Em entrevista à CNBC

Mauro destaca concessões rodoviárias como chave para modernização da infraestrutura de Mato Grosso

Mendes explicou que a estratégia é investir em novas estradas e transferir para a iniciativa privada a responsabilidade pela manutenção das vias

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Política

Foto: Mayke Toscano Secom - MT

Em entrevista à CNBC, da Times Brasil, nesta quinta-feira (12), o governador Mauro Mendes (União) destacou a importância do pacote de concessão de rodovias estaduais desenvolvido pelo governo. Mendes explicou que a estratégia é investir em novas estradas e transferir para a iniciativa privada a responsabilidade pela manutenção das vias.

Na última quarta-feira (11), o Governo de Mato Grosso apresentou o Programa de Concessões Rodoviárias a investidores na B3, em São Paulo. Foram detalhados os lotes que totalizam 2.104 quilômetros de rodovias, com investimento estimado em R$ 8 bilhões ao longo de 30 anos. O leilão ocorrerá no dia 7 de fevereiro de 2025, também na Bolsa de Valores.

Mendes enfatizou que a seleção das concessionárias será baseada no critério do menor valor da tarifa de pedágio, combinado com uma curva de aportes financeiros crescentes.

“Estamos com um robusto programa de investimento em infraestrutura. Mato Grosso consegue hoje investir próximo de 20% de tudo o que arrecada, estamos construindo quase 7 mil quilômetros de rodovias novas. Só neste período como governador, estamos dobrando a nossa malha rodoviária asfaltada”, afirmou.

Mauro ressaltou que o agronegócio responde por quase metade do Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso e por 30% da produção nacional. Nesse cenário, a logística é crucial para garantir a competitividade do setor.

“Estudo mostra que algo em torno de 15% a 20% do produto final é impactado pela logística dentro de Mato Grosso, principalmente quando a estrada está em má qualidade. Investir em infraestrutura melhora a competitividade do agronegócio, que se torna mais eficiente e ganha mais mercado”.

Governador enfatizou a eficácia das concessões rodoviárias. “Sabemos que as melhores rodovias do Brasil e do mundo são concessionadas. Isso garante uma estrada segura, eficiente e de qualidade, com baixo custo operacional para quem transita.”

Mendes destacou o ajuste fiscal realizado no início de seu mandato como alicerce para os investimentos atuais.

“Fizemos um ajuste fiscal muito duro. Quando se arrecada mais do que gasta, sobra dinheiro para fazer investimento. Mato Grosso tem investido 20% daquilo que arrecadamos em obras estruturantes. Reduzimos o número de secretarias, de 24 para 16, e extinguimos órgãos. Isso permitiu sobrar dinheiro com o aumento da receita.”

Como exemplo de concessão bem-sucedida, Mendes citou a solução encontrada para a BR-163, que foi assumida pelo governo estadual após os desafios enfrentados por uma concessionária anterior.

“Assumimos a rodovia, e no dia 20 de dezembro estaremos inaugurando os primeiros 100 quilômetros de duplicação. O estado tem um papel importante, mas a iniciativa privada pode ser uma grande parceira pela eficiência que oferece.”

O objetivo do governo com o programa de concessões é ampliar a malha rodoviária pavimentada, aprimorando a logística e a qualidade das estradas, ao mesmo tempo em que busca garantir tarifas competitivas para os usuários.

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Assembleia Legislativa instala Câmara Setorial para ampliar atendimento às pessoas com obesidade

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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) instalou, nesta quinta-feira (22), a Câmara Setorial Temática (CST) de Atenção à Obesidade no Estado de Mato Grosso. A iniciativa, proposta pelo deputado estadual Eduardo Botelho (União Brasil), atende a uma solicitação da Associação Mato-grossense de Obesidade (AMO) e tem como objetivo discutir e propor políticas públicas para melhorar a prevenção, o tratamento e o acompanhamento das pessoas com obesidade. A instalação ocorreu na Sala de Reuniões das Comissões “Deputado Oscar Soares”.

Criada por meio do Requerimento nº 532/2026 e constituída pelo Ato nº 0752/2026, a CST terá prazo de funcionamento de 180 dias, prorrogável por igual período. Nesse período, os membros deverão estudar os principais problemas enfrentados pelos pacientes, avaliar os serviços disponíveis na rede pública de saúde e apresentar propostas que possam ampliar o acesso ao tratamento e garantir melhor qualidade de vida à população.

Uma das principais preocupações apresentadas durante a instalação foi a dificuldade de acesso às cirurgias reparadoras, procedimentos realizados para retirar o excesso de pele após uma perda significativa de peso, especialmente entre pacientes que passaram pela cirurgia bariátrica.

A presidente da CST e da Associação Mato-grossense de Obesidade (AMO), Juvelina de Campos Nunes, destacou que, embora Mato Grosso tenha avançado na oferta de cirurgias bariátricas, muitos pacientes continuam enfrentando dificuldades para concluir o tratamento.

