Mato Grosso
Várzea Grande Entra para o grupo de cidades com política de saneamento básico
Mato Grosso
METAS E DIRETRIZES FORAM DISCUTIDAS COM A POPULAÇÃO. ANTEPROJETO DE LEI SERÁ ENCAMINHADO PARA APRECIAÇÃO DOS VEREADORES
Da Redação
Várzea Grande deverá ainda este ano, entrar no seleto rol de municípios de Mato Grosso e do Brasil, com um Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) e a Lei da Política de Saneamento Básico (LPSB) que norteará todas as ações voltadas para melhorar a qualidade de vida de toda população em termos de saúde pública, bem como, adotar cuidados relativos ao meio ambiente e a preservação ambiental.

Segundo a Organização Mundial de Saúde – OMS, mais de um quarto das mortes de crianças com menos de cinco anos, (1,7 milhão de meninos e meninas, nesta faixa etária morrem porque vivem em locais insalubres), são causadas por fatores ambientais como poluição, falta de saneamento básico e uso da água imprópria para consumo humano.
“Estamos plantando uma semente que será fundamental na construção de uma Várzea Grande melhor para todos, só que este tipo de política tem que ser perene, ou seja, permanente pois a necessidade de se cuidar do saneamento básico não pode e não deve sofrer trégua por parte de governantes e da própria população”, disse a prefeita Lucimar Sacre de Campos reforçando que Várzea Grande está investindo recursos próprios e federais para mudar a realidade quanto ao abastecimento de água e o esgoto tratado entre outras obras consideradas essenciais.
Na semana passada foi aprovada em audiência pública, minuta dos projetos de Lei da Polícia Municipal de Saneamento Básico e do Plano Municipal de Saneamento Básico, realizados pela Prefeitura de Várzea Grande no plenário da Câmara Municipal de Vereadores. Com alterações propostas pela sociedade várzea-grandense presente na audiência, os projetos de lei seguem para fase de apreciação da prefeita Lucimar Campos e na sequencia irão para aprovação dos vereadores, e só então se transformarão em lei municipal.
Os projetos de lei contem temas estruturantes quanto à universalização de água potável, esgotamento sanitário, manejo de resíduos sólidos (lixo) e drenagem de águas pluviais, que irão orientar a execução do Programa de Aceleração para o Crescimento (PAC) em Várzea Grande com investimentos públicos que superam os R$ 500 milhões até 2030, sendo ao menos 40% destes valores de contrapartida dos cofres públicos municipais.

Com foco na modernização da gestão pública e redução de déficit de infraestrutura na cidade os projetos de lei nasceram da realização de estudos que levaram em consideração a qualidade de vida da população. “O saneamento básico é o conjunto de serviços que preserva, trata e cuida do abastecimento de água, coleta e tratamento do esgoto sanitário, drenagem do solo e manejo de resíduos, entre outras questões ambientais”, disse a prefeita.
Ela frisou ainda que para construir essas propostas foi aberto o diálogo desde 2016, bem, como foram desenvolvidas pesquisas e diagnósticos detalhados, na área urbana e rural, para a construção dos planos de saneamento, que foram aprovados em audiência pública.
“Com esse planejamento norteando os investimentos em água tratada e saneamento básico, Várzea Grande saltará de um atendimento de 30% dos bairros com esgoto tratado para 70%. Hoje atendemos 95% da população com água tratada, porém essa água não chega às casas de maneira contínua, regular. Com esses novos investimentos que estão dentro do Plano Municipal de Saneamento Básico, queremos atender regularmente a quase totalidade dos bairros da cidade e com abastecimento ininterrupto”, garantiu a prefeita de Várzea Grande, Lucimar Sacre de Campos.
Segundo o secretário municipal de Viação, Obras e Urbanismo, Luiz Celso Morais, o Plano Municipal de Saneamento Básico e a Lei da Política Municipal de Saneamento Básico contemplam o avanço na implantação do sistema público de esgotamento sanitário e a oferta de água tratada mudando a realidade da cidade quanto a um problema que atinge a maioria dos municípios do Brasil que não dispõem de serviços mínimos como água potável e esgotamento sanitário.
“Desde 2007, com a publicação da Lei Federal de nº 11.445, a chamada Lei de Saneamento Básico, todas as prefeituras têm obrigação de elaborar seu Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB). Sem esse documento seria impossível a Prefeitura receber recursos federais para projetos no setor. Isso mostra que a atual gestão está além de comprometida com a melhoria da qualidade de vida da sociedade várzea-grandense, está imbuída em transformar em realidade o sonho de oferecer água e esgoto tratados em suas residências”, frisa o secretário.

