Exposição
Museu de Arte Sacra de Mato Grosso apresenta a exposição “Bem Aventurados – Arte Cristã”.
A “Exposição “Bem-Aventurados – Arte Cristã” é mais que uma relato para além de religioso, mas sim, repleto de significados que ressoam na vida cotidiana.
Opinião
O Museu de Arte Sacra de Mato Grosso (MAS-MT) abre no próximo dia 24, a exposição “Bem-Aventurados – Arte Cristã”, mostra que reúne 33 artistas que vão recriar a história mais famosa da bíblia: a vida de Jesus Cristo, da anunciação à ressurreição. O projeto que é uma verdadeira jornada visual é uma realização da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), do MAS-MT, da Associação dos Produtores Culturais de Mato Grosso (Ação Cultural), juntamente com a Associação dos Artistas Plásticos de Mato Grosso (Artemat).
. “A exposição propõe um pensar sobre temas de fé, redenção e da condição humana, utilizando uma linguagem artística que dialoga com as questões contemporâneas, em um cenário de elementos de produção coletiva”.disse a diretora do Museu Viviane Lozzi.
Para essa mostra os artistas usaram, além de toda criatividade e inspiração empírica que tema provoca, materiais como sucata, reciclados de papel e de plástico, matérias-primas que acentuam a urgência de uma reflexão sobre sustentabilidade e responsabilidade social.
De acordo com a Artemat, a exposição traz uma oportunidade significativa que enriquece o currículo e portfólio de cada um dos artistas participantes, muitos iniciantes, mas com grande potencial e outros de longa carreira. A “Exposição “Bem-Aventurados – Arte Cristã” é mais que uma relato para além de religioso, mas sim, repleto de significados que ressoam na vida cotidiana.
Como explica o presidente da Artemat e idealizador desta exposição, o professor de artes e um dos curadores da exposição, Carlos Bosquê, essas produções coletivas são alegorias simbolizando as marcas que a humanidade tem deixado na natureza e os riscos em se manter o mesmo padrão de comportamento, sem mudanças de atitudes e sem ações corretivas para uma vida sustentável.
Os temas
As obras exibidas em salas temáticas: “O Princípio”, “Caminho, Verdade e Vida”; “O Fim e o Reinício” são de impacto e vibração incomuns no trajeto iconográfico da vida de Jesus, produzidas carinhosamente por olhares e técnicas diferenciadas de cada artista.
Alguns com traços delicados, mas precisos, que formam personagens e cenas já conhecidas; outros apresentam personagens do dia a dia em cenários contemporâneos. “O mais bonito das obras destes artistas são suas sensibilidades em perceber os sinais e significados no tempo de hoje. São representações das pequenas observações de humildade e comportamento cotidiano aos fenômenos mais gritantes, como esses que estamos vivendo nesses tempos difíceis de guerras, migrações, fome e tragédias ambientais, e ataques virtuais que manipulam os pensamentos ideológicos, que personificam figuras como salvadoras e a outras endemoniadas, com pensamentos inclusivos ou exclusivos, rótulos e bandeiras que se colocam como espinhos na fronte para segregar, diminuir, persuadir, reflexões rasas e profundas da vida e da alma”, adverte Bosquê.
Os curadores da mostra, Bosquê, Carlos Pina, Isabel Araujo e Micheli Fanalli deixam o convite: “Convidamos você a percorrer esta rica tapeçaria de expressões artísticas e a refletir sobre sua própria jornada de fé e compromisso social. “Bem-aventurados – Arte Cristã” é mais do que uma exposição, é um chamado a um diálogo profundo entre arte, espiritualidade e ação coletiva”.
Os artistas
Adaiele Almeida, Albina Oliveira, Bete Gregio, Bia Pinheiro, Carlos Bosquê, Carlos Pina, Cida Silva, Danilo de Melo, Danúbia Leão, Dayana Trindade, Roberto Jorge, Dayse Ojeda, Eduardo Martins, Eliane Schaedler, Ellém Pellicciari, Elpídeo Neto, Iram Almeida, Isabel Araújo, Ita Ceramista, Luana Franco, Eduardo Martins, Marina Levy, Micheli Fanalli, Paulo Lenço Vermelho, Prestes Brasil, Reinaldo D’Arruda, Rimaro Soares, Rita Ximenes, Rosana Schmitt, Rosylene Pinto, Sálvio Júnior, Samara H Melo, Sandra Mussalem, Traudi Hoffmann e Valdir Ricardo.
Serviço
Local: Museu de Arte Sacra de Mato Grosso – Sala de Exposição Temporária I e II Clóvis Hugney, Nº 239, Bairro Dom Aquino, Cuiabá
Data de abertura: 24 de novembro de 2024 às 10h
Início: 24 de novembro de 2024
Término: 23 de fevereiro de 2025
Horário de Funcionamento: Quarta-feira a domingo das 9h às 18h
Ingressos: R$ 5 (meia), R$ 10 (inteira). Gratuito para estudantes e professores de instituições públicas, guias de turismo, pessoas com deficiência, e menores de 5 ou maiores de 60 anos de quarta-feira
Opinião
O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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