Mato Grosso
MPMT promove capacitação e reforça atuação em defesa das mulheres
Mato Grosso
“Tudo é mais difícil, mais complicado e mais perigoso para vocês, mulheres”, afirmou o jornalista, escritor e roteirista Klester Cavalcanti na palestra de abertura do simpósio “Por Todas Elas – Direito, Proteção e Responsabilidade”, na noite de quinta-feira (26). Autor do livro “Matou uma, matou todas: Histórias reais de vítimas de feminicídio no Brasil e a luta contra esse mal que assola o país”, lançado em outubro de 2025, ele foi convidado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) para falar aos integrantes da instituição no evento de capacitação que integra a programação do Mês da Mulher.Durante a palestra “Matou Uma, Matou Todas”, Klester Cavalcanti explicou que seu trabalho sobre feminicídio nasceu da percepção de que a violência contra a mulher no Brasil é um fenômeno crescente, brutal e ainda pouco compreendido. Ao pesquisar casos entre 2017 e 2018, observou não apenas o número alarmante de assassinatos, mas também a crueldade que marcava muitos deles. “Os casos que eu lia não eram apenas homicídios; eram crimes de ódio, de tortura, de perversidade. O agressor quer fazer a mulher sofrer. Isso é misoginia pura”, relatou.A partir dessa constatação, decidiu escrever um livro que não só narrasse histórias de vítimas, mas também desse voz às famílias, instituições e profissionais que combatem a violência. Klester contou ainda que, ao investigar a literatura existente, descobriu que nenhum homem no Brasil havia escrito um livro sobre feminicídio, violência de gênero ou violência doméstica, algo que considerou grave e revelador.Segundo ele, “tudo é o machismo que faz”. O cerne do problema está no machismo estrutural, que molda comportamentos desde a infância, na família, na escola, na religião e em diferentes espaços sociais, favorecendo os homens e colocando as mulheres em permanente situação de risco. “A gente vive em uma sociedade que nos ensina a ser machista. Para as mulheres, porém, é menos difícil romper com isso e se libertar dessa carga, porque são justamente as que mais sofrem. Vivem subjugadas dentro desse sistema nocivo, violento e agressivo”, ponderou.O jornalista também compartilhou reflexões pessoais e experiências de vida, explicando como o machismo se instala de forma silenciosa e leva à reprodução de comportamentos, até mesmo entre aqueles que rejeitam a violência. Trouxe exemplos do cotidiano para mostrar como o mundo é, de fato, mais perigoso para mulheres, e reforçou que compreender a profundidade da violência de gênero exige a participação ativa dos homens no debate. “A maioria dos homens não quer falar sobre violência contra a mulher. É confortável para eles que tudo continue como está”, afirmou.Klester Cavalcanti ainda comentou alguns casos relatados no livro, como o de Beatriz Nuala Soares Milano, assassinada pelo companheiro em Rondonópolis (a 220 km de Cuiabá), e apresentou dados sobre a prática. Chamou atenção para a liderança de Mato Grosso no ranking nacional de feminicídios e para o fato de que 64,3% das mortes de mulheres acontecem dentro de casa, sendo 80% cometidas por companheiros ou ex-companheiros.A mesa foi presidida pela promotora de Justiça Ana Carolina Rodrigues Alves Fernandes de Oliveira, da 1ª Promotoria de Justiça Criminal de Nova Mutum (a 264 km da capital). Ela destacou a importância de ver o auditório da Procuradoria-Geral de Justiça lotado, pois isso demonstra disposição para ouvir, refletir e, principalmente, reconhecer que o tema existe e precisa ser enfrentado. “Hoje não é uma noite fácil; é uma noite necessária. Vivemos em um país onde todos os dias mulheres perdem a vida simplesmente por serem mulheres. Por trás de cada número há uma história, uma família, alguém que ficou, e talvez o mais desconfortável seja isso”, afirmou.A promotora, que já leu o livro, comentou sobre a obra: “No livro Matou Uma, Matou Todas, ele reúne histórias reais de feminicídio no Brasil. Mas não trata apenas de como essas histórias terminam; aborda tudo que vem antes: os sinais, os silêncios, as falhas e também as responsabilidades. É um livro que informa, mas, sobretudo, incomoda, no melhor sentido da palavra. E esse é o papel de um trabalho como esse: não deixar a gente sair como entrou”, enfatizou.Abertura – No início do evento, o coordenador do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional, promotor de Justiça Caio Márcio Loureiro, agradeceu ao palestrante pela oportunidade de aprendizado interdisciplinar sobre a proteção das mulheres.