Os setores de drenagem e resíduos sólidos também estão contemplados no Plano Municipal de Saneamento básico. Prova disso são os 25 bairros da cidade que já estão recebendo um pacote em obras que incluem pavimentação asfáltica, galerias de águas pluviais, obras de terraplenagem e sinalização horizontal e vertical das vias.
Um investimento global de R$ 8 milhões, sendo R$ 5,8 milhões do Governo do Estado e R$ 2,2 milhões de contrapartida do Município.
Já quanto aos resíduos sólidos a Prefeitura em conjunto com as secretarias municipais de Serviços Públicos e Mobilidade Urbana, Meio Ambiente, Viações, Obras e Urbanismo e órgãos de controle estão estudando e elaborando documento para ser inserido nas políticas públicas do município.
“O objetivo é que nossa Legislação e Plano de Saneamento básico possam ser referência de desenvolvimento seguindo as diretrizes estabelecidas para o saneamento básico e fixadas as metas de cobertura e atendimento para os serviços de água; coleta e tratamento do esgoto doméstico, limpeza urbana, coleta e destinação adequada do lixo urbano e drenagem e destino adequado das águas de chuva”, conclui Luiz Celso Moraes.
Para o assessor especial da Prefeitura de Várzea Grande, Olindo Pasinato Neto, saneamento básico é para ser entendido pela população como algo totalmente ligado à saúde. “Em zonas rurais, por exemplo, se a água tratada vem do poço cavado e tem uma fossa perto, ela pode estar contaminada e causar doenças. O lixo jogado no rio desce para a casa do vizinho, que usa aquela água. Vira uma situação crítica. Estamos falando de qualidade de vida e saúde da população. O saneamento básico significa saúde e diminui filas de hospital e investimentos maciços que poderiam ser aplicados em outras políticas se tivesses saneamento básico”, disse Pasinato Neto.

Ele frisou que política de saneamento e abastecimento de água precisa olhar o todo, desde a questão da saúde, até da preservação ambiental, acrescentando que a Prefeitura de Várzea Grande ficará atenta à revisão das diretrizes e metas desses projetos que devem ser feitos a cada quatro anos, levando em consideração os investimentos feitos na área e o crescimento populacional.
A secretária municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural Sustentável, Helen Farias, destacou que as empresas instaladas no município também têm papel importante quanto o assunto é saneamento básico. “AS empresas que estão instaladas no município também irão se beneficiar com a nova infraestrutura e isso contribuirá para alavancar economicamente o empreendimento”.
A audiência publica também aprovou a proposta de criação do Conselho Municipal de Saneamento Básico, com caráter deliberativo e fiscalizador formado por membros do Poder Público e da Sociedade Civil Organizada, em paridade de assentos. “Todas as ações de Saneamento, no Município, têm de ser debatidas e aprovadas por este Conselho”, explicou o assessor Olindo Pasinato.
A realização da audiência pública, no Plenário da Câmara Municipal de Vereadores, atendeu a uma exigência da Lei Federal nº 11.445/2007, que estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico e prevê a existência de um Plano Municipal para permitir que a cidade continue obtendo recursos externos para a realização das obras e medidas previstas.
Mato Grosso
Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.
Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.
Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.
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