CÁCERES-MT
Centro de Referência de Cáceres é escolhido para sediar festival de esportes paralímpico
Festival promove a experimentação esportiva, de forma lúdica, às crianças com e sem deficiência
Esporte
Neste ano, o evento será realizado em duas etapas. A primeira será no dia 20 de maio e a segunda no dia 23 de setembro.
De acordo com o professor do Comitê Paralímpico Brasileiro e coordenador pedagógico do projeto em Cáceres, Emanuel Carvalho, as inscrições para o Festival serão abertas em abril. O público-alvo são crianças e jovens, com idades entre 8 e 17 anos.
Não haverá limites de vagas, mas será observada uma proporção de 80% das vagas para pessoas com deficiência e 20% das vagas para pessoas sem deficiência.
No Festival haverá competições nas modalidades badminton, vôlei sentado, goalball e bocha olímpica.
Centro de referência
Os centros fazem parte do Plano Estratégico do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), com o objetivo de aproveitar espaços esportivos em todos os estados, para oferecer modalidades paralímpicas, desde a iniciação até o alto rendimento.
O CRPB-Cáceres é um projeto de extensão do Centro Interdisciplinar de Pesquisas em Esporte e Exercício Físico (Cipeef) da Unemat, coordenado pelo professor da Unemat Riller Silva Reverdito, com o objetivo de ofertar práticas de esportes para pessoas com deficiência em parceria com o Comitê Paralímpico Brasileiro.
Suas atividades são desenvolvidas no ginásio e na piscina da Vila Olímpica da Unemat, na unidade Cidade Universitária, em Cáceres. O projeto atende gratuitamente pessoas com deficiência a partir de 6 anos de idade, nas modalidades natação, badminton e bocha olímpica.
Festival
A primeira edição do Festival, em 2018, foi realizada em 48 cidades, com a participação de mais de 7 mil crianças. Desde então o evento ganhou novas proporções. Na última edição, em 2022, cerca de 15 mil crianças foram atendidas em 98 municípios brasileiros.
Esta é a segunda vez que Cáceres sedia o evento, organizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro. Ao todo, 120 núcleos foram selecionados para promover o festival, sendo que 34 deles são Centros de Referência.

Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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