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“Profissional do Direito é médico da alma”, diz Maria Erotides a acadêmicos no Nosso Judiciário

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“O profissional do Direito é médico da alma.” A frase dita pela desembargadora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Maria Erotides Kneip, resumiu o tom emocionante da despedida da magistrada do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Prestes a se aposentar compulsoriamente ao completar 75 anos, em junho, Maria Erotides recebeu 38 acadêmicos de Direito da Uniasselvi Rondonópolis, do primeiro ao décimo semestre, durante programação do projeto “Nosso Judiciário”, e transformou o encontro em uma aula sobre humanidade, Justiça e compromisso social.

Com 41 anos de magistratura, a desembargadora compartilhou experiências da trajetória profissional e reforçou que o Direito precisa ser exercido com respeito à dignidade humana e sensibilidade diante das histórias das pessoas.

“A nossa profissão nos ensina a respeitar as pessoas, sejam elas quem forem. Cada um tem uma história. Antes de tudo é preciso respeito, dignidade e humanidade”, afirmou.

Coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher), Maria Erotides relembrou que escolheu o curso de Direito ainda aos 16 anos e afirmou que faria a mesma escolha novamente.

“Eu escolhi o curso de Direito aos 16 anos. E se eu pudesse voltar no tempo, faria tudo de novo. Eu acredito num mundo muito melhor, muito mais justo. E só nós podemos construir esse mundo mais humano”, declarou.

Durante o encontro, os estudantes acompanharam parte da rotina do Tribunal, conheceram o funcionamento do sistema Processo Judicial Eletrônico (PJe) e participaram de uma imersão na prática jurídica. A Coordenadoria Judiciária, que criou o projeto Nosso Judiciário, explicou como funciona o Processo Judicial Eletrônico e detalhou aos acadêmicos como ocorre a tramitação digital dos processos no Judiciário mato-grossense.

A professora Adenele Garcia, que liderava o grupo de alunos, destacou a importância da experiência para a formação acadêmica.

“Eu sou professora, mestre em Direito, e trouxe hoje os alunos da minha sala. São estudantes do primeiro ao décimo semestre, todos visitando pela primeira vez o Tribunal de Justiça. Eles estão realmente encantados com essa oportunidade, porque é algo muito único para a carreira acadêmica e para vislumbrar o futuro da advocacia e das carreiras jurídicas”, afirmou.

Segundo ela, a visita proporciona aos acadêmicos uma aproximação concreta entre teoria e prática.

“É muito enriquecedor porque os alunos conseguem aliar teoria e prática. Aqui eles conseguem ver os serventuários do Judiciário, a atuação dos desembargadores, juízes, advogados e as sustentações orais acontecendo na prática. Essa imersão aproxima os estudantes da realidade do sistema de Justiça”, ressaltou.

O acadêmico Alef Tosin, do primeiro semestre, afirmou que a experiência permitiu compreender melhor os conteúdos estudados em sala de aula.

“Você entende a aplicação de todas as palavras, todas as manifestações e as partes de um processo acontecendo no dia a dia de um Tribunal de Justiça. É muito legal conhecer essa história e tudo aquilo que vivenciamos teoricamente dentro da faculdade sendo aplicado na prática”, comentou.

Alef também elogiou o projeto de visitação promovido pelo Tribunal.

“A visita é super bacana e eu indico. É uma experiência muito válida. Outros estudantes também deveriam passar por isso porque proporciona uma visão muito mais ampla sobre o funcionamento da Justiça”, afirmou.

Já o estudante Lennon Vieira Araújo, do décimo semestre, ressaltou o impacto da atividade para a formação profissional.

“Foi uma experiência muito bacana ver aquilo que acontece na faculdade sendo presenciado aqui no Tribunal. É uma atividade que agrega muito para o nosso currículo e para a nossa formação, porque conseguimos enxergar o que há de melhor para conquistar ao longo do tempo dentro da carreira jurídica”, declarou.

