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Fracasso em leilão de títulos do governo brasileiro ressalta desconfiança de investidores

Investidores especulam possível aumento da dívida pública; mudanças na política econômica brasileira não convence

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Economia

Foto: REUTERS/Amanda Perobelli

O leilão de títulos de NTN-F (Notas do Tesouro Nacional série F), promovido pelo Tesouro Nacional nesta quinta-feira (28.11), terminou sem acordo para a compra dos títulos brasileiros, acendendo alerta para um cenário preocupante por parte do mercado financeiro em relação à economia brasileira.

Esta foi a primeira vez na atual gestão do Governo Lula que investidores estrangeiros não compram títulos NTN-F. Esse tipo de papel é relacionado diretamente à dívida pública e é uma forma do governo captar recursos para se financiar.

No leilão desta quinta-feira, foram ofertados 300 mil títulos pré-fixados que totalizam R$ 267,8 milhões, com vencimentos para janeiro de 2031 e janeiro de 2035. No entanto, as ofertas não resultaram em acordos.

O fracasso do leilão, um dia após o anúncio de novas medidas econômicas feito pelo ministro da Economia, Fernando Haddad, chama a atenção, considerando a taxa de juros de 13,41% para o título de janeiro/31 e 13,18% para o título de janeiro/35.

“Comumente, os títulos NTN-F despertam interesse dos investidores pela taxa de juros mais alta, em comparação aos títulos emitidos por outros países. Isso ocorre porque o Brasil é considerado como grau especulativo de investimentos, ou seja, os títulos emitidos pelo Tesouro Nacional possuem maior risco, porque considera-se que o país poderá não ter capacidade de pagar suas dívidas”, explicou o economista Ricardo Capistrano.

Conforme o especialista, o resultado do leilão demonstra que os investidores não estão confiantes na política fiscal da União, impactando na credibilidade fiscal do país.

“A volatilidade do mercado local aumentou após o anúncio das medidas fiscais pelo Governo Federal O retorno esperado pelo investidor é proporcional ao risco. Exige-se maiores retornos para investimentos mais arriscados. No caso de títulos públicos, isso está relacionado à insolvência das contas públicas e, consequentemente, ao não pagamento dos rendimentos da aplicação”, observou.

Com a inflação brasileira perto do limite da meta estabelecida pelo Governo, os investidores especulam um possível aumento das taxas de juros e, como resultado, o aumento na dívida pública.

Nesta sexta-feira, o dólar chegou a atingir o maior valor nominal da história: R$ 6,10, e a desvalorização do real uma resposta às medidas fiscais anunciadas pelo Governo Federal, que não convenceram os investidores.

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Economia

Consumidores poderão escolher fornecedores de energia a partir de 2027

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quarta-feira (12) o decreto que regulamenta o funcionamento do mercado livre de energia, que permite a venda direta a pequenos e médios consumidores de energia elétrica. Na prática, a medida permitirá aos consumidores escolher de quem comprará sua energia, de forma semelhante à que ocorre com a telefonia.

A medida vale para clientes atendidos em baixa tensão (inferior a 2,3 kV). Para consumidores industriais e comerciais, a regra começa a partir de novembro de 2027. Para os demais clientes, incluindo os residenciais, a escolha poderá ser feita a partir de novembro de 2028. 

As regras não alteram a produção e transmissão de energia, que têm outras regulamentações.

O decreto também estabelece as regras para a migração ao Ambiente de Contratação Livre (ACL) e prevê ainda o Supridor de Última Instância (SUI), que será responsável por garantir o fornecimento de energia caso o fornecedor escolhido pelo consumidor deixe de prestar o serviço. Essa função ficará com as distribuidoras de energia até o final de 2030, quando poderá ser exercida por outros agentes, abrindo ainda mais o mercado.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneell) fará essa regulamentação e é quem terá a responsabilidade de organizar a transição entre os ambientes regulado (atual) e livre. A ela caberá estabelecer as regras sobre informação e proteção ao consumidor. 

Energia Sustentável

Outros três decretos foram assinados no mesmo evento, que regulamentam políticas voltadas ao combustível sustentável de aviação, ao hidrogênio de baixa emissão de carbono e à captura e armazenamento de carbono.

Para a aviação foi criado o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV), com regras para a produção, certificação, comercialização, rastreabilidade e o cumprimento das metas de redução de emissões pelo setor aéreo. A medida estabeleceu um prazo de dez anos, entre 2027 e 2037, para que o setor reduza suas emissões em 10%.

Foram definidas, ainda, as regras para certificação de combustível sustentável de aviação, tanto para importação quanto para produção nacional.

Foram criados também o Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2) e o Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (PHBC), além do Sistema Brasileiro de Certificação de Hidrogênio (SBCH2).

Na prática foram estabelecidas responsabilidades sobre certificação, determinação de regras e estabelecimento de critérios para avaliar o hidrogênio frente a outros combustíveis sustentáveis, permitindo a entrada do Brasil de maneira definitiva neste mercado.

Quanto à regulamentação da captura e armazenamento de carbono, foi estabelecido o marco regulatório para a atividade, decisiva para o avanço da descarbonização da indústria nacional. Também determina que o Ministério das Minas e Energia (MME) lidere a construção de um plano nacional de infraestrutura para orientar a implantação de áreas de captura, transporte e armazenamento geológico de carbono, com revisão a cada dois anos.



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