificamente esse problema ?

 

O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.

O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.

A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.

Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.

Envelhecer bem ,exige preservar força

A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.

Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.

Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.

 

Saúde não é sorte. É rotina.

Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308
Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.

Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.



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