“O próprio nome do nosso simpósio – Por Todas Elas: Direito, Proteção e Responsabilidade – já expressa o nosso chamado para que cada um de nós, na esfera de responsabilidade que ocupa na sociedade, e não apenas no exercício da função, mas em todos os momentos da vida, se levante e brade em defesa das mulheres. Nós, membros e servidores do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, não podemos nos omitir diante de uma causa de tamanha importância. É necessário que cada um de nós se dedique a causas como esta, multiplicando conhecimento, educação e, sobretudo, o valor essencial que é o amor à vida”, afirmou.O presidente da Associação Mato-grossense do Ministério Público (AMMP), Milton Mattos da Silveira Neto, destacou que a violência contra a mulher assume diversas formas, muitas vezes invisíveis a quem não vivencia a realidade feminina. “Atuando na Promotoria da Saúde, deparei-me com algo que, honestamente, eu nem sabia que existia: a violência obstétrica. A mulher sofre violência em diversas formas, desde o marido opressor até a discriminação salarial no trabalho e, até mesmo, no momento de ter o seu filho”, considerou.
Fonte: Ministério Público MT – MT
Mato Grosso
Nova edição do “Explicando Direito” aborda critérios científicos para análise da palavra da vítima
A Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) lançou uma nova edição do programa Explicando Direito, abordando um tema central para a rotina dos magistrados que atuam no âmbito criminal: a análise da palavra da vítima e da prova testemunhal a partir de critérios técnico-científicos.
Apresentado pelo juiz coordenador das atividades pedagógicas da Esmagis-MT, Antônio Veloso Peleja Júnior, o episódio conta com a participação do juiz Tiago Gagliano Pinto Alberto, do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), reconhecido pela sua atuação acadêmica e científica nas áreas de Direito, Psicologia do Testemunho e Neurociência.
Durante a entrevista, Gagliano explica como a Psicologia Cognitiva pode contribuir para a construção de critérios objetivos na análise da credibilidade dos depoimentos. Segundo ele, a forma como a memória é construída e expressa permite identificar elementos técnicos na narrativa.
“Nós temos um marcador mnemônico, marcador da memória, que se transforma em um marcador de narrativa. Se nós, da estrutura decisória, pudermos identificar os marcadores de narrativa de determinadas situações, nós podemos analisar, por consequência, a credibilidade do relato”.
O magistrado também chama a atenção para um dos principais equívocos na prática jurídica: a confusão entre confiança e credibilidade. Para ele, são conceitos distintos e frequentemente indevidamente misturados. Segundo ele, essa confusão pode levar a decisões baseadas em premissas equivocadas e gerar falsos positivos na análise da prova.
Outro ponto relevante do episódio é a discussão sobre a natureza da memória humana. Gagliano enfatiza que ela não é estática, mas sim constantemente reconstruída, o que exige cautela na interpretação de depoimentos. Ele destaca ainda que fatores emocionais podem afetar significativamente a recordação de fatos, especialmente em situações traumáticas, mencionando casos em que vítimas não conseguem lembrar detalhes básicos. “O bloqueio de memória faz com que a vítima não consiga lembrar determinadas situações”, salienta.
Ao tratar dos instrumentos técnicos disponíveis, o entrevistado destaca as ferramentas de análise da credibilidade do testemunho baseadas no conteúdo verbal, como o protocolo SVA e a análise CBCA. Ele também ressalta o potencial uso da Inteligência Artificial como apoio para cruzar esses critérios técnicos com os depoimentos, sempre com a necessária avaliação crítica por parte do julgador.
Gagliano enfatiza a importância de decisões fundamentadas em critérios científicos, e não apenas em presunções. “Você decide não mais baseado em presunções, mas sim quanto à presença ou ausência de determinados marcadores”, o que, segundo ele, contribui para maior segurança e qualidade na prestação jurisdicional.
Clique neste link para assistir a entrevista completa no YouTube.
https://www.youtube.com/watch?v=R5vpD2CtzyE
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.
Autor: Lígia Saito
Fotografo:
Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT
Email: [email protected]
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