Mato Grosso
EXCLUSIVO: CONSELHEIRO DO TCE E O FANTÁSTICO ‘MILAGRE’ DA MULTIPLICAÇÃO DO PATRIMÔNIO
Mato Grosso
Da Redação: Pedro Ribeiro/Laerte Lannes
Reportagem Especial
Você conseguiria comprar uma fazenda de 1.165,79 hectares no município de Nossa Senhora do Livramento que custa, a preço de mercado, alguns milhões por “apenas” R$ 26.960,00? O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso, conselheiro Antônio Joaquim de Moraes Rodrigues Neto conseguiu esse, digamos, ‘milagre’.
E recebeu a graça na compra não só de uma, mas de duas fazendas. Em termos terrenos, com um abatimento de pelo menos 30.000% nos preços dos imóveis, foram verdadeiros negócios da China.
Você conseguiria comprar terreno em um dos bairros mais nobres de Cuiabá por bagatelas de R$ 20.000,00?
Joaquim também conseguiu essa dadiva divina.
Para entender o caso: o conselheiro que está na sua segunda gestão como presidente da Corte de Contas do estado – declarou à Ata de reunião de sócios da sociedade limitada Rancho T Agropecuária da qual faz parte, no ano de 2015/2016/2017, bens que totalizam o valor de R$ 2.496.960,00 milhões.
Dinheirama menor do patrimônio do que ele tinha declarado nos anos 2014/2013/2012 e que somam R$ 3.673,960 milhões. Tudo bem que a coerência férrea costuma ser um atributo da burrice.
Está certo que um gestor público precisa de jogo de cintura e algum contorcionismo para moldar-se às circunstâncias. Mas o conselheiro do TCE de Mato Grosso anda exagerando nas afirmações contraditórias.
É lógico que os valores das propriedades do julgador de contas seriam evidentes se Cuiabá fosse um Ducado e se Mato Grosso fosse um Principado.
Joaquim poderia invocar a princesa Dulcinéia – assim como fez Dom Quixote de La Mancha (obra do espanhol Miguel de Cervantes), para que intercedesse junto ao Rei – e dar terras e rendas para seu povo.
Nesse caso, o conselheiro poderia reivindicar o ‘milagre’ de conseguir comprar terras baratas e ser, espécie de ‘salvador’ para os mato-grossenses.
O certo é que Antônio Joaquim tem uma invejável inclinação para feitos que apenas Jesus Cristo foi capaz de sacramentar, como o episódio do ‘milagre’ dos peixes.
O conselheiro mesmo com elementos inquestionáveis, não faz referência à multiplicação do seu patrimônio a partir de quando entrou na administração pública, desde a década de 80, como estagiário do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), no governo Júlio Campos, até hoje, analisando contas públicas no Tribunal de Contas (TCE).
Ele ganha por mês cerca de R$ 40 mil. Isso sem descontar a previdência estadual e nem imposto de renda. O conselheiro tinha em 1996 declarado para a receita federal R$ 120.531,20. Um ano depois, em 1997, ele consegue saltar para R$ 188.429,93 mil mais de 50% de seus rendimentos.
Um feito inédito é que só os ‘mágicos’ e os ‘sortudos’ conseguem ganhar.
Quase 20 anos depois, o conselheiro salta para uma cifra estratosférica de bens e rendimentos e chega a R$ 152.526.700,00 milhões.
Dados cruzados pela reportagem e que contou com a ajuda de economistas aponta que o conselheiro conseguiu aumentar o seu patrimônio em mais de 15.000.00%. A cifra é essa mesmo: mais de 15.000.00%. Os bens de Antônio Joaquim ultrapassam os R$ 152 milhões.
Enquanto o crescimento dos bens do conselheiro, entre 1996 a 2016, ultrapassou 15.000% (já descontada a inflação), a poupança rendeu 19% no período, o ouro se valorizou em 49%, e o índice Ibovespa, que reúne as ações das principais empresas brasileiras, cresceu 61%.
Os bens do conselheiro incluem-se: fazendas, gados, cavalos de raças, carros nacionais, carros importados, mansões, terrenos urbanos, chácaras, apartamentos, quadros de pinturas, casas no manso e pantanal, barcos, jet sky, aplicações em rendas fixas e cadernetas de poupança.
Todas essas aquisições do conselheiro são incompatíveis com sua renda.
O que se viu foi à elevação de seus bens, desde quando ele assumiu como conselheiro do Tribunal de Contas. Numa guinada radical – Joaquim – como citado no inicio dessa reportagem, mudou a função social das suas fazendas, transformando-as em empresas agropecuárias.
O conselheiro passou também, nos últimos anos, a investir na compra de imóveis em Cuiabá e Várzea Grande e de terras e gados em Nossa Senhora do Livramento e Barra do Garças.
Com medo de ser investigado pelo Ministério Público, o conselheiro dividiu a sociedade de sua agropecuária de fazendas com a esposa e filhas.
Outra situação nada inovadora é que a maior fazenda do conselheiro, a Rancho T tem até pista de avião.
O plantel da fazenda do conselheiro é de milhares de cabeças de gados nelores, além de que – Antônio Joaquim – realiza anualmente leilões de vendas de gados reprodutores, cerca de 200 por edição.
