Mato Grosso
Tribunal medeia diálogo entre pecuaristas do Pantanal e Estado sobre limpeza de áreas de pastagem
Mato Grosso
O Poder Judiciário de Mato Grosso intermediou o diálogo entre pecuaristas da região pantaneira e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) a respeito das regulamentações que tratam de abertura de aceiros, limpeza de pastagens, roçadas e supressões de vegetação nativa, especificamente nesse bioma. Durante reunião ocorrida nesta quarta-feira (22) na sede do Tribunal de Justiça, foi encaminhada a criação da Comissão Interinstitucional para Regularização Ambiental (Ciara) para deliberação dos casos e construção de soluções coletivas.
O presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, apontou ainda como alternativa a realização de audiências de conciliação por meio dos Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejuscs) do Agro e do Meio Ambiente. “Nosso objetivo é trabalhar num consenso, buscar – com rapidez – aquilo que for possível, porque novembro está aí, o El Niño já chegou em algumas regiões e do comprometimento urgem medidas preventivas”, disse.
Em relação à criação da Ciara, o presidente explicou que encaminhará ofícios às instituições interessadas no tema para que indiquem seus representantes, a exemplo dos poderes Legislativo e Executivo (este por meio da Sema), Corpo de Bombeiros Militar, Procuradoria Geral do Estado – PGE, Instituto de Defesa Agropecuária do Estado – Indea), Ministério Público Estadual, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT), sindicatos e federações que representam os produtores rurais, Conselho Regional de Engenharia e Agronomia – CREA/MT, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama.
“Eu penso que a responsabilidade e a cessão têm que ocorrer de ambas as partes. Os produtores almejam a liberação daquilo que venha desenvolver a atividade, o Cadastro Ambiental Rural (CAR). A Sema, como órgão ambiental, depende do compromisso dos produtores. O Judiciário e o Ministério Público estão aqui para garantir o cumprimento das obrigações assumidas”, afirmou Zuquim.
O presidente do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) do TJMT, desembargador Mário Roberto Kono de Oliveira, apontou que a tendência é ampliar as portas de entrada da Justiça para atender às partes, seja a criação da Ciara, os Cejuscs das comarcas onde estão localizadas as propriedades rurais, os Cejuscs do Agro e do Meio Ambiente, os mutirões de conciliação, atendendo tanto os casos pré-processuais quanto aqueles já judicializados.
“Cada vez mais, nós temos que pensar em soluções no sistema multiportas, ou seja, envolvendo toda a cadeia interessada para que a gente possa ouvir realmente quais são os problemas que levam à judicialização, o que se pode evitar, o que pode ser solucionado até mesmo na forma processual. E para isso, nós temos que ouvir e ter a participação de todos os agentes envolvidos para que todos juntos, buscando soluções conjuntas, consigamos atingir os principais objetivos, que é a proteção ao meio ambiente, como o valor universal e, ao mesmo tempo, a produção econômica sem ferir esse meio ambiente”, defende.
A secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, elogiou a postura do Tribunal de Justiça de Mato Grosso em propor soluções conjuntas, que, segundo ela, podem mudar a trajetória de insegurança jurídica no campo.
“O Governo do Estado, dentro das suas atribuições, tem regulamentado as normas, estabelecido procedimentos para regularizar as atividades, mas, invariavelmente, isso choca com interpretações jurídicas. E hoje, na reunião, foi possível ouvir os pantaneiros, as suas angústias. Também foi importante por parte do Governo do Estado apontar onde estão as nossas limitações enquanto órgão executor da política. E a proposição final, feita pelo presidente Zuquim e pelo desembargador Mário Kono, foi extremamente salutar para que nós possamos avançar na construção de soluções”, avalia.
A secretária explica ainda que, com a criação da Ciara, será possível levantar os casos mais desafiadores, os problemas de interpretação na legislação e encaminhar soluções que podem gerar mudanças no âmbito da execução da política ambiental por parte do Estado. “Pode resultar em sugestão de aprimoramento da legislação do Estado, e também pode subsidiar discussões em nível nacional, porque não apenas os órgãos estaduais, mas o Ibama e o Ministério do Meio Ambiente também atuam criando definições e estratégias que interferem nesta regularização ambiental dos imóveis no Pantanal”, afirma Mauren.
Para Antônio Carlos Carvalho Souza, presidente do Sindicato Rural de Santo Antônio do Leverger, a reunião no Tribunal de Justiça foi produtiva no sentido de encaminhar a criação de uma comissão onde a categoria poderá apresentar suas demandas e propor soluções para o melhor manejo da vegetação nativa e das pastagens dentro das fazendas pantaneiras. “Isso só é possível graças a esse atendimento aqui do Tribunal de Justiça, através do presidente Zuquim, que proporcionou a todos os atores envolvidos apresentar soluções plausíveis para preservar o homem pantaneiro e a sustentabilidade do próprio Pantanal”, avaliou.
