Mato Grosso
Obras do PAC atendem as expectativas dos moradores do Ikaray
Mato Grosso
Da Redação
As obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que estão em plena execução nos bairros Jardim Ikaray, Nova Era e Frutal de Minas, em Várzea Grande, já impactam positivamente na rotina dos moradores com algumas etapas concluídas, entre elas a da pavimentação, das interligações das redes de esgoto das residências, e o principal, o asfalto novo melhorou a mobilidade urbana, melhorando o acesso dessas localidades com o bairro vizinho São Gonçalo.
Os trabalhos nessa região integram a segunda fase do PAC no Município com a construção de duas estações elevatórias de esgoto, uma no Frutal de Minas e a outra no Jardim Nova Era, além de pavimentação, drenagem e rede de esgoto. Essa fase está orçada em R$ 10 milhões e tem prazo contratado de execução para 12 meses.
O asfalto já é realidade em ruas do Ikaray e do Nova Era. A movimentação das frentes de trabalho quebrou a rotina dos moradores que conferem in loco a evolução das obras. O presidente do Jardim Ikaray, Willer Santana, explicou que assim que o asfalto foi feito a região voltou a ser atendida pelo transporte coletivo. “Havia muita gente sem acesso aos ônibus, tendo como opção pontos na estrada do Capão Grande ou na Avenida Alzira Santana, e com o novo asfalto os ônibus já circulam pelas ruas do bairro”.
O presidente conta ainda que as ruas com o pavimento pronto, já haviam sido asfaltadas há mais de uma década, mas tiveram a cobertura destruída em 2007, pela prefeitura, quando anunciou o PAC. “Naquela gestão, o PAC foi apresentado como um projeto que traria infraestrutura, mas não saiu do papel e só piorou a situação dos bairros, tanto é que desde então, os ônibus pararam de circular aqui”. O líder comunitário destaca também que tão bom quanto a chegada das obras “é verificar que elas têm qualidade”.
Morador há quase 20 anos no Jardim Ikaray, ‘seo’ Belarmino Camilo, fica sentado todos os dias na porta de casa acompanhando o vai e vem de homens e máquinas. “Confesso que não acreditava mais no asfalto. Afinal, há tanto tempo aqui, e muitas ruas no puro cascalho e a gente vivendo na poeira ou na lama. O desânimo era geral, mas agora tudo mudou para melhor, não é promessa política mais, e uma nova realidade que só valoriza nossa região”.
A comerciante, Claudice Alves Lucena, mora no Ikary há cerca de 20 anos e tem uma mercearia. A rua onde mora tem asfalto, mas disse que estava planejando se mudar de estado, por conta da má qualidade de vida que tinha no local. “De nada adiantavam meia dúzia de ruas asfaltadas no bairro. A poeira dessa época de estiagem castigava tudo e todos, mais ainda os comerciantes com produtos alimentícios expostos, como pães, por exemplo. Nada parava limpo e a gente não tinha gosto para nada”, relata. Nos últimos meses, ela conta que desde às 6h da manhã tem início a movimentação das empreiteiras. “O asfalto e toda a estrutura que está sendo trazida junto com o PAC vão valorizar tudo e nós moradores já pensamos inclusive, em fazer uma queima de fogos para comemorar a conclusão das obras, tamanha era a descrença aqui no bairro, e agora é real, asfalto novo, e vida nova”.
Além da sua casa e do comércio, Claudice tem outro imóvel que aluga e ele está na parte sem pavimentação do bairro. “Já tenho como meta fazer calçadas, rebocar o muro e melhorar o imóvel e se andar pelo bairro, muita gente já deu início às melhorias”.
O assessor especial da prefeitura de Várzea Grande, Manoel Tereza, observa que as obras estão em ritmo acima do esperado e que a prefeitura não descarta entregar essa primeira etapa desses bairros ainda nesse ano.
“Há uma grande diferença entre o que estava feito no bairro há algumas semanas para o que se vê hoje, por exemplo. Existem ruas em que para a conclusão só falta a colocação de meio fio e sarjetas”. Ainda como acrescenta, em outros pontos dos bairros está sendo realizada a captação do esgoto, limpeza de rede, drenagem e pavimentação. “Cada projeto está em plena implantação e execução, formando várias etapas de uma mesma fase”.
1ª ETAPA – O PAC, como explica o assessor especial da prefeitura de Várzea Grande, Manoel Tereza, prevê obras de drenagem, saneamento básico, pavimentação e sinalização e foram iniciadas em novembro de 2015. Na primeira fase, as obras foram lançadas no Grande Parque do Lago, e em outubro do ano passado, abrindo a segunda fase do Programa no Município, nos bairros Jardim Ikaray, Nova Era e Frutal de Minas.
Ele antecipa que até o início da segunda quinzena desse mês, a prefeitura estará entregando as obras da primeira fase do PAC, já concluídas no Grande Parque do Lago e que levaram aos bairros Altos do Boa Vista, Parque São João, Jardim das Oliveiras e Dom Diego uma rede de infraestrutura que demandou em R$ 10,5 milhões e totaliza 16 quilômetros de asfalto.
Mato Grosso
Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.
Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.
Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.
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