Lennon contou ainda que já participa do Núcleo de Prática Jurídica e vem desenvolvendo atividades práticas durante a graduação.

“Eu já estou no Núcleo de Prática Jurídica e já participei de sustentações orais. Então, estar aqui no Tribunal acaba complementando tudo aquilo que a gente vem aprendendo dentro da faculdade”, disse.

O acadêmico afirmou também que pretende seguir carreira em concursos públicos na área policial.

“Eu pretendo seguir mais para concursos, especialmente nas carreiras policiais, como Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal”, completou.

A programação foi conduzida pela equipe do projeto “Nosso Judiciário”, formada pelos técnicos judiciários Neif Feguri e Antonio Cegati. O programa busca aproximar acadêmicos e comunidade da rotina do Poder Judiciário e do funcionamento prático do Tribunal de Justiça.

Ao final do encontro, a despedida de Maria Erotides ganhou tom de legado. Entre relatos pessoais, conselhos e reflexões sobre Justiça e humanidade, a magistrada deixou aos estudantes uma mensagem sobre o verdadeiro papel do Direito: transformar vidas por meio do respeito, da empatia e da dignidade humana.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT



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Senado pode votar na próxima semana incentivos fiscais para data centers

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O Senado pode votar na próxima semana, durante esforço concentrado da Casa, o projeto de lei que cria incentivos fiscais para estimular a instalação de data centers (centros de processamento de dados) no Brasil.

A proposta (PL 278/2026) é uma das matérias anunciadas como prioritárias pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na quarta-feira (26), após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Hugo Motta.

O texto cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), que beneficia empresas com a suspensão do Imposto de Importação, do PIS/Cofins, do PIS/Cofins-Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Aprovado em fevereiro pela Câmara, o PL 278/2026 ainda não tem relator no Senado e ainda não foi despachado para as comissões da Casa — mas já há requerimento de líderes para que a matéria seja votada diretamente no Plenário. 

Medida provisória

A criação do Redata estava inicialmente prevista na Medida Provisória 1.318/2025, que não foi votada pelo Congresso Nacional e acabou perdendo a validade.

Para garantir a criação desses incentivos fiscais, a proposição foi novamente apresentada em fevereiro — mas dessa vez sob a forma de projeto de lei: o PL 278/2026 — pelo então deputado federal José Guimarães (PT-CE), que era o líder do governo na Câmara.

Ele se licenciou do cargo em abril para assumir a chefia da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.

Dependência

De acordo com o Ministério da Fazenda, o Brasil ainda depende de data centers de outros países: cerca de 60% das cargas de dados e de inteligência artificial utilizadas no país são processadas no exterior.

O ministério também argumenta que o diferencial de custos operacionais é um fator determinante, já que a operação no Brasil seria, em média, 30% mais cara que no exterior — e a principal causa disso são os tributos.

O projeto

O texto em análise no Senado cria incentivos fiscais para estimular a instalação de data centers no país, principalmente os que tenham como foco a computação em nuvem e a inteligência artificial.

Os incentivos do Redata incluem cinco anos de suspensão de tributos na compra de equipamentos. As contrapartidas das empresas incluem o uso de energia de fonte limpa (hidrelétricas) ou renovável (solar e eólica).

Como condição para ter acesso aos benefícios, as empresas têm de estar em dia com os tributos federais. A estimativa do governo é de uma isenção em torno de R$ 5,2 bilhões em 2026 e de R$ 1 bilhão em cada um dos dois anos seguintes.

De acordo com o projeto, a entrada de uma empresa no Redata deverá ser autorizada pelo Ministério da Fazenda. A empresa beneficiada terá suspensão do Imposto de Importação, do PIS/Cofins, do PIS/Cofins-Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

A suspensão será válida para a compra — dentro ou fora do Brasil — de componentes eletrônicos e outros produtos de tecnologias da informação e comunicação. A empresa que vender os equipamentos também poderá ser beneficiada pelo Redata (mas somente no caso dos produtos empregados na fabricação dos computadores a serem utilizados nos data centers).