Segundo ela, somente nos últimos dois anos, o Hospital Metropolitano, em Várzea Grande, realizou cerca de cinco mil cirurgias bariátricas. O número, apresentado pela representante da associação, reforça a preocupação com a demanda por procedimentos reparadores nos próximos anos.

“Hoje temos vários hospitais que realizam a cirurgia bariátrica, mas existe uma lacuna muito grande no tratamento. A pessoa emagrece, passa por todo o processo de recuperação, mas o que ela vai fazer com o excesso de pele? Essa é uma parte muito dolorosa, que afeta a autoestima, os relacionamentos e a vida social. Precisamos que o poder público compreenda que a cirurgia reparadora também faz parte desse tratamento”, afirmou Juvelina.

A presidente relatou ainda que, conforme levantamento realizado por ela em 2023, havia mais de cinco mil pacientes na fila por cirurgias reparadoras no Hospital Municipal de Cuiabá. Para Juvelina, a dificuldade de acesso aos procedimentos pode provocar sofrimento emocional e isolamento social, principalmente entre mulheres.

A luta também faz parte da história pessoal da presidente da AMO. Após chegar aos 165 quilos, Juvelina passou por uma cirurgia bariátrica em 2004 e conseguiu reduzir significativamente o peso. Entretanto, precisou recorrer à rede privada e a ações judiciais para realizar parte das cirurgias reparadoras.

“Eu tive a oportunidade de fazer as minhas cirurgias, mas não desisto dos meus associados que não têm essa condição. Precisamos trazer para o legislador a nossa dor, as nossas necessidades e dificuldades. Se não mostrarmos essa realidade, como vão saber que estamos sofrendo e que precisamos de políticas públicas? “, questionou.

Prevenção e tratamento – Além das cirurgias reparadoras, a CST pretende discutir ações de prevenção à obesidade desde a infância, incentivo à alimentação saudável e ampliação das alternativas de tratamento, incluindo o acompanhamento médico e o uso de medicamentos quando indicados.

Durante a reunião, o médico Hélio Marcelo Pesenti Sandrin, especialista em Cardiologia e Clínica Médica, destacou que a obesidade é uma doença crônica que exige atenção contínua e pode contribuir para o desenvolvimento de diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares.

Ele também defendeu que o enfrentamento da obesidade não fique restrito aos procedimentos cirúrgicos ou ao uso de medicamentos emagrecedores, mas inclua diagnóstico precoce, acompanhamento profissional e ações educativas.

“As canetinhas vieram para ajudar, mas não vão fazer milagres. Precisamos compreender que a obesidade é uma doença séria, que deve ser controlada. É fundamental trabalhar a prevenção e garantir que essas pessoas tenham acompanhamento adequado”, ressaltou Sandrin.

A procuradora aposentada do município de Cuiabá, Sônia Cristina Mangoni de Oliveira Lelis, integrante da CST, chamou a atenção para o preconceito enfrentado pelas pessoas com obesidade e para os impactos emocionais provocados pela cobrança de padrões estéticos.

“Infelizmente, nossa sociedade ainda é muito gordofóbica. Muitas pessoas deixam de participar de atividades e de conviver socialmente porque não se sentem bem com a própria aparência. Precisamos lutar pelos direitos dessas pessoas e garantir que tenham acesso ao atendimento de que necessitam”, afirmou.

O médico Gunther Peres Pimenta, membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, e o delegado Bruno Lima Barcellos, relator da CST, participaram de forma virtual e colocaram suas experiências profissionais à disposição dos trabalhos da Câmara Setorial.

Composição da CST:

Presidente: Juvelina de Campos Nunes – Presidente da Associação Mato-grossense de Obesidade – AMO.

Relator: Delegado Bruno Lima Barcellos.

Secretária: Silvana Aparecida Gadani de Arruda – Vice-Presidente da AMO.

Membros:

1. Dr. Gunther Peres Pimenta – CRM 3196, RQE 380 e 8327 – Titular do Colégio de Cirurgiões e Titular da

Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica;

2. Dr. Regis Vilela Leal – CRM-MT 6233, RQE 2966/5171/5520/6254 – Titular do Colégio Brasileiro de

Cirurgiões e Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica;

3. Dr. Tarsis Miyabara – CRM 7860, RQE 4555 – Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, com atuação em

cirurgia videolaparoscópica, cirurgia bariátrica e metabólica e cirurgia robótica;

4. Dr. Ismael Carvalho – CRM/MT 3985, RQE 2481 – especialista em Cirurgia Plástica;

5. Dr. Hélio Marcelo Pesenti Sandrin – CRM-MT 1047, RQE 6867/6866/2510/6823 – especialista em

Cardiologia e Clínica Médica, com atuação também em Medicina Intensiva e Pneumologia;

6. Dr. Marcus Antônio Godoy – Cardiologia – CRM-MT 3499 / RQE 1562;

7. Dra. Sônia Cristina Mangoni de Oliveira Lelis – Procuradora Municipal – OAB/MT 3942;

8. Antero Paes de Barros Neto – radialista e jornalista.

Fonte: ALMT – MT



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