Esporte
Mbappé é símbolo do sucesso da nova geração francesa no futebol
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Atacante que deve ser anunciado pelo PSG, na segunda maior transação da história, lidera grupo de jovens talentosos
Da Redação
O Paris Saint-Germain está mesmo disposto a montar um time de galácticos. Depois de arrancar Neymar do Barcelona por € 222 milhões (R$ 841 milhões, ao câmbio de ontem), a equipe parisiense deve anunciar hoje a contratação do atacante francês Kylian Mbappé. Aos 18 anos, o jovem é campeão da Liga 1 pelo Monaco, artilheiro da última temporada e nova esperança do futebol francês. A transação é a segunda maior da história: € 180 milhões (R$ 682,2 milhões) – atrás apenas da do craque brasileiro.
O novo recruta deve passar por exames médicos no Parque dos Príncipes e ser apresentado ao elenco e à imprensa. Ontem, o jovem não comentou a situação ao chegar à concentração da seleção francesa, que se prepara para a partida contra a Holanda pelas eliminatórias da Copa do Mundo. É a quarta convocação de Mbappé para a equipe de Didier Deschamps.
De acordo com o jornal L’Équipe, o acordo foi firmado entre PSG e Monaco na noite de domingo, encerrando novela iniciada antes mesmo da chegada de Neymar a Paris, há quase um mês. Nascido na região parisiense, mas formado nas categorias de base do Monaco entre 2013 e 2015, Mbappé já era assediado por grandes clubes da Europa desde a infância. No ano passado, antes da fama, o Arsenal tentou contratá-lo por € 8 milhões (R$ 30,3 milhões).
Meses depois, o jovem confirmou a promessa, assumiu a titularidade da equipe do técnico Leonardo Jardim e formou dupla com Falcao García, levando o Monaco ao título do Campeonato Francês, que não vinha desde a temporada 1999-2000.
A trajetória fora do comum o levou a entrar na lista de reforços de times como Real Madrid, Barcelona, Manchester City, Arsenal e Liverpool na janela de transferências do verão europeu. O leilão acabou quando Neymar foi contratado pelo PSG, um fator decisivo na escolha de Mbappé pelo clube de Paris. Segundo diferentes veículos de informação da França, após o desembarque do brasileiro o atacante informou à direção do Monaco que gostaria de jogar no Parque dos Príncipes.

A situação desagradou os dirigentes, insatisfeitos por reforçar um concorrente direto na Liga 1 e na Liga dos Campeões. Por isso Mbappé chegou a ser afastado do time principal, primeiro ficando no banco de reservas e depois nem sendo mais convocado, enquanto as negociações se arrastavam nos bastidores.
No domingo, o acerto foi sacramentado. Para tanto, o PSG montou uma estratégia para reduzir os problemas com o fair play financeiro da Fifa e da Uefa: acertou com o Monaco um empréstimo de um ano – com valor ainda desconhecido –, com pagamento definitivo apenas em 2018. A transação também não vem com obrigação de compra ao final do empréstimo, o que levaria o valor a ser declarado no atual exercício fiscal, já astronômico por causa de Neymar. Assim o PSG se resguarda de punições, escalonando os pagamentos por suas duas contratações.
Mbappé receberá um salário à altura de seu novo status como astro do clube: € 18 milhões por temporada (R$ 68,2 milhões) – Neymar ganha € 30 milhões (R$ 113,7 milhões) – por um contrato de cinco anos.
Meninos de ouro. Por ora, nenhuma das informações ainda foi confirmada pelo PSG, que entretém o suspense sobre o anúncio. Mas a negociação já tornou jovem o jogador francês mais caro da história, superando Ousmane Dembélé, que chegou ao Barcelona nessa semana por € 105 milhões (R$ 398 milhões), mais € 42 milhões (R$ 159,1 milhões) de bônus – o que eleva o contrato a € 147 milhões R$ 557,1 milhões).
Mbappé e Dembélé, aliás, não são exceções. Ambos confirmam o sucesso de uma nova geração de astros potenciais da França. Além deles, o volante Bakayoko foi vendido ao Chelsea; o meia Tolisso ao Bayern; o atacante Lacazette chegou ao Arsenal; e o lateral direito Mendy foi para o Manchester City nessa temporada. Pogba já havia se tornado o jogador mais caro da história no ano passado, ao se transferir para o Manchester United.
Todos foram vendidos a clubes de ponta da Europa por valores entre € 40 milhões (R$ 151,6 milhões) e € 105 milhões (R$ 398 milhões), fora os bônus, que engrossam os contratos e tornam as transações as mais caras da janela de verão.
Para Deschamps, treinador diretamente interessado no sucesso da nova geração francesa, o interesse é natural, e o preço dos atletas não surpreende. “Há um ano vocês me falavam da transferência de Pogba ao Manchester United como uma soma faraônica. Hoje, essa soma não é ridícula, mas quase.’’
Sobre a geração, o treinador dos Bleus é só elogios. “São jogadores com forte potencial e que fazem as coisas muito bem, muito cedo, como Martial (United) e Coman (Bayern Munique) fizeram antes deles’’, afirmou. “Essa geração tem muitas qualidades e eles estão em alto nível muito cedo. O essencial é que permaneçam concentrados no campo.’’
Fonte: O Estado de S.Paulo
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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