Mato Grosso
Grupo define primeiras ações para retomada dos hospitais regionais
Mato Grosso
Da Redação
O grupo de trabalho da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) que está conduzindo as ações para a retomada da gestão direta de quatro hospitais regionais discutiu várias medidas com os diretores das unidades, nesta sexta-feira (21.07). As ações estão em conformidade com o Decreto nº 1.073/2017, assinado pelo governador Pedro Taques, que foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) no dia 28 de junho.
Os participantes – secretários-adjuntos, superintendentes, assessores, diretores e servidores dos hospitais e a secretária executiva da Comissão Intergestora Bipartite (CIB) – foram divididos em quatro grupos que discutiram a gestão de Recursos Humanos; Compras; Terceirização de Serviços; e o Perfil Assistencial dos hospitais. Pelo decreto, em um prazo de 180 dias, devem passar para a gestão do Estado os hospitais regionais de Alta Floresta, Colíder, Sorriso, e o Metropolitano de Várzea Grande, que estavam sob o regime de ocupação temporária.
Administrados mediante contrato de gestão pelo Instituto Pernambucano de Assistência e Saúde (Ipas), o Hospital Metropolitano de Várzea Grande teve o contrato rescindido em 30 de abril de 2014 e os regionais de Alta Floresta e de Colíder, em 30 de abril de 2015. Já o Hospital Regional de Sorriso era gerido pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH) e o rompimento do contrato por parte do Estado ocorreu em junho de 2015. Em todos os casos, a rescisão unilateral dos contratos ocorreu devido ao descumprimento das metas contratuais e o inadimplemento das Organizações Sociais de Saúde (OSS´s) contratadas.
Recursos humanos
No grupo de trabalho que discutiu os recursos humanos dos hospitais, ficou definido que no início da próxima semana as unidades farão a entrega de um levantamento das necessidades na área de pessoal. Já se sabe que existe nos hospitais um déficit de técnicos de enfermagem e de enfermeiros, já que durante a ocupação muitos profissionais deixaram as unidades e as vagas não foram repostas. Diante disso, será feito um parecer e encaminhado para a aprovação, homologação e assinatura do secretário de Estado de Saúde, Luiz soares, autorizando as primeiras contratações, já a partir de agosto.
Os novos contratados, assim como os funcionários que já trabalham nos hospitais, passarão por uma capacitação em Cuiabá. Na próxima semana, consultores do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), ministrarão, durante dois dias, um curso para gestores da SES que atuarão na capacitação dos funcionários dos hospitais. O Conass, assim como tem feito em vários estados, apoia a SES de Mato Grosso, e já realizou as primeiras oficinas com os gestores no projeto de Reestruturação Gerencial.
Para o diretor do Hospital Regional de Colíder, Elisandro de Souza Nascimento, a forma como a SES está conduzindo a retomada da gestão está muita clara, mesmo sendo em uma situação emergencial. “Está claro o interesse do Governo do Estado em resolver o problema. A forma como está sendo conduzido, para nós lá na ponta, será muito bom, porque nós estamos saindo de uma experiência complicada e isso dá mais ânimo e otimismo. Nessas reuniões, é onde encontramos as soluções e as colocamos em prática”, afirmou Elisandro, que participou do grupo que discutiu o assunto Recursos Humanos.
Perfil assistencial
O modelo do perfil assistencial a ser implantado nos quatro hospitais regionais também foi discutido. Na próxima terça-feira (25.07), será entregue um documento com os dados relativos aos serviços prestados pelos hospitais, bem como a demanda reprimida nas regiões onde as unidades estão localizadas e credenciamento e habilitação dos serviços executados. Os dados serão analisados pelo grupo de trabalho e, posteriormente, será emitido um relatório final sobre o perfil assistencial dos quatro hospitais.
De acordo com a secretária-executiva de Saúde, Fátima Ticianel, que está na coordenação geral dos trabalhos, o Conass também vai apoiar a construção do modelo de perfil assistencial. No início de agosto, uma médica de Minas Gerais especialista na área hospitalar, que atua como consultora do Conass, estará em Cuiabá, durante dois dias, para trabalhar com técnicos da SES na construção do perfil. “A médica vai auxiliar na logística do hospital, no perfil assistencial, no fluxo regulatório. Ela tem bastante experiência, pois já trabalhou na implantação de um hospital de grande porte em Minas Gerais. Estamos trabalhando na construção de um modelo de gerenciamento e ela vai ajudar nisso”, explicou.
Terceirização
O grupo que discutiu a terceirização dos serviços trabalhou na elaboração do cronograma de contratação dos serviços terceirizados. Está definido que serão terceirizados os serviços de lavanderia, portaria, vigilância, limpeza, alimentação, serviços de imagem. “Como nesse momento estará ocorrendo a troca dos CNPJs das Organizações Sociais pelo CNPJ da SES, os contratos serão emergenciais e, paralelamente, serão realizados os processos de licitação”, disse o assessor especial Cassiano Malheiros, um dos coordenadores dos grupos.
Relator do grupo Terceirização, o diretor do Hospital Regional de Alta Floresta, José Marcos Santos da Silva, destacou o empenho dos participantes em resolver os problemas e buscar soluções. “Os hospitais estão precisando dessa definição. Então, é fundamental que se defina o modelo de gestão para se desenvencilhar dos contratos com as OSS´s e, a partir daí, organizar os atendimentos de forma sistemática, garantindo o funcionamento estável e com equilíbrio, para que a população possa perceber o reflexo disso”.
Compras
Ficou definido que na próxima segunda-feira (24.07) os hospitais vão indicar os nomes de uma equipe técnica que estará responsável por fazer a análise com a relação dos medicamentos que devem ser comprados e também os produtos médico-hospitalares. De acordo com estas demandas, serão feitas as licitações.
Conforme Cassiano Malheiros, na próxima semana deverá ser publicada portaria com os integrantes da comissão. Como determinou o decreto, o grupo será formado por servidores da SES, da Procuradoria Geral do Estado (PGE) e da Controladoria Geral do Estado (CGE). “Esta comissão terá a função de subsidiar todas as ações tomadas em cumprimento ao decreto”, esclareceu.
Mato Grosso
Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.
Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.
Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.
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