Para o Imposto de Importação, a suspensão se aplica aos produtos sem similar nacional.

O projeto também prevê que, após o cumprimento dos compromissos e a entrega final dos produtos, a suspensão será convertida em alíquota zero.

Quem pode participar

Podem participar do Redata os centros de processamento voltados à armazenagem, ao processamento e à gestão de dados e aplicações digitais, incluindo:

  • computação em nuvem;
  • processamento de alto desempenho;
  • treinamento;
  • inferência de modelos de inteligência artificial e serviços correlatos;
  • outros itens, desde que estabelecidos em ato do Poder Executivo, de acordo com a Nomenclatura Brasileira de Serviços, Intangíveis e Outras Operações que Produzam Variações no Patrimônio (NBS).

Contrapartida

As contrapartidas para as empresas que quiserem participar do Redata envolvem os seguintes compromissos:

  • direcionar ao mercado interno pelo menos de 10% do fornecimento efetivo de processamento, armazenagem e tratamento de dados a ser instalado com os benefícios;
  • atender a critérios e indicadores de sustentabilidade definidos em regulamento;
  • honrar a totalidade de sua demanda contratual de energia elétrica, seja com contratos de suprimento ou autoprodução de fontes limpas ou renováveis;
  • apresentar Índice de Eficiência Hídrica no uso da água para resfriamento dos equipamentos igual ou inferior a 0,05 litro/kWh em aferição anual;
  • fazer investimentos no país equivalentes a 2% do valor dos produtos comprados no mercado interno ou importados com o benefício fiscal.

Além disso, um dispositivo incluído no projeto durante a tramitação na Câmara exige do beneficiário do Redata a publicação de relatório de sustentabilidade das instalações (com o índice de eficiência, as fontes de energia elétrica utilizadas e os demais indicadores de sustentabilidade).

Desenvolvimento regional

A proposta prevê que o direcionamento do processamento ao Brasil e o compromisso de investimento serão reduzidos de 10% e 2% para, respectivamente, 8% e 1,6% quando a empresa estiver localizada nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste (ou se estiver em área de abrangência das agências de desenvolvimento regional).

O texto também determina que, de todos os recursos direcionados a investimentos em projetos e programas de fomento à cadeia produtiva da economia digital, 40% deverão ir para aqueles localizados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, incluídas as respectivas áreas de abrangência das agências de desenvolvimento regional, como Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

Punições

Se a empresa habilitada não cumprir os compromissos no prazo estipulado (exceto o direcionamento de processamento ao Brasil), ela deverá pagar os tributos suspensos com juros e multa de mora.

Para a empresa vendedora dos equipamentos, a quitação de tributos deve ocorrer caso eles não sejam entregues ao data center.

Já no caso de descumprimento da condição de direcionar 10% do fornecimento efetivo de processamento ao Brasil, o texto prevê a suspensão dos benefícios tributários em novas compras de equipamentos. Se, depois de 180 dias da notificação, a empresa não corrigir o procedimento, a suspensão será convertida automaticamente em cancelamento da habilitação.

Os benefícios fiscais criados pelo Redata deverão ser objeto de acompanhamento e avaliação por dois ministérios: o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e o Ministério da Fazenda.

Emendas

Até a tarde desta quinta-feira (27), os senadores haviam apresentado 22 emendas ao texto.

Entre as mudanças sugeridas estão:

  • retirar a obrigatoriedade da exigência de uso de energia de fonte limpa ou renovável;
  • incluir no texto regras sobre temas de outras leis, como a atualização do marco legal das Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs);
  • possibilitar que o atendimento à totalidade da demanda de energia elétrica se dê também com fontes de baixa intensidade de carbono, como a biomassa;
  • incluir outras regiões entre as beneficiadas pela redução de compromissos para as Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Caso o Senado faça modificações no mérito do projeto, a matéria terá de voltar à Câmara dos Deputados para nova análise. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado



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