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Governo editará MP para tributar fundos exclusivos

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Com a expectativa de arrecadar cerca de R$ 10 bilhões, nas estimativas mais conservadoras, o governo editará uma medida provisória para tributar fundos exclusivos, disse nesta terça-feira (22) o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan. A medida provisória que tributa offshores (empresas de investimentos no exterior) ficará para um projeto de lei.

Inicialmente, a tributação das offshores tinha como objetivo financiar o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda. As duas propostas constam da Medida Provisória 1.171, editada no fim de abril e que precisa ser votada até a próxima segunda-feira (28) para não perder a validade. A tributação também é para atingir a meta de zerar o déficit primário em 2024, estabelecida pelo novo arcabouço fiscal.

Com a resistência de parlamentares à tributação das offshores, o governo decidiu transferir o tema para um projeto de lei e passar a tributar os fundos exclusivos, instrumentos personalizados de investimentos, com um único cotista, que exigem pelo menos R$ 10 milhões de entrada. Atualmente, apenas 2,5 mil brasileiros aplicam nesses fundos, que acumulam patrimônio de R$ 756,8 bilhões e respondem por 12,3% da indústria de fundos no país.

Atualmente, os fundos exclusivos pagam Imposto de Renda (IR), mas apenas no momento do resgate e com tabela regressiva, quanto mais tempo de aplicação, menor o imposto. O governo quer igualar os fundos exclusivos aos demais fundos de investimento, com cobrança semestral de IR conhecida como come-cotas. A princípio, está prevista uma alíquota em torno de 10% sobre os rendimentos a cada semestre.

Negociações

Ministro interino da Fazenda com a viagem de Fernando Haddad à África do Sul, Durigan reuniu-se durante todo o dia no Congresso para fechar o acordo. Ele encontrou-se com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL); do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG); e o líder do Governo do Congresso, senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP).

“A Fazenda tem dialogado com outros setores do governo e o Congresso para encontrar uma solução para a tabela de isenção do Imposto de Renda. O debate foi produtivo para chegarmos a um meio-termo porque o Congresso não tratou da regulamentação de offshore. Temos essa boa notícia porque estamos construindo bons entendimentos”, disse Durigan a jornalistas após voltar ao Ministério da Fazenda.

Além dos R$ 10 bilhões de arrecadação anual a partir de 2024, serão arrecadados R$ 3 bilhões neste ano para financiar a correção da tabela do Imposto de Renda. O secretário-executivo da Fazenda disse que a equipe econômica quer dialogar. “Estamos abertos à negociação tanto com o setor privado quanto com o Congresso. A MP [dos fundos exclusivos] vai ao Congresso. Temos disposição, e isso foi sinalizado ao presidente Lira e Pacheco. Assim que a MP for enviada, vamos discutir com eles, com os líderes e a sociedade qual é a melhor alíquota”, disse.

Em relação às offshores, Durigan disse que o governo pretende incorporar ao projeto de lei as modificações do Congresso ao texto da MP. “O texto que trata dos fundos em paraísos fiscais tem algumas alterações, fruto do debate que tem acontecido. O ideal é que se aproveite esse novo texto, apresentado no projeto de lei de conversão e que já contempla parte de um diálogo e de um aperfeiçoamento legislativo que já foi feito, sem prejuízo de seguir sendo discutido e aperfeiçoado no Congresso”, declarou o secretário-executivo.

Originalmente, o Ministério da Fazenda esperava arrecadar R$ 13,6 bilhões de 2023 a 2025 com a tributação das offshores. Com o projeto de lei, o governo só começará a arrecadar em 2024, caso a proposta seja aprovada ainda este ano. Durigan ressaltou que o acordo fechado nesta terça permite ao governo seguir com a tributação de rendimentos no Brasil e no exterior. “Essa é uma agenda importante para a Fazenda”, destacou.

