Mato Grosso
Moradores recorrem ao mutirão do projeto Assembleia Itinerante por serviços essenciais
Mato Grosso
Número de atendimentos superou as expectativas. Desde as 7h muitos já aguardavam na fila para garantir atendimento
Da Redação
Com a presença maciça de moradores, a 9ª edição do projeto “Assembleia Itinerante”, realizado nesta sexta-feira (09.06), em Barra do Bugres, promoveu mais um dia de mutirão da cidadania com diversos atendimentos. Moradores de Nova Olímpia, Denise, Arenápolis e Porto Estrela também aproveitaram a oportunidade para consultas médicas, atendimentos do Procon, da Defensoria Pública, emissão de RG, CPF, Título de Eleitor, Bolsa Família, Cartão do SUS, lazer e dia de beleza. Aproximadamente três mil pessoas estiveram no evento.
“É a nova política da Assembleia Legislativa de trazer serviços essenciais à população, inclusive, atendendo moradores das zonas rurais. Hoje, por exemplo, acontece também o projeto Educação Legislativa em Movimento, em Araputanga, e outra sessão especial em Confresa. Diariamente estamos na Capital e no interior, num processo de aproximação cada vez maior da população, de forma transparente, legal e social”, disse o secretário de Finanças da ALMT, Ricardo Adriane, que representou, na abertura do evento, o deputado e presidente da Assembleia Legislativa, deputado Eduardo Botelho (PSB).
O coordenador do projeto, Amarildo Monteiro, disse que a cada edição aumenta o número de participantes. Também destacou o trabalho em conjunto das prefeituras e profissionais que atuam no mutirão da cidadania. “Levamos vários serviços até a população porque sabemos as dificuldades que muitos têm de ir à Capital para resolver questão como, por exemplo, a emissão do RG. É dessa forma que a Mesa Diretora quer estar, sempre próxima da população”, destacou Monteiro.
O prefeito de Barra do Bugres, Raimundo Nonato (PSB), agradeceu a escolha da cidade. “É muito gratificante receber essa caravana aqui, em Barra do Bugres, pois Mato Grosso tem 141 municípios e fomos os escolhidos para sediar o Assembleia Itinerante, facilitando o acesso dos moradores a tantos serviços importantes”, afirmou o prefeito.
Da mesma forma, os deputados Wagner Ramos (PSD), Mauro Savi (PR) e Dr. Leonardo (PSD), reforçaram o compromisso da ALMT em promover políticas públicas para melhorar a qualidade de vida da população. “Este evento reúne tantos serviços num só local. Isso ajuda muito os moradores do interior. Queremos trabalhar cada vez mais para melhorar a qualidade de vida dos mato-grossenses”, ressaltou Wagner Ramos.
A dona de casa Maria Jessica Gomes da Silva aproveitou para consultar a filha, de apenas quatro anos, com psicólogo. “A escola me pediu para levá-la ao psicólogo e não perdi tempo, pois quando vi a oportunidade corri pará cá. Essa chance é muito importante para nós, que dependemos dos serviços públicos de saúde”.
Mesmo com bebê de colo, Cícera Leia Correa, dona de casa, moradora do assentamento Antônio Conselheiro, distante a 75 quilômetros de Barra do Bugres, chegou cedo. “Trouxe minha filha de seis anos para fazer RG e CPF. Moramos longe e não temos condições de fazer isso no dia a dia porque tudo depende de ônibus. Essa iniciativa é excelente e deveria acontecer com mais frequência. Onde moro, por exemplo, tem muitos moradores que já estão perto de se aposentar, mas ainda não têm documentos”, reivindicou.
O cantor Bruno José, morador de Sapezal, também entrou na fila de espera para fazer o RG. “Estava trabalhando nesta semana aqui em Barra do Bugres e ouvi o anúncio nas ruas. Então, aproveitei para fazer meu documento. É muito bom saber que temos esse tipo de serviço oferecido pela Assembleia Legislativa”.
Na área de saúde o movimento foi intenso. Muitos aguardavam atentos o atendimento em Cardiologia, Clínica Geral, Psicologia, Dermatologia, Nutrição, Ortopedia e Neurologia.
Mato Grosso
Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.
Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.
Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.
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