Agricultura
Receita das cooperativas do agro cresce R$ 49 bilhões
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As cooperativas agropecuárias brasileiras ampliaram a receita em aproximadamente R$ 49 bilhões em 2025, mas encerraram o ano com redução nas sobras destinadas aos associados. O resultado mostra que o crescimento das operações não foi suficiente para compensar o aumento dos custos financeiros, industriais e logísticos enfrentados pelo setor.
Os dados estão no Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, divulgado na sexta-feira (31.07) pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).
A movimentação financeira das cooperativas do agro passou de aproximadamente R$ 438,2 bilhões em 2024 para R$ 487,3 bilhões no ano passado, crescimento de 11,2%.
As sobras fizeram o caminho inverso. O valor caiu de cerca de R$ 30,2 bilhões para R$ 29,2 bilhões, redução de 3,3%. Na prática, o setor movimentou mais dinheiro, mas terminou o exercício com aproximadamente R$ 1 bilhão a menos em resultados.
No cooperativismo, as sobras correspondem ao valor que permanece depois do pagamento dos custos, despesas e obrigações. A assembleia dos associados decide quanto será distribuído aos cooperados e quanto ficará na organização para reforçar o capital, formar reservas ou financiar novos investimentos.
O valor recebido por cada associado costuma ser calculado de acordo com sua movimentação. Podem ser considerados o volume de produção entregue, as compras realizadas e a utilização dos serviços oferecidos pela cooperativa.
A queda das sobras ocorre em um momento de margens apertadas no campo. Juros elevados, custos de armazenagem e transporte, despesas industriais e preços menores para algumas commodities pressionaram os resultados das cooperativas e dos produtores.
A relação entre as sobras e a movimentação financeira caiu de aproximadamente 6,9% em 2024 para 6% em 2025. O indicador não equivale à margem de lucro de uma empresa convencional, mas ajuda a mostrar que uma parcela maior da receita foi absorvida pelas despesas.
Mesmo com a redução no resultado, o agro manteve ampla liderança dentro do cooperativismo nacional. O segmento respondeu por 57,4% de toda a movimentação financeira das cooperativas brasileiras.
O País encerrou 2025 com 1.254 cooperativas agropecuárias e 1,13 milhão de produtores associados. Essas organizações mantiveram 277,2 mil empregos diretos, quase metade dos postos de trabalho gerados por todo o sistema cooperativista.
A importância para o produtor vai além da comercialização. As cooperativas participam de 53% da produção brasileira de grãos, possuem 25% da capacidade nacional de armazenagem e respondem por 22% da carteira de crédito rural, segundo o anuário.
Essa estrutura permite que produtores negociem insumos em maior escala, armazenem a colheita, industrializem matérias-primas e vendam a produção de forma conjunta. Em regiões com pouca concorrência ou infraestrutura insuficiente, a cooperativa pode ser o principal canal de acesso a crédito, assistência técnica e mercado.
O segmento mantinha 10,7 mil profissionais de assistência técnica e extensão rural em 2025. São agrônomos, veterinários, técnicos agrícolas e outros profissionais que atendem os associados no planejamento das lavouras, na sanidade dos rebanhos e na gestão das propriedades.
Os ativos das cooperativas agropecuárias chegaram a R$ 340,1 bilhões, alta de 10,6%. O valor inclui armazéns, indústrias, máquinas, estoques, créditos e outros bens e direitos controlados pelas organizações.
O crescimento patrimonial pode ampliar a capacidade de receber, processar e comercializar a produção. Ao mesmo tempo, exige capital para manter as estruturas em funcionamento, especialmente em um período de juros elevados.
No mercado externo, 140 cooperativas venderam aproximadamente R$ 96 bilhões em produtos em 2025. O volume representou 10,3% das vendas internacionais do agronegócio brasileiro.
Café, carnes de aves e suínos, farelo e óleo de soja ficaram entre os principais produtos comercializados. China, Japão, Estados Unidos, Alemanha e Países Baixos foram os maiores destinos.
A participação internacional, porém, está concentrada. Apenas dez cooperativas responderam por 67% do valor vendido ao exterior. O dado mostra que a maior parte das organizações ainda enfrenta dificuldades para alcançar outros países, seja por falta de escala, estrutura logística, certificações ou regularidade na oferta.
Para o produtor, o desempenho de uma cooperativa não deve ser avaliado apenas pelo faturamento. Preço pago pela produção, custo dos insumos, qualidade da assistência técnica, capacidade de armazenagem, nível de endividamento e sobras devolvidas ao associado são indicadores mais próximos do resultado efetivo dentro da propriedade.
