Esporte
Rodrigo Parreira cai na chegada e conquista bronze no Mundial de Atletismo Paralímpico
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Brasileiro cruza a linha extenuado após lutar para conquistar a medalha nos 200 metros, classe T36
Da Redação
A vida do goiano Rodrigo Parreira, de 22 anos, começou com uma queda – quando estava grávida, sua mãe sofreu um acidente e caiu no chão. O que seria comum para milhares de pessoas foi quase fatal para o bebê, que por conta disso teve paralisia cerebral e nasceu com o lado esquerdo do corpo com movimentos prejudicados. Nesta segunda-feira, no Mundial de Atletismo Paralímpico de Londres, Rodrigo caiu mais uma vez – mas dessa vez, foi por que cruzou a linha de chegada extenuado após lutar muito para conquistar a medalha de bronze nos 200 metros, classe T36.
Após terminar a prova, Rodrigo sofreu uma queda feia e ficou na pista se contorcendo de dor. Três integrantes do Comitê Paralímpico Internacional foram até ele com uma cadeira de rodas. Foi só ali que ele ficou sabendo que havia conquistado a medalha de bronze. A dor pela queda, desta vez, se transformou em alegria.
A categoria do brasileiro é específica para competidores com deficiência motora por conta de paralisa cerebral. Ao assistir a prova, fica evidente para o torcedor que os para-atletas se esforçam muito para completá-la. Na final disputada pelo brasileiro, o ouro ficou com o australiano James Turner, que fez o tempo de 24s09 e cravou o novo recorde mundial da prova, e a prata com o polonês Krzysztof Ciuksza, com 25s04 – Rodrigo conseguia a terceira posição com um impressionante sprint nos últimos 100 metros, onde ultrapassou três rivais e cruzou a linha com o tempo de 25s19, apenas dois centésimos à frente do malaio Mohamad Puzi.
AGENDA
A programação da manhã de terça-feira, 18 de julho, será de luta por medalhas para dois brasileiros. Primeiro, às 6h30 (horário de Brasília), André Rocha participa da final do lançamento de disco, classe T52. Três minutos depois, será a vez de Izabela Campos começar a disputa, mas na categoria F11.
Fonte: O Estado de S.Paulo
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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