Esporte
Tite inicia campanha com derrota; Cruzeiro perde para o Pouso Alegre no Mineirão
Esporte
A tão aguardada estreia de Tite no comando do Cruzeiro terminou em frustração para a torcida celeste. O Cabuloso foi superado pelo Pouso Alegre por 2 a 1, neste sábado, no Mineirão, em partida válida pela primeira rodada do Campeonato Mineiro. Para agravar o cenário, o meio-campista Matheus Henrique deixou o campo aos 16 minutos do primeiro tempo com um desconforto, adicionando preocupação ao departamento médico.
Antes de a bola rolar, o novo reforço Gerson foi calorosamente apresentado à massa cruzeirense por Pedro Lourenço, o proprietário da SAF, acompanhado de seu pai, aumentando a expectativa para a temporada, apesar do revés inicial.
Situação na tabela
Com a derrota em casa, o Cruzeiro não soma pontos e figura na última colocação do Grupo C, em virtude dos critérios de desempate. O Pouso Alegre, por outro lado, celebra os três primeiros pontos na competição, assumindo a liderança provisória do Grupo B.
O jogo
O Pouso Alegre não demorou a surpreender a Raposa. Logo no início, Marcos Vinicius rolou para Alexandre Pena, que, com habilidade, driblou a marcação de Matheus Henrique e finalizou com precisão, colocando a bola fora do alcance do goleiro Otávio e abrindo o placar. O Cruzeiro quase respondeu aos 23 minutos, quando Rayan Lelis arriscou de fora da área, obrigando Anderson a rebater. No rebote, Kauã Moraes finalizou à queima-roupa, mas o arqueiro do Pouso Alegre fez uma nova e crucial defesa.
A etapa complementar seguiu o roteiro do primeiro tempo, com os visitantes balançando as redes novamente logo no início. Aos 10 minutos, Marcos Vinicius interceptou um passe de Murilo na intermediária, e a bola sobrou para Gabriel Tota. O meia não pensou duas vezes e arriscou um chute de longe, marcando um golaço e ampliando a vantagem do Pouso Alegre.
O Cruzeiro buscou a reação nos minutos finais. Aos 49, Cauan Baptistella cobrou escanteio na primeira trave, e Kauã Prates se abaixou para cabecear, conseguindo descontar no placar. Contudo, o gol veio tarde demais, e o tempo para uma virada já havia se esgotado.
Próximos desafios
O Cruzeiro agora terá que se recuperar do tropeço inicial na próxima rodada do Campeonato Mineiro, quando enfrentará o Tombense. A partida será disputada no Estádio Antônio Guimarães de Almeida. Já o Pouso Alegre buscará manter o bom momento em seu próximo confronto contra o Itabirito.
Fonte: Esportes
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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