Considerando todos os ramos, o cooperativismo brasileiro movimentou R$ 848,4 bilhões em 2025. O sistema reuniu 4.400 cooperativas, 29 milhões de associados e 613,4 mil empregados. O agro permaneceu como o principal responsável pelas receitas e pelos empregos.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Quebra de 9,3% de países concorrentes abre oportunidades para o Brasil
A previsão de queda na produção de café da América Central e do México abre uma oportunidade comercial para os produtores brasileiros, especialmente no mercado de arábica. Enquanto países concorrentes enfrentam problemas climáticos e perdas de produtividade, o Brasil caminha para encerrar 2026 com uma safra recorde de 67,6 milhões de sacas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A combinação entre maior disponibilidade nacional e menor oferta em outros países pode favorecer a presença brasileira no comércio internacional e ajudar a sustentar os preços.
O novo cenário foi apresentado pela comercializadora internacional Sucafina, que estima uma redução de 9,3% na produção conjunta da América Central e do México na safra 2026/27, iniciada em outubro. O volume deverá ficar abaixo de 18 milhões de sacas de 60 quilos, depois de alcançar 19,68 milhões na temporada anterior. A diferença representa uma redução estimada superior a 1,8 milhão de sacas.
Honduras e México devem registrar as maiores quedas, seguidos pela Guatemala. Esses países disputam espaço com o Brasil em importantes mercados consumidores, especialmente no fornecimento de café arábica. Uma oferta menor pode levar compradores internacionais a buscar volumes adicionais em outras origens, criando oportunidades para exportadores brasileiros.
A situação se torna ainda mais favorável ao Brasil quando se observa o desempenho da produção nacional. A Conab estima crescimento de 19,6% na safra brasileira de 2026, que deverá alcançar o maior volume de sua série histórica. O destaque é justamente o arábica, com previsão de 48,2 milhões de sacas, aumento de 34,8% em relação ao ano passado.
Minas Gerais, principal produtor nacional, responde por aproximadamente 35 milhões de sacas de arábica. São Paulo também apresenta recuperação expressiva, com produção estimada em 6,19 milhões de sacas da variedade. O avanço foi favorecido pela bienalidade positiva dos cafezais, pelas condições climáticas durante o desenvolvimento das lavouras e pelos investimentos em tecnologia.
Além da redução do volume, os concorrentes enfrentam dificuldades relacionadas à qualidade dos grãos. Segundo a Sucafina, a falta de chuvas e as temperaturas elevadas prejudicaram o desenvolvimento dos frutos em diferentes regiões produtoras. Também foram identificados problemas de enchimento dos grãos e aumento dos danos provocados pela broca-do-café.
Essas dificuldades podem favorecer cafés brasileiros que atendam aos padrões exigidos pelos compradores internacionais. No mercado de arábica, a regularidade do fornecimento, a classificação dos grãos e a qualidade da bebida são fatores importantes na escolha da origem. A eventual redução da disponibilidade de determinados padrões de café na América Central pode ampliar o interesse por produtos brasileiros equivalentes.
O movimento ocorre em um mercado mundial que continua crescendo. De acordo com estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o consumo global deverá alcançar 179,7 milhões de sacas em 2026/27, avanço de 3,6% em relação ao ciclo anterior. A demanda crescente oferece espaço para fornecedores capazes de manter volumes regulares e atender às exigências de qualidade.
A oportunidade, entretanto, não significa aumento automático das cotações. O USDA também projeta produção mundial recorde de 189,7 milhões de sacas, com recuperação da oferta em importantes países produtores. Esse cenário pode limitar a valorização internacional, mesmo diante das perdas previstas na América Central.
Para o cafeicultor brasileiro, a combinação entre maior produção nacional e dificuldades de concorrentes reforça a importância do planejamento comercial. A disponibilidade de café permite atender novos pedidos, mas a rentabilidade dependerá dos preços negociados, do câmbio, da qualidade dos lotes e dos custos de produção.
A perspectiva é particularmente relevante para produtores de arábica de Minas Gerais, São Paulo e outras regiões tradicionais. Com a colheita brasileira praticamente concluída, o país dispõe de uma oferta expressiva justamente quando a safra de concorrentes começa a apresentar sinais de redução.
A confirmação das perdas dependerá do andamento da colheita na América Central e no México, que deverá atingir seu período de maior intensidade entre dezembro e fevereiro. Até lá, a estimativa da Sucafina representa um sinal favorável à competitividade brasileira, mas ainda não uma garantia de novos contratos ou preços mais elevados.
Para o Brasil, o principal ganho potencial está na possibilidade de ampliar sua participação nos mercados internacionais, aproveitando a combinação entre uma safra volumosa, capacidade exportadora e dificuldades enfrentadas por fornecedores concorrentes. Em um setor no qual a confiança dos compradores depende de qualidade e regularidade, a disponibilidade de café brasileiro pode se transformar em uma vantagem comercial importante.
Fonte: Pensar Agro
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