Mato Grosso
OS CRIMES DO CONSELHEIRO: O QUE JANOT E FUX CONFIRMARAM, OS JORNALISTAS JÁ MOSTRAVAM
Mato Grosso
Da Redação: Pedro Ribeiro e Laerte Lannes
Reportagem Especial
Ate que enfim! Depois de idas e vindas, finamente o guardião da Constituição brasileira, o Ministério Público Federal, através de Rodrigo Janot, conseguiu reunir polpudas provas e denunciou o presidente do Tribunal de Contas do Estado, Antônio Joaquim de Moraes Rodrigues Neto, junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) sob o ministro Luís Fux.
O conselheiro está sendo acusado pelo MPF e deve responder criminalmente por lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, corrupção ativa e fraude a procedimento licitatório.
Ainda protegido sob a égide do foro por prerrogativa de função, o conselheiro não deve continuar mais no TCE, e as denúncias vão levá-lo aonde ele não quer ir. E aonde, com certeza, seus amigos mais leais não vão quererem que ele vá.
A farta documentação encaminhada pelo Procurador Geral da República(PGR) ao ministro Luiz Fux, foi entregue pelo ex-governador Silval da Cunha Barbosa (PMDB), em acordo de delação premiada.
A divulgação de documentos, imagens e fotos feitas pelo Jornal Folha de São Paulo e TV Globo em nível nacional acerca da delação envolveu ainda o ministro Blairo Maggi, senadores de Mato Grosso, Deputados Federais e Estaduais, os prefeitos de Cuiabá Emanuel Pinheiro e de Juara, Luciane Bezerra, ex-deputados estaduais e mais quatro conselheiros do Tribunal de Contas, além de Antônio Joaquim. Isso tudo gerou surpresas em alguns brasileiros.
Contudo, não se trata exatamente de uma novidade para os mato-grossenses.
Há mais de dois anos atrás os jornalistas Pedro Ribeiro e Laerte Lannes, em poder de farta provas envolvendo os crimes do conselheiro Antônio Joaquim, divulgaram em seus respectivos jornais e sites, Página 12 e O Mato Grosso, reportagens exclusivas denunciando e mostrando para a sociedade mato-grossense a verdadeira face do conselheiro.
Os jornalistas publicaram uma série de reportagens sobre casos envolvendo Joaquim em: Crimes ambientais,ameaça, cárcere privado, grilagem de terras, aumento injustificável de seu patrimônio, favorecimento a apadrinhado politico em licitação no TCE, desrespeito ao regimento interno do órgão e a Constituição Federal e abuso de autoridade.
Essas denúncias deram origem a processos por calúnia e difamação protagonizados pelo conselheiro contra os jornalistas e a ´armação´ em conluio com o advogado José Antônio Rosa um flagrante preparado, ocorrido no dia primeiro de outubro de 2015.
A armação espúria tinha o objetivo ´calar´ os jornalistas, mas, eles continuaram a divulgar as matérias/denuncias e que agora está sendo confirmado pela PGR e pelo STF.
E certo que a ética do jornalista não pode variar conforme a ética da fonte que está lhe dando informações. E segundo os jornalistas Pedro Ribeiro e Laerte Lannes ter um corrupto como informante para desmascarar outro corrupto nunca os irão corromper.
Para Pedro Ribeiro as páginas dos jornais impressos e do site sempre serão usadas para a busca do interesse público, “são consequências normais da divulgação de fatos verdadeiros”, disse.
Para ele o jornalismo é feito com fontes de informação. “O jornalista não é pago para saber. É pago para descobrir.
Nosso objetivo é ter boas relações com as fontes de informação, enfim, nossa missão é jornalística”, afirmou.
Na opinião do jornalista Laerte Lannes, a série de reportagem citando o conselheiro Antônio Joaquim, envolveu o bom jornalismo praticado pelos dois jornais. “O nosso trabalho é tão natural para nós que nos dispensamos de discuti-los. Mas temos de concordar que as pessoas não diretamente envolvidas em nosso trabalho possam não entender completamente a natureza do bom jornalismo que praticamos”, o preço a ser pago pela nossa coragem em mostrar a verdade, foi a nossa liberdade, disse.
É certo que durante vinte anos os jornalistas de Mato Grosso viveram com medo de falar alguma coisa contra conselheiros do Tribunal de Contas de Mato Grosso.
E o mais terrível de todos os medos, o medo de ter ideias próprias e emitir opiniões.
Amarrada num aparente consenso, cego e autoritário, qualquer manifestação de discordância dos julgadores de contas e de sua rede derivada de protegidos, beneficiários, defensores e comprados, era tratada a mercê.
Parte da imprensa a favor das presepadas do conselheiro fez ´ouvidos mouros´ e jogou suas índoles na esparrela em favor de parcos recebimentos para seus blogs, colunas, jornais ou mesmo em matérias plantadas.
E não critica ou discorda das atitudes nada republicanas do atual presidente do TCE, Antônio Joaquim.
É tentativa brutal e torpe de afrontar a liberdade de imprensa. Não se pode “calar a boca da imprensa”, que tem sua liberdade de comunicação e informação a serviço da sociedade. São ações que contraria a Constituição. Não há fins que justifiquem os meios.
Um conselheiro não pode violar um direito fundamental inscrito na Constituição para processar e intimidar jornalistas que resolvem mostrar suas falcatruas, suas ações espúrias e seu descontrole emocional.
Agora com as ações protagonizadas pela PGR e pelo STF quais devem ser as desculpas orquestradas por Antônio Joaquim, além de uma nota pífia e de um vídeo no facebook mal produzido? O conselheiro poderia ser mais objetivo e chamar as reportagens divulgadas há mais de dois anos pelos jornais Página 12 e O Mato Grosso de mentirosas.
Não é verdade! É do conselheiro que se espera respostas para muitas perguntas, sem esclarecimentos plausíveis.
Na realidade o senhor Antônio Joaquim parece se nutrir do desdém, do deboche e da indiferença.
Ele deve responder para a sociedade de maneira clara, objetiva e concisa sobre as suspeitas de todas as falcatruas, principalmente pelo aumento injustificável do patrimônio.
A imprensa não cabe julgar, mas, apontar, reportar ao povo os acontecimentos.
O conselheiro deve responder se é mentira que está respondendo a processo por crime ambiental? Ele deve responder também como e de que forma conseguiu fazer a multiplicação de seu patrimônio? Ele deve responder ainda sobre os procedimentos investigatórios em trâmite no Ministério Público de Mato Grosso acerca de favorecimento a amigo em licitações e sobrepreço no TCE.
Ele deve também dizer se é mentira sobre processos criminais de ameaças e cárcere privado na justiça criminal do estado? E por fim deve responder se o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, e o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, estão errados em investigá-lo por lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, corrupção ativa e fraude a procedimento licitatório. Será que é tudo mentira?
Veja as edições dos jornais mostrando os crimes cometidos pelo conselheiro do TCE Antonio Joaquim e agora confirmado Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, e o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux:

Edição do dia 02 de novembro de 2015
Mato Grosso
Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.
Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.
Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.
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