Política
Deputados de pacote anticrime atribuem soltura de traficante a erro do STF e descartam mudar lei
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Da Redação
Deputados que articularam o projeto anticrime na Câmara agiram para rebater as críticas de que o Congresso foi responsável pela soltura de André Oliveira Macedo, o André do Rap, ao limitar a prisão preventiva. Além disso, esses parlamentares resistem à tentativa de mudar a lei para evitar casos semelhantes e apontam “erro” do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, no caso.
Aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro em dezembro, a lei estabelece que a prisão preventiva deve ser analisada pelo juiz a cada 90 dias, sob pena de se tornar ilegal. Segundo a defesa de André do Rap, esse prazo já havia estourado, abrindo caminho para Mello liberar o acusado, apontado como um dos principais líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC). A decisão foi derrubada pelo presidente do STF, Luiz Fux. André do Rap, porém, não voltou à prisão e é considerado foragido.
Coordenadora do grupo de trabalho que apresentou o relatório do projeto na Câmara, a deputada Margarete Coelho (PP-PI) argumentou que o problema não é da lei, mas da Justiça. “É uma grande injustiça jogar a culpa no colo da legislação”, disse a parlamentar ao Broadcast Político. Para ela, houve “vista grossa” do Supremo ao não avaliar a prisão preventiva em 90 dias e não questionar o Ministério Público, responsável pela acusação, na ação. A Associação Nacional dos Procuradores.
Além disso, a deputada argumentou que a lei traz outros elementos que justificam a manutenção de um preso perigoso na cadeia. “No momento de reavaliar, o senhor ministro não considerou a vida pregressa e a ficha corrida do traficante, tanto é que no dia seguinte ele saiu pela porta da frente assobiando e fugiu. Ninguém na situação do ministro recomendaria a soltura”, disse a deputada.
Após a repercussão do caso, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), conversou com integrantes da Casa sobre o projeto aprovado. A avaliação foi de que não cabe ao Congresso alterar novamente a lei. Em entrevista à Globonews no domingo, 11, Maia afirmou que a responsabilidade de cobrar a manutenção da prisão no prazo era do Ministério Público.
Margarete Coelho admitiu a possibilidade de alterar a lei para retirar o prazo da prisão preventiva, mas ponderou que não vê viabilidade de isso avançar no Congresso. Deixar a prisão preventiva sem prazo, de acordo com ele, abriria margem para aumentar o número de detidos ilegalmente e sem nenhuma expectativa de revisão.
O deputado Lafayette Andrada (Republicanos-MG), relator do projeto anticrime na Câmara, afirmou que o Congresso deixou clara uma situação que estava sem regra anteriormente ao inserir o dispositivo na proposta. “O lugar de bandido é na cadeia. O artigo 316 citado apenas explicita que prisão preventiva não é condenação e por isso precisa ser reavaliada a cada 3 meses”, disse.
Segundo o parlamentar, a lei traz outros elementos que justificam a prisão de uma pessoa perigosa. “Esse episódio do André do Rap é um típico exemplo de necessidade de manter o criminoso preso mesmo sem condenação definitiva. Em minha opinião foi um grande erro soltá-lo.”
Ao decidir pela soltura, Marco Aurélio Mello viu excesso de prazo na prisão de André do Rap, detido em setembro de 2019. Ele não tem condenação no último grau de recurso judicial – foi condenado em segunda instância. O ministro se ancorou em aspectos técnicos da legislação para justificar a decisão. “Processo não tem capa, tem conteúdo.” Colaborou Amanda Pupo
Fonte: O Estadão
Política
Pivetta prepara enxugamento da máquina e avalia cortes no Governo de MT
O governador reeleito Otaviano Pivetta (Republicanos) prepara uma revisão ampla da estrutura do Governo de Mato Grosso antes do início do novo mandato, em janeiro de 2027. A medida pretende identificar despesas que podem ser reduzidas e tornar a máquina pública mais enxuta.
A previsão é que um decreto seja publicado entre esta quarta-feira (7) e quinta-feira (8), estabelecendo os critérios para a análise. O trabalho deverá avaliar a estrutura dos órgãos estaduais, gastos com pessoal e custeio, contratos e possíveis sobreposições de funções.
A condução dos estudos deverá ficar a cargo de uma comissão presidida pelo ex-secretário de Fazenda Rogério Gallo, que coordenou a campanha de Pivetta nas eleições deste ano. O grupo terá a missão de reunir informações de diferentes setores do Estado para elaborar um diagnóstico da atual estrutura administrativa.
Entre os dados que serão analisados estão o número de servidores e cargos existentes, a organização das secretarias, contratos firmados pelo Governo e despesas administrativas. A partir desse levantamento, a comissão deverá apontar setores com possibilidade de redução de custos e áreas que precisam ser preservadas ou consideradas prioritárias.
A revisão também poderá atingir o quadro de pessoal, principalmente os cargos comissionados. No entanto, a quantidade e o formato de eventuais cortes ainda não estão definidos e dependerão das conclusões do levantamento.
A proposta faz parte da preparação para o novo ciclo administrativo de Pivetta, que foi reeleito no primeiro turno no último domingo (4). A intenção é iniciar 2027 com uma estrutura considerada mais eficiente e com maior capacidade de direcionar recursos para investimentos e serviços públicos.
O movimento ocorre paralelamente às mudanças que o governador já sinalizou para a equipe de secretariado. Pivetta afirmou que pretende promover alterações pontuais na estrutura do Governo, sem uma reforma ampla, com o objetivo de corrigir áreas que ainda não apresentam os resultados esperados.
Com a revisão, a gestão pretende identificar onde há espaço para economia sem comprometer serviços considerados essenciais. O diagnóstico deverá servir de base para as decisões administrativas que serão tomadas na preparação do próximo mandato.
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