Mais cedo, o presidente da Câmara, Arthur Lira, disse que nem ele nem os líderes partidários são contrários à taxação de fundos, mas justificou o adiamento da tributação de offshores à “necessidade de planejamento”. “[O adiamento foi necessário] para que a gente, em duas ou três semanas, possa dar o mesmo tom, o mesmo tratamento, o mesmo ritmo para esses fundos, que devem ter a sua taxação, de maneira programada, organizada, para que a gente não tenha corrosão de base como existiu em outros partidos da América Latina”, rebateu Lira.

Fonte: EBC Economia

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Dólar sobe a R$ 5,20 e volta a atingir maior valor em três meses

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Em um dia de nervosismo no mercado financeiro, o dólar avançou e atingiu o valor mais alto em quase três meses nesta quarta-feira (24). A bolsa de valores encerrou o pregão em queda de quase 0,5%, pressionada pela baixa das ações de petroleiras e mineradoras.

O movimento refletiu a expectativa de juros mais altos nos Estados Unidos e a forte queda do petróleo, que recuou para o menor nível desde o início da guerra. Isso reduziu o apetite por ativos ligados a commodities (bens primários com cotação internacional).

O dólar comercial fechou esta quarta-feira (24) em alta de 0,28%, cotado a R$ 5,202, após atingir máxima de R$ 5,22 durante a manhã. Foi o segundo pregão consecutivo de valorização e o maior nível de fechamento desde 30 de março.

A moeda americana ganhou força com a expectativa de que o Federal Reserve (Fed, Banco Central estadunidense) possa adotar uma postura mais restritiva diante de sinais de pressão inflacionária na economia dos Estados Unidos. O mercado aguarda a divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE), principal indicador de inflação acompanhado pelo banco central americano.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar contra uma cesta de moedas fortes, operava próximo dos maiores níveis em mais de um ano, acumulando alta de cerca de 3% no ano.

No Brasil, analistas avaliam que a diferença entre as perspectivas de juros dos Estados Unidos e do Brasil reduziu a atratividade do chamado carry trade, estratégia baseada em ganhos com a diferença entre os juros altos na economia brasileira e as taxas estadunidenses, mais baixas.

Bolsa perde força

Principal índice da B3, o Ibovespa encerrou o dia aos 170.506 pontos, com queda de 0,44%, após três sessões consecutivas de alta. O índice chegou a subir pela manhã, mas perdeu força com a pressão das ações ligadas a commodities.

O desempenho ocorreu em meio à queda dos preços do petróleo e à valorização do dólar, que pressionou metais básicos. Bancos também contribuíram para a baixa do índice. Na contramão, ações mais ligadas ao consumo interno tiveram ganhos, favorecidas pelo recuo das taxas de juros futuros.

Cenário internacional

Os investidores também acompanharam os sinais de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, além da retomada gradual do fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz.

O alívio nas tensões externas reduziu o prêmio de risco sobre o petróleo e afetou empresas ligadas à energia. Ao mesmo tempo, o mercado monitora os próximos passos do Fed e os dados econômicos americanos para ajustar as expectativas sobre juros.

Petróleo recua

O petróleo caiu pelo terceiro pregão seguido e fechou no menor nível desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, com o mercado reagindo à perspectiva de aumento da oferta global.

O contrato do Brent para setembro, parâmetro para a Petrobras, caiu 3,81%, encerrando a US$ 73,87 por barril. O barril do tipo WTI, do Texas, para agosto, recuou 3,92%, para US$ 70,34 por barril, chegando a operar abaixo de US$ 70 durante o dia.

A queda ocorreu após sinais de normalização do transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz e medidas envolvendo possíveis flexibilizações de restrições ao petróleo iraniano.

Analistas avaliam que o mercado passou a considerar menor risco de interrupção no fornecimento do petróleo, embora ainda acompanhe a evolução das negociações geopolíticas.

*com informações da Reuters.



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