Também participaram da reunião o comandante do Corpo de Bombeiros Militar (CBM-MT), coronel BM Flávio Glêdson Vieira Bezerra, representantes da OAB-MT, Famato, Acrimat-MT, engenheiros florestais e advogados que prestam serviços aos produtores rurais.
Autor: Celly Silva
Fotografo: Josi Dias
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
Mato Grosso
Palestra aborda protocolo dos Bombeiros para vítimas de violência
O enfrentamento à violência contra a mulher e o fortalecimento da rede de proteção às vítimas estiveram em pauta na terça-feira (1º), durante palestra promovida pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) sobre o Procedimento Operacional Padrão (POP) do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso para o atendimento a mulheres em situação de violência. Ministrada pela tenente-coronel BM Karina Matos de Oliveira, a atividade integrou a programação da campanha Agosto da Segurança Institucional, coordenada pelo Centro de Segurança e Inteligência (CSI).O evento reuniu servidores do MPMT e estudantes do 2º semestre do curso de Direito da Faculdade Fasipe, no Auditório da Sede das Promotorias de Justiça da Capital. Além de apresentar os protocolos adotados pelo Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT), a palestrante destacou a importância da atuação integrada entre os órgãos de segurança pública e da disseminação de informações que contribuam para a prevenção e o enfrentamento da violência de gênero.Durante a exposição, a tenente-coronel abordou o papel estratégico do Corpo de Bombeiros no acolhimento e na proteção de mulheres vítimas de violência, ressaltando que os bombeiros frequentemente representam o primeiro contato da vítima com o poder público. Também chamou a atenção para o cenário preocupante dos casos de feminicídio em Mato Grosso, estado que lidera o ranking nacional pelo segundo ano consecutivo, e para a necessidade de um atendimento humanizado, qualificado e livre de revitimização.Outro destaque da palestra foi a apresentação das metas assumidas pelo CBMMT no âmbito do Plano Estadual de Metas de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, que prevê a capacitação de grande parte do efetivo da corporação para o acolhimento especializado. A oficial detalhou ainda o fluxo de atendimento previsto no POP 10, desde o deslocamento das equipes até o registro da ocorrência, enfatizando práticas de escuta qualificada, preservação da privacidade, encaminhamento adequado das vítimas e utilização de ferramentas de proteção, como o aplicativo SOS Mulher.Segundo ela, a apresentação também buscou orientar sobre medidas de prevenção e proteção às mulheres em situação de vulnerabilidade, bem como sobre a atuação conjunta do Corpo de Bombeiros Militar, da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) e do Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp). “Precisamos cada vez mais falar sobre o tema e levar informação às mulheres e aos homens, para que saibam como agir diante de uma situação de violência”, ressaltou.O coordenador do CSI, promotor de Justiça Mauro Zaque de Jesus, destacou que a programação desenvolvida ao longo do mês buscou ampliar a cultura de prevenção e conscientização dentro da instituição. Segundo ele, os eventos tiveram o objetivo de capacitar e sensibilizar os integrantes do Ministério Público para temas relacionados à segurança institucional. “Fechamos hoje com a palestra sobre o atendimento às vítimas de violência, um tema de extrema relevância para a segurança como um todo”, afirmou, defendendo que a conscientização sobre o assunto permaneça presente durante todo o ano.A coordenadora do Núcleo de Prática Jurídica da Fasipe, Izabel Ferreira de Souza Barbosa, avaliou que a palestra representou uma importante oportunidade de aprendizado e reflexão para os acadêmicos. Segundo ela, discutir a violência de gênero em diferentes espaços fortalece a formação dos estudantes e amplia a conscientização sobre a responsabilidade social de cada cidadão. “O Ministério Público abrir essa porta para nós só nos faz agradecer. Foi uma experiência de grande valia e importância”, destacou.A estudante de Direito Heloísa Mayara enfatizou que o enfrentamento à violência contra a mulher deve permanecer em evidência de forma contínua. Para ela, o debate permanente contribui para ampliar a conscientização da sociedade e fortalecer a proteção às vítimas. “É um assunto que precisa ser tratado sempre, porque conhecimento nunca é demais, especialmente quando falamos de um problema que continua acontecendo todos os dias”, afirmou.Também integrou a atividade uma apresentação das representantes do Espaço Caliandra, que compartilharam informações sobre os serviços oferecidos pela iniciativa e apresentaram o trabalho desenvolvido pelo Observatório Caliandra, voltado ao acompanhamento e à produção de dados relacionados à violência contra mulheres e grupos em situação de vulnerabilidade.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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