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Tião da Zaeli diz que Flávia Moretti já deixou o PL na prática

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O presidente da Fecomércio-MT e ex-vice-prefeito de Várzea Grande, Tião da Zaeli (PL), afirmou que a prefeita Flávia Moretti (PL) já se afastou politicamente do Partido Liberal e que, na prática, não integra mais o grupo da legenda. A declaração ocorre em meio ao agravamento do conflito entre a prefeita e a direção estadual do PL, após Moretti sinalizar apoio à candidatura de Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Governo de Mato Grosso.

“A Flávia já saiu do PL”, disparou Zaeli em entrevista ao HNT.

Segundo ele, a decisão de Moretti de apoiar um candidato de outra legenda, que está no campo oposto ao projeto oficial do PL para o Governo do Estado, acabou aprofundando o distanciamento entre ela e a direção partidária.

O rompimento político ganhou força depois que Moretti passou a demonstrar apoio a Pivetta, enquanto o PL trabalha com a candidatura do senador Wellington Fagundes ao Palácio Paiaguás. A direção estadual da sigla já anunciou que prefeitos que apoiarem candidatos adversários poderão perder o comando dos diretórios municipais, além de estarem sujeitos a procedimentos internos por infidelidade partidária.

A crise também teve reflexos diretos no comando do PL em Várzea Grande. Zaeli deixou a presidência municipal da legenda após renunciar ao cargo de vice-prefeito, em março deste ano, em meio ao rompimento com Flávia. Depois disso, o presidente estadual do partido, Ananias Filho, extinguiu a comissão provisória que estava sob comando da prefeita.

Agora, o médico Alencar Farina (PL) foi colocado como nome para assumir a direção do partido no município. Zaeli afirmou que participou da articulação para que Farina ocupasse o espaço e disse considerar que o empresário e médico tem serviços prestados a Várzea Grande.

“Foi uma ideia minha”, revelou Zaeli ao comentar a indicação. Ele afirmou ainda que conversou com Ananias e defendeu o nome de Farina por sua atuação na cidade. “Ele já ajuda Várzea Grande e tem o meu apoio”, declarou.

O ex-vice-prefeito também voltou a fazer críticas à administração de Flávia e afirmou que não pretende retomar o diálogo político com a prefeita. O relacionamento entre os dois, que começaram a gestão como aliados, se deteriorou ao longo do mandato e culminou na renúncia de Zaeli à vice-prefeitura.

A situação coloca Flávia diante de um impasse dentro do próprio partido. Embora continue filiada ao PL e tenha sido eleita pela legenda, a prefeita perdeu espaço na direção municipal e agora enfrenta um procedimento administrativo anunciado pelo comando estadual por suposta infidelidade partidária. O caso ainda deverá seguir os trâmites internos da sigla, com direito de defesa.

O conflito também ganha peso eleitoral porque Flávia é uma das principais prefeitas do PL em Mato Grosso, enquanto Pivetta aparece como adversário direto do projeto eleitoral defendido pela direção liberal. O embate, portanto, ultrapassa a relação pessoal entre Moretti e Zaeli e passa a representar mais um capítulo da disputa interna do partido para 2026.



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MPE quer recuperar área pública ocupada por mansão e comércios em Cuiabá

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O Ministério Público de Mato Grosso (MPE) entrou na Justiça para recuperar uma área pública que, segundo o órgão, foi ocupada irregularmente por imóveis residenciais e comerciais no Residencial Nico Baracat, em Cuiabá. A ação civil pública, assinada pela promotora de Justiça Maria Fernanda Corrêa da Costa, pede a desocupação e a demolição de 11 construções erguidas na chamada “Área Verde 01”, pertencente ao município.

Entre as edificações identificadas estão padarias, pizzarias, distribuidoras de bebidas, oficina mecânica, farmácia e uma igreja evangélica. O local também abriga uma construção de alto padrão, descrita na ação como um imóvel de grande metragem, com piscina, painéis solares e espaço para vários veículos.

Para o Ministério Público, o problema vai além da ocupação irregular do terreno. O órgão sustenta que a maior parte das construções estaria sendo utilizada comercialmente, permitindo que particulares obtenham lucro a partir de um espaço que deveria permanecer destinado ao uso coletivo.

“Quase todas as edificações existentes no local são utilizadas para fins comerciais”, afirma trecho da ação, segundo o qual a exploração dos imóveis restringiria o aproveitamento da área pública pela população.

De acordo com o processo, as construções começaram a surgir a partir de 2019. Desde 2022, o município teria adotado medidas administrativas para tentar retirar os ocupantes da área, mas, segundo o MPE, nenhum deles deixou o espaço voluntariamente.

Na ação, a promotoria pede que a área seja desocupada em até 90 dias e que, posteriormente, as edificações sejam demolidas. O órgão também solicita que os resíduos resultantes das demolições tenham destinação ambientalmente adequada.

Além disso, o MPE quer uma decisão urgente para impedir novas construções, ampliações ou transferência dos imóveis para terceiros enquanto o processo estiver em andamento. A promotoria também aponta risco de que a ocupação avance para outras áreas públicas localizadas na região oeste de Cuiabá.

Outro pedido apresentado é a condenação dos ocupantes ao pagamento de indenização por dano moral coletivo. Como parâmetro, o Ministério Público sugere que o valor seja calculado mensalmente entre 0,5% e 1% do valor venal de cada imóvel, considerando o período de ocupação. A quantia, caso seja fixada pela Justiça, deverá ser destinada ao Fundo Municipal de Meio Ambiente.

O MPE também pediu multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento das determinações judiciais. A ação ainda será analisada pela Justiça, portanto os pedidos apresentados pelo Ministério Público não representam, neste momento, uma decisão definitiva sobre a situação dos imóveis. A legislação municipal de Cuiabá estabelece proteção específica às áreas verdes e proíbe edificações nesses espaços.



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