Esporte
Apesar da crise, vem aí a segunda onda de estádios no Brasil
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Iniciativas são criticadas por especialista: ‘Depois do fiasco com os estádios da Copa, não sei por que querem isso’
Da Redação
O momento econômico favorável por que passava o Brasil e a realização da Copa do Mundo de 2014 possibilitaram a construção de novos estádios no País. Além das arenas erguidas para o Mundial, clubes como Palmeiras e Grêmio aproveitaram a onda para refazer suas Casas. Três anos depois, o quadro mudou e a economia brasileira sofre. Ainda assim, grandes times do futebol nacional começam a se planejar para construir seus próprios estádios ou reformar os que já têm.
Flamengo, Santos, Atlético-MG e Fluminense apresentaram publicamente propostas de nova arena, enquanto o Coritiba discute internamente alternativas de um novo estádio.
O especialista diz o que considera adequado a um clube fazer. “O correto seria fazer um business plan com antecedência, para decidir se vale a pena ter um estádio e não para ter o estádio. Vendo a viabilidade do plano, discutir com torcedores, conselheiros e imprensa, com transparência, e só então iniciar algo. Caso contrário, seria melhor ficar nos estádios que já existem, como o Pacaembu (caso do Santos) ou Mineirão (para o Atlético)”.
PROJETOS
O Flamengo apresentou em 11 de maio um compromisso de construir um estádio na Gávea, em parceria com a prefeitura do Rio de Janeiro. O clube ainda não tem o planejamento pronto, mas avança por ele. “Há um grupo de arquitetos trabalhando em cima disso. Toda semana nós temos três ou quatro reuniões, para que a gente possa finalizar o detalhamento do projeto”, diz o vice-presidente de patrimônio do clube, Alexandre Wrobel.
O dirigente justifica a opção pela Gávea, e garante que o clube se preocupa em não atrapalhar os moradores da região, que iniciaram um abaixo-assinado contra a construção. “O bairro do Leblon cresceu em torno da Gávea, que já foi utilizada como estádio algumas vezes, inclusive com arquibancada. Então, o Flamengo entende que é um projeto viável. Seria um presente para a cidade do Rio de Janeiro, revitalizaria toda essa área. O clube já teve conversas [com a associação de moradores do Leblon] num passado recente, e quando o projeto for detalhado em sua plenitude, voltaremos a conversar, pois nosso intuito é buscar um meio termo que seja bom para todo mundo”.
Sobre a capacidade reduzida (entre 20 e 25 mil pessoas), Wrobel diz que a intenção do clube é utilizar o estádio próprio em partidas menores. “Nosso foco continua sendo brigar pelo Maracanã e ter um estádio de pequeno porte, um estádio auxiliar, para jogos de pequeno apelo, de categorias de base”.
Financeiramente, o clube procura parceiros e confia na torcida para viabilizar a construção. “Há um business plan que vem sendo trabalhado, estudado, mas a ideia é que o Flamengo consiga viabilizar a construção através de campanhas que serão feitas junto a sócios, junto à grande Nação Rubro-Negra, e em conjunto com grupos que já se mostraram interessados em investir no negócio e ser parceiros do clube na exploração do estádio”, esclarece o vice-presidente.
OUTRA VILA
O Santos também já escolheu o terreno ideal: a sede da Associação Atlética dos Portuários, com quem o clube dividiria a utilização do estádio e das áreas sociais a serem construídas. Entretanto, parte do espaço que seria construído pertence à União, e o alvinegro negocia para obter controle dessa parte. O clube oferece uma área no Guarujá, onde o Governo Federal deseja construir moradias para o programa “Minha Casa, Minha Vida”, e seria adquirida por investidores que desejam ajudar no projeto.
Reformar a Vila Belmiro não seria uma alternativa. “A Vila é um problema. Ela tem só 17 mil m² de área, e não poderíamos construir para cima graças ao código urbano, pois atrapalharia a insolação da área” explica Modesto Roma Júnior, presidente do Santos.
No projeto, o clube prevê um estádio para 30 mil pessoas, capacidade insuficiente para sediar finais de torneios da Conmebol. “Não podemos construir um estádio pensando em um único jogo”, comenta o presidente. Dessa maneira, o clube ainda levaria jogos para o Pacaembu e até para a Vila Belmiro, dependendo do apelo da partida. A capacidade foi escolhida, segundo o dirigente, pois um estádio maior demandaria a construção de outros anéis e os custos da construção subiriam em demasiado.
Custos que devem ficar entre R$200 e 300 milhões de reais. “Não sairá um centavo do clube, será tudo bancado por investidores”, garante Modesto, afastando também a possibilidade da torcida ajudar a pagar a construção. “Temos um plano de investimentos que irá garantir o retorno aos fundos”, afirma o mandatário. A Arena do Santos será multiuso, com espaço para shows e eventos.
Com uma das piores médias de público do Campeonato Brasileiro, Modesto demonstra otimismo de que o número de pessoas nas partidas do Santos irá aumentar com a nova arena. “Se não tivesse essa esperança, não faria um novo estádio”.
Em Minas, o Atlético-MG pretende apresentar em 7 de agosto todos os detalhes do projeto de seu estádio aos conselho deliberativo do clube para receber o aval para a construção do estádio. “A Diretoria Executiva do Atlético vem trabalhando, já há alguns anos, para lhe apresentar um projeto que viabilize a construção do Estádio do Galo. A esta altura, todos os estudos técnicos para a sua realização já se encontram devidamente concluídos”, diz carta enviada pela diretoria aos conselheiros do clube.
No Fluminense, Pedro Antônio, ex-diretor de projetos especiais do clube, apresentou alguns detalhes da arena que seria construída aproveitando o espaço e materiais do Parque Olímpico da Barra. O estádio teria capacidade para um público entre 18 mil e 22 mil pessoas e custaria menos de R$ 100 milhões de reais. Porém, do conselho do clube ficaram descontentes com a exposição e Antônio perdeu o cargo. Uma das alternativas estudadas pelo Flamengo para um estádio de grande porte seria no mesmo local, o que motivou as diretorias dos dois clubes a soltarem uma nota conjunta garantindo que possuem iniciativas distintas e que uma não interfere na outra.
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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