Mas, como um sujeito que nasceu em São José de Baliza, corruptela que fica encravado no sertão do estado de Goiás e filho do casal humilde – retirantes do estado do Maranhão, Antônio Joaquim Rodrigues e Hermenegilda Rodrigues, ficou milionário da noite para o dia? Mas vejam as voltas que a vida dá. Joaquim, que já foi deputado estadual e federal e agora gestor do TCE, descobriu essa vocação ainda maior para os negócios.
Continuou lutando por uma vida melhor, mas só que para a sua família. Depois de alguns anos já é chamado o ‘Rei do Gado’, com uma evolução patrimonial excepcional.
Um faro e uma sorte nos negócios de deixar Eike Batista com inveja. Além de muito competente para aumentar o patrimônio, o conselheiro também é muito esperto.
Atualizou o capital social de sua agropecuária para não parecer que ficou rico demais, depressa demais. Mas, Antônio Joaquim, não é um fenômeno sozinho.
Ele e os conselheiros José Carlos Novelli, Valter Albano, Waldir Teis e Sérgio Ricardo (afastado pela justiça) estão sendo acusado de “extorsão” contra o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) em R$ 50 milhões.
O montante foi dividido entre R$ 10 milhões para cada, para aprovar contas e fazer ´vistas grossas´ nas obras da Copa do Mundo de 2014.
Mas para que ninguém tenha dúvidas sobre a evolução patrimonial do conselheiro que em três décadas sempre se manteve perto do poder, em diferentes governos, todos os documentos relativos à evolução de sua riqueza, são oficiais. É uma evolução realmente fantástica!
Evolução patrimonial de Antônio Joaquim
1996 1997 2015
| R$ 120.531,20 | R$ 188.429,93 | R$ 152 milhões |
Bens do conselheiro ultrapassam R$ 152 milhões
*Apartamento (Fontana di Trevi) – situado na avenida Presidente Marques – valor R$ atual R$ 300.000,00
*Uma área de terras com 703 hectares (Nossa senhora do Livramento) – valor atual R$ 17.575 milhões
*Sitio Sucury com 221 hectares (Nossa Senhora do Livramento) – valor atual R$ 4.420 milhões
*Área rural com 216 hectares (Nossa Senhora do *Livramento) – valor atual R$ 4.320 milhões
*Área rural com 66 hectares (Nossa senhora do Livramento) – valor atual R$ 1.320 milhão
*Área rural com 200 hectares (Nossa Senhora do Livramento) – valor atual R$ 5.000 milhões
*Fazenda Rancho T com 1.165,79 hectares (Nossa senhora do Livramento) – valor atual R$ 34.973,700 (milhões)
*Fazenda Santa Fé com 2.014,80 hectares (Nossa Senhora do Livramento) – valor atual R$ 70.518,000 (milhões)
*03 terrenos no loteamento Jardim Morada dos Nobres (Cuiabá) – valor atual R$ 160 mil
*01 terreno no loteamento Jardim Morada do Nobres (Cuiabá) – valor atual R$ 100 mil
*Casa no condomínio Alphaville, localizado no bairro Jardim Itália (Cuiabá) – valor R$ 5 milhões
*Carros nacionais (Cuiabá) – valor atual R$ 150 mil
*Carros importados (Cuiabá) – R$ 200 mil
*Investimentos (Cuiabá) – R$ 3 milhões
Clique para ampliar os documentos:
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Mato Grosso
Juiz Agamenon Alcântara é o entrevistado da 48ª edição do programa “Por dentro da Magistratura”
Na próxima sexta-feira (12), a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) exibirá a 48ª edição do programa “Por dentro da Magistratura”. Realizada em parceria com a Coordenadoria de Comunicação do Poder Judiciário estadual, a edição traz uma entrevista exclusiva com o secretário-geral do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), juiz Agamenon Alcântara Moreno Júnior, que abordará ações relacionadas à gestão institucional e o panorama da carreira jurídica.
Natural de Cuiabá, onde morou no bairro do Porto, o entrevistado possui uma sólida trajetória na área jurídica. Graduado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em 1992, atuou como advogado, técnico judiciário e assessor jurídico antes de ingressar na magistratura em Roraima, onde exerceu a função de 1996 a 1999. Em fevereiro de 1999, após aprovação em concurso público, tomou posse como juiz substituto em Mato Grosso, dando início a uma longa carreira em seu estado natal.
Ao longo de mais de duas décadas de atuação em Mato Grosso, o magistrado acumulou expressiva experiência na área administrativa do Tribunal de Justiça e na Justiça Eleitoral. Titular da Primeira Vara Especializada da Fazenda Pública de Várzea Grande, ele alia a prática diária à dedicação acadêmica: é doutorando pela Fadisp, mestre pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, além de especialista em Direito Público, Administrativo, Penal e Processo Penal.
Durante a entrevista, o secretário-geral analisa a transição do papel do juiz na era digital e defende uma atuação proativa, focada no diálogo com a comunidade e na conciliação para evitar a judicialização excessiva. “O juiz precisa interagir e até antecipar à judicialização, […] conseguindo, na sua atuação, fazer acordos ou resolver questões pré-processuais. Eu adoro a questão pré-processual”.
Assista neste link à chamada do programa.
https://www.youtube.com/watch?v=3S98epEohpY
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.
Autor: Lígia Saito
Fotografo:
Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT
Email: [email protected]
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