Economia
Temer deve sancionar reforma trabalhista ainda hoje
Economia
Cerimônia está marcada para as 15h na agenda do presidente; evento deve contar com a participação do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles
Da Redação
Depois de um dia de mais de 15 horas de conversas e de articulação política, o presidente Michel Temer, que deixou o Planalto por volta de 1h da manhã desta quinta-feira, 13, deve sancionar o texto final da reforma trabalhista ainda hoje, em uma cerimônia marcada para as 15h no Palácio.
O evento deve contar com a presença do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, entre outros membros do governo.
A reforma trabalhista foi aprovada no plenário do Senado na última terça-feira, 11. Uma das estratégias do governo foi prometer mudanças no texto final por meio de vetos do presidente ou Medidas Provisórias que seriam encaminhadas ao Congresso.
Durante a tramitação no Senado, Temer enviou um documento a senadores em que se comprometeu com as mudanças, dando carta branca ao líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), para negociar as alterações.
Na madrugada seguinte à aprovação do texto na Casa, porém, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou em sua conta no Twitter que a Câmara não aprovaria nenhuma mudança no texto aprovado por senadores, o que fez com que até senadores da base do governo cobrassem o acordo feito por Temer.
Mais tarde, Maia amenizou o tom e afirmou que aprovação de mudanças dependerá do texto. “Não posso falar daquilo que não conheço”, disse o presidente da Câmara ao Broadcast Político.
Fonte: O Estado de S. Paulo
Economia
Entidades do setor produtivo cobram cortes maiores da Selic
A redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), foi considerada insuficiente por entidades do setor produtivo e por representantes sindicais, que apontam efeitos negativos sobre investimentos, consumo e renda.

A Selic foi reduzida de 14,75% para 14,50% ao ano, mas, na avaliação dessas instituições, o nível ainda elevado dos juros continua pressionando a economia.
Indústria
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que o corte foi tímido e mantém o custo do crédito em patamar elevado. Para a entidade, isso compromete investimentos e a competitividade do setor produtivo.
“O custo do capital continuará em um nível proibitivo, inviabilizando projetos e investimentos que poderiam ampliar a competitividade industrial”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
A entidade também aponta deterioração financeira de empresas e famílias. “O endividamento das empresas e das famílias bate recorde mês a mês, fragilizando a saúde financeira de toda a economia”, completou.
Comércio
A Associação Paulista de Supermercados (APAS) também considera que o Banco Central poderia ter adotado uma redução mais significativa da taxa de juros.
“O Banco Central, desde a última reunião, já poderia ter ampliado o afrouxamento monetário”, afirmou o economista-chefe da entidade, Felipe Queiroz.
Segundo Queiroz, o atual patamar da Selic penaliza a atividade econômica. “Estamos vendo muitas empresas entrando em recuperação judicial, endividamento das famílias aumentando e o custo com o serviço da dívida também”, disse.
A entidade também destaca o efeito dos juros sobre os investimentos. “Há um estímulo muito grande ao capital especulativo, em detrimento do setor produtivo”, avaliou.
Centrais sindicais
A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Central Única dos Trabalhadores (Contraf-CUT) critica o ritmo de queda da Selic e afirma que a política monetária tem impacto direto sobre a renda da população.
“A redução de 0,25% é muito pouco. O nível de endividamento das famílias está enorme”, afirmou a presidenta da entidade, Juvandia Moreira.
Ela ressalta que a taxa básica influencia todo o sistema financeiro. “Quando a Selic sobe, os bancos cobram mais caro no crédito. Quando cai, o crédito fica mais barato, mas essa redução ainda é insuficiente”, disse.
A Força Sindical também classificou a decisão como insuficiente e destacou impactos negativos sobre a economia.
“A redução foi tímida e mantém os juros em patamar elevado”, afirmou a entidade em nota.
Segundo a central, a política de juros altos afeta diretamente o crescimento do país. “Os juros restringem investimentos, freiam a produção e comprometem a geração de empregos e renda”, destacou.
A entidade também relaciona o cenário ao endividamento das famílias. “O alto nível de endividamento está diretamente ligado ao custo elevado do crédito”, concluiu.
Pressão por novos cortes
Apesar de representarem setores diferentes, as entidades convergem na avaliação de que há espaço para uma redução mais acelerada da taxa básica de juros.
O ponto em comum entre indústria, comércio e representantes dos trabalhadores é o diagnóstico de que o atual nível da Selic ainda impõe restrições relevantes ao crescimento econômico, ao crédito e ao consumo no país.
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