Mato Grosso
TRIBUNAL DE JUSTIÇA E DAE/VG REALIZAM MUTIRÃO NO GRANDE CRISTO REI
Mato Grosso
Devedores da água consumida e não paga poderão ter desconto de 100% sobre os juros e as multas ou o parcelamento. Conciliadores estarão nas agências comerciais do DAE/VG de 03 a 07 de agosto.
Da Redação
Com um custo estimado da ordem de R$ 2 milhões/mês entre energia e insumos, sem a folha de pagamento, o Departamento de Água e Esgoto – DAE de Várzea Grande vai buscar os consumidores inadimplentes através de um mutirão de conciliação que está sendo realizado em parceria com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
“Temos um custo elevado para captar, tratar e depois distribuir a água que é tão importante para todas as pessoas e para a cidade de Várzea Grande, por isso que estamos abrindo a perspectiva dos consumidores nos procurarem para renegociar seus débitos”, disse o presidente do DAE/VG, Ricardo Azevedo Araújo.
Ele pontua que para cada centavo que a empresa deixa de recolher aos seus cofres, que serve para custear todas as despesas da instituição, seja por inadimplência dos devedores, por desvio de água ou por problemas técnicas, mais pessoas são penalizadas com o não fornecimento do líquido.
Para melhorar o desempenho do DAE/VG, ampliar as obras e reforçar o sistema, entre 03 e 07 de agosto o Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE/VG) e o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ/MT) realizam mais uma etapa do mutirão de conciliação possibilitando aos consumidores em situação de inadimplência negociar seus débitos existentes com a autarquia.
Desta vez, os trabalhos de negociação estarão voltados para os bairros do grande Cristo Rei. Os conciliadores estarão nesse período atendendo em 03 agências do DAE, em horário comercial, localizados no centro do bairro Cristo Rei, no Parque do Lago e no centro de Várzea Grande.
Ao todo foram notificados pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso mais de 10 mil consumidores e a expectativa de comparecimentos e adesão à conciliação nessa segunda etapa é grande, segundo o diretor presidente do Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande, Ricardo Azevedo de Araújo.
“Na primeira etapa do mutirão tivemos uma adesão de 237 consumidores em um universo de 1.377 moradores de 11 bairros. O que significa 17,21% dos consumidores devedores notificados. Pode parecer pouco, mas para a arrecadação do Departamento é bastante significativo. Nessa segunda etapa esperamos um comparecimento maior dos consumidores uma vez que a quantidade de pessoas notificadas e de bairros é bem superior”, explica Ricardo.
Ele reforçou que a gestão do DAE/VG trabalha pela construção no entendimento com todos os consumidores, mas que a partir do mutirão, aqueles que permanecerem inadimplentes, terão seus nomes inscritos em cadastros de restrição como o SERASA e o SPC, pois o devedor acaba sempre prejudicando aqueles que honram com seus compromissos.
O presidente do DAE/VG lembrou que a prefeita Lucimar Sacre de Campos lançou obras orçadas em R$ 168 milhões nas áreas de água potável e esgoto tratado para melhorar a qualidade de vida das pessoas. “Os investimentos serão feitos, a qualidade dos serviços irá melhorar, mas é preciso que as pessoas se conscientizem que ampliando os serviços serão necessários mais recursos para se promover um abastecimento de água e um tratamento de esgoto que contemple a toda Várzea Grande”, frisou.
Como destaca o diretor-presidente do DAE/VG, o objetivo além de arrecadar o tributo inadimplente é também de oportunizar ao cidadão uma forma conciliadora de acordo. “É importante ressaltar que os consumidores inadimplentes que não puderam comparecer nesse primeiro mês para negociação podem nos procurar para ter acesso aos benefícios e negociar suas dividas. Estamos realizando o mutirão em etapas para melhor atender os moradores por região da cidade, mas enquanto as ações continuarem o cidadão pode nos procurar em qualquer um dos escritórios comerciais do DAE”.
Ainda de acordo com Ricardo Araújo, paralelamente ao mutirão para negociar dívidas a autarquia verifica a demanda da população. “Como a cada mês visitamos diferentes bairros, podemos verificar a demanda que a população possui. É uma oportunidade para que os várzea-grandenses solicitem serviços e reparos. Isso mostra que não queremos apenas cobrar, mas principalmente tornar Várzea Grande uma cidade melhor para se viver”, avalia o diretor.
Durante o mutirão de conciliação é ofertado para pagamento à vista, desconto de 100% sobre os juros e as multas ou o parcelamento da dívida conforme a lei permite. “O mutirão é realizado para que o consumidor inadimplente regularize sua situação de maneira tranquila, consensual e com vantagens em descontos e parcelamentos. Neste último caso vale ressaltar que os parcelamentos serão homologados pela justiça, evitando assim transtornos com ações punitivas. Esperamos que os consumidores em débitos com a autarquia atendam ao chamado e que consigamos reverter o percentual de inadimplência que gira em torno de 45% dos valores absolutos apurados. As pessoas irão ao mutirão cientes de que todo o acordo que será feito terá o respaldo legal do Judiciário”, pontua o diretor-presidente.
O convênio firmado com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso viabilizou aos técnicos do Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande receberam treinamento como conciliadores. Para a sessão de mediação os consumidores devem levar documento de identificação original e cópia, CPF, comprovante de endereço, número da matrícula (conta de água), escritura ou contrato de locação do imóvel para os procedimentos das negociações. Outras informações podem ser obtidas pelos canais de comunicação do DAE/VG pelo site www.dae.com.br ou nas agências da autarquia em horário comercial localizadas na avenida Castelo Branco, 245, bairro Centro Sul, telefone 3029-5224; Avenida Gonçalo Botelho de Campos, nº 1.700, bairro Cristo Rei, telefones 3688-9740 e 3688-9741; e ainda no bairro Parque do Lago na avenida Julião de Brito, nº 04, telefone 3691-5988.
Mato Grosso
Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.
Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.
Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.
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