Esporte
Flamengo demite Zé Ricardo após derrota para o Vitória em casa
Esporte
Técnico não resiste a sequência ruim de resultados e deixa o rubro-negro
Da Redação
A passagem de Zé Ricardo pelo comando do Flamengo chegou ao fim. Uma reunião na noite deste domingo selou o destino do técnico, que foi demitido pela diretoria horas após o time ser derrotado em casa pelo Vitória por 2 a 0, pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro.
A má fase do time carioca, que venceu apenas um dos últimos sete jogos disputados, aliada à insatisfação da torcida, foram determinantes para a demissão. O treinador foi muito criticado pelos flamenguistas após o revés para os baianos no Estádio Luso-Brasileiro. O time não vence há quatro jogos no Brasileirão, ocupando o quinto lugar, com 29 pontos.
Zé Ricardo reconheceu logo após a partida que a situação era complicada. “Não tivemos uma boa atuação. A sequência é ruim. Lógico que a insatisfação é grande”, admitiu depois do revés para uma equipe que figura na zona de rebaixamento do Brasileirão.
O técnico vinha sendo muito questionado desde a eliminação na fase de grupos da Copa Libertadores, selada com uma derrota para o San Lorenzo, na Argentina. Neste domingo, a torcida que foi ao Luso-Brasileiro cobrou muito a demissão do treinador. Houve, inclusive, tumulto na saída da delegação do estádio.
Zé Ricardo estava no comando do Flamengo desde 26 de maio do ano passado, quando assumiu de forma interina, por problemas de saúde de Muricy Ramalho, depois sendo efetivado. Ele esteve à frente da equipe em 89 partidas, com 47 vitórias, 25 empates e 17 derrotas. O aproveitamento foi de 62%. No período, ele comandou o time na conquista do Campeonato Carioca deste ano, além de tê-la levado ao terceiro lugar no Brasileirão de 2016, o que rendeu uma vaga na Libertadores.
O Flamengo foi o primeiro clube profissional dirigido por Zé Ricardo, de 46 anos, que antes trabalha nas divisões de base do time carioca, tendo o conduzido ao título da Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2016.
O nome do substituto de Zé Ricardo ainda não foi definido pela diretoria. O Flamengo voltará a jogar no próximo domingo, quando vai encarar o Atlético Mineiro, no Mineirão, pela 20ª rodada do Brasileirão.
Fonte: O Estado de S.Paulo
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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