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Paladino: só pela internet

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Por: Eliseu Silva

 

Ninguém tem dúvidas de que o acesso à informação se tornou muito mais rápido e fácil através da internet. E, diante da crise política e financeira pelo qual o país atravessa, essa conversa virtual vem sendo muito usada pela classe política. Ela tenta intensificar a todo custo uma aproximação mais eficaz com o eleitor, com troca de vídeos e compartilhamentos de notícias. Para políticos com mandatos, a rede é usada para divulgar suas ações de governo, dialogar diretamente com a população e desmentir boatos que circulam. Para os de oposição, o meio é usado, em sua maioria, para divulgação de notícias de corrupção e acusações variadas.

Mentiras ou verdades sobre corrompimentos administrativos não é diferente perante os atos do Governo de Mato Grosso e de outros gestores municipais do estado. Na cidade de Várzea Grande, os embates entre grupos antagônicos são muito mais profundos e tem levado a insultos incansáveis por meios das redes sociais. Só agora políticos e apaziguados da vegê descobriram o poder das redes, e os “ditos” oposição a atual administração da prefeita Lucimar Campos, acreditam que tal ferramenta auxiliará a mudar o destino político do lugar. Tanto é que a exploração das redes lá é comemorada como a descoberta do fogo que mudou a vida do homem há 400 milhões de anos.

Pensam que a proteção da tela do computador, a distância física e o anonimato, que muitas vezes é mantido apenas por horas, lhe darão confiança e lealdade para desenvolverem seus modus operandi pelo qual expressam suas atividades matreiras. Se esquecem de que as pessoas “são as mesmas”, tanto em ambientes físicos quanto virtuais. Pela WEB muitos se aproveitam da situação política/degradante pelo qual o município atravessa, para bancar de espertos. Uns até se apresentam como portadores da moral e dos bons costumes, e se auto intitulam como salvadores da pátria, porém, defendem porcamente de maneira sutil, seus próprios interesses.  É de rir pra não chorar!

Ora! Bem sabemos que as redes sociais são espaços democráticos que permitem que qualquer um exponha seu ponto de vista e sua opinião, mas o que se vê, principalmente nos grupos de WhatsApp, defesas infundadas sobre ideologias política que se prolongam por exaustivos debates. Além de troca de farpas, muitos partem para ofensas cabeludas quando alguém opina contrariamente. Ao discordarem são taxados de impotentes e frustrados.

Tal despautério político na rede, para um bom observador, se conota em piadas que merecem largos risos, como se partidos políticos no Brasil, e principalmente em Várzea Grande, possuíssem ideologia. Para um bom entendedor, tais convicções só existem na cartilha partidária. Daí se pergunta: Se precisa mesmo de mudanças na política local, porque a oposição não leva as discussões para as ruas, escolas, sindicatos e associações? Claro que não! A defesa do fanatismo dentro de si, o medo e o respeito pelo outro, impedem maiores calorias frente a frente.  

Mas, diante dos tempos de polarização política no Brasil e tanto “bate e assopra” nas redes, se percebe que tanto oposição como situação, se entrelaçam num grande balaio de gatunos e são parecidos na intenção de conseguir o poder, a teta, o glamour, a arrogância e o desdém galgado sobre o analfabetismo da sofrida sociedade várzea-grandense. Veremos esse filme todas as vezes que chegar o período pré-eleitoral, seguido do vislumbro de algum benefício próprio. Fora do olhar do eleitor, os benévolos, os campeões, os heróis, os defensores, os apologistas e os paladinos da internet, entram em ação e trocam abraços, beijos e até carícias.

Elizeu Silva é jornalista em Mato Grosso – elizeulivramento@gmail.com

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar



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