Saúde

Comissão da Covid-19 cobra informações de gastos com proteção aos povos indígenas

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Da Redação.

A pedido do senador Wellington Fagundes (PL-MT), a Comissão Especial da Covid-19, aprovou,  nesta terça-feira, 21, pedido de informações ao Ministério da Economia sobre o orçamento destinado ao amparo aos indígenas perante a pandemia do novo coronavírus. Segundo o senador Confúcio Moura (MDB-RO), presidente da Comissão, o acompanhamento se torna “especialmente” importante com a aprovação do Projeto de Lei que instituiu o Plano Emergencial para Enfrentamento à Covid-19 nos Territórios Indígenas, objeto de numerosos vetos presidenciais.

De acordo com levantamento do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), o Orçamento para a saúde indígena sofreu um corte de 16% no ano passado, o que aponta para enormes dificuldades de atuação do Poder Público no atendimento aos povos indígenas diante dos desafios impostos pela pandemia de covid-19. “A crise de saúde pública, de fato, causa grande preocupação por sua elevada incidência entre os povos indígenas” – ressaltou.

Além do pedido de informações orçamentárias, a Comissão aprovou requerimento para realizar audiência pública com o intuito de debater as medidas de proteção adotadas pelo Governo Federal a indígenas durante a pandemia” com a presença de representantes do Ministério da Justiça, Ministério da Economia e também do Ministério da Saúde. A data ainda será definida.

A exemplo do que vinha fazendo há pelo menos um mês, o senador Wellington Fagundes recorreu a Comissão Mista da Covid-19 pedindo apoio para que fossem requisitadas providências destinadas à proteção da saúde da etnia Xavantes. Ele relatou durante audiência que a pandemia havia ocasionado “perdas de vidas em números altíssimos” e chegou a alertar que que diversos povos indígenas “correm risco de serem dizimados por essa doença”.

Entre os xavantes, já foram registradas 32 mortes. Entre elas, de um dos líderes da comunidade aldeada próximo a cidade de Barra do Garças, na divisa entre Mato Grosso e Goiás, na região do Vale do Araguaia. Domingos Mahoro, de 60 anos, estava em um hospital particular de Primavera do Leste, a 239 km de Cuiabá, onde ficou internado por três dias à espera de um leito de UTI.  

O Comitê Nacional pela Vida e Memória Indígena, organizado pela Associação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), informou que há mais de 407 mortos dentro das comunidades indígenas.

Wellington Fagundes relatou aos deputados federais e senadores o risco de colapso na rede de atendimento à saúde na cidade de Barra do Garças, com os leitos hospitalares quase que totalmente ocupados pelos índios. Ele cobrou do Governo Federal a instalação de um hospital de campanha, aproveitando da base do Exército na cidade de Aragarças. “As medidas para estancar a contaminação do povo indígena são urgentíssimas” – pediu. 

No sábado, após audiência pública na Câmara dos Deputados, o secretário Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde (Sesai), Robson Santos, se reuniu com equipes do Governo para traçar uma estratégia de enfrentamento ao vírus nas reservas indígenas do Estado. Todavia, os valores investidos na saúde indígena são desconhecidos. “Eu creio que esse requerimento vai fazer com que o Ministério tenha mais atenção ainda com a questão indígena do Brasil mas, em especial, aqui, no Mato Grosso” – frisou o senador.

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

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Saúde

HMC recebe quase metade dos pacientes regulados pelas UPAs e reforça papel estratégico na saúde de Cuiabá

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Da Redação

 

O Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) consolidou sua posição como principal unidade de retaguarda da rede municipal de urgência e emergência. Levantamento referente aos meses de maio e junho de 2026 mostra que o hospital foi responsável por 44,8% de todas as transferências realizadas pelas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Cuiabá, recebendo 661 dos 1.479 pacientes regulados no período.
Os números evidenciam a importância da unidade na organização da assistência hospitalar. Sozinho, o HMC recebeu quase quatro vezes mais pacientes que o segundo hospital com maior volume de transferências, contribuindo para garantir maior agilidade na internação de pacientes e desafogar as UPAs.
A secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, destacou que os resultados refletem o fortalecimento da rede pública de saúde.
“Os números demonstram que o Hospital Municipal de Cuiabá cumpre um papel essencial na organização da nossa rede de urgência e emergência. Ser responsável por praticamente metade das transferências das UPAs significa garantir acesso mais rápido à internação, desafogar as unidades de pronto atendimento e oferecer um cuidado mais resolutivo à população. Nosso compromisso é continuar fortalecendo a rede municipal com planejamento, investimentos e ampliação da capacidade assistencial”, afirmou.
Liderança nas internações em enfermaria
O desempenho do HMC torna-se ainda mais expressivo quando analisadas apenas as internações em enfermaria. Nos dois meses avaliados, a unidade recebeu 638 pacientes — 335 em maio e 303 em junho —, concentrando 53,6% de todas as transferências destinadas a leitos clínicos e cirúrgicos da rede.
Nas admissões em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a maior demanda foi absorvida pelo Hospital Municipal São Benedito (HMSB) e pelo Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá (HPSMC), responsáveis por 27,3% e 24,9% das vagas, respectivamente. O HMC respondeu por 8% das internações em terapia intensiva, reforçando sua vocação como principal retaguarda para leitos de enfermaria.
Além do HMC, o HPSMC e o HMSB receberam 170 e 164 pacientes regulados, respectivamente. Outro destaque foi o Hospital Estadual de Câncer, que registrou crescimento superior a 200% nas transferências entre maio e junho, passando de 25 para 79 pacientes.
Gestão destaca eficiência e qualidade da assistência
A diretora-geral da Empresa Cuiabana de Saúde Pública, Kelluby de Oliveira, atribuiu os resultados ao trabalho integrado das equipes e ao fortalecimento da gestão hospitalar.
“O protagonismo do HMC é resultado do empenho diário de equipes multiprofissionais altamente qualificadas e de uma gestão comprometida com a eficiência e a humanização da assistência. Além de sermos referência em urgência, emergência, politrauma e tratamento de queimados, temos ampliado a oferta de cirurgias eletivas e procedimentos especializados, garantindo mais acesso e qualidade no atendimento prestado aos usuários do SUS”, destacou.
Hospital amplia serviços especializados
Referência estadual em urgência, emergência, politrauma, traumato-ortopedia e tratamento de queimados, por meio do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), o HMC funciona em regime de portas abertas para atendimentos de urgência e emergência.
A unidade dispõe de enfermarias adulta e infantil, Hospital Dia, centros cirúrgicos, salas de medicação e decisão médica, seis leitos destinados à saúde mental e estrutura completa para assistência ambulatorial e hospitalar.
Nos últimos meses, o hospital também ampliou a oferta de procedimentos especializados. Entre junho e julho, iniciou um mutirão de cirurgias de vesícula por videolaparoscopia, com previsão de 30 procedimentos para reduzir a fila de espera do Sistema Único de Saúde (SUS).
Outra ação inédita colocou Cuiabá em destaque no cenário nacional. O HMC promoveu um mutirão exclusivo de cirurgias reparadoras para vítimas de queimaduras elétricas decorrentes de acidentes de trabalho, tornando-se a única unidade do país a realizar uma iniciativa voltada exclusivamente para esse público. Aproximadamente 20 pacientes foram atendidos durante a ação.
Para o diretor técnico do HMC, Dr. Eduardo Andraus, os indicadores confirmam a capacidade da unidade em atender pacientes de média e alta complexidade.
“O HMC foi concebido para ser um hospital de alta resolutividade. Nossa capacidade de receber pacientes regulados das UPAs permite que essas unidades continuem atendendo novos casos de urgência e emergência. Contamos com equipes preparadas, protocolos bem estabelecidos e uma estrutura capaz de atender desde casos clínicos até situações de alta complexidade, como politrauma, queimados e cirurgias especializadas. Os resultados de maio e junho demonstram que estamos cumprindo essa missão com eficiência”